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    Com salas 3D, maior rede da América Latina chega a SP e deve aquecer mercado de cinema

    Por Heitor Augusto
    17/11/2010

    Enquanto cinemas pequenos como o Cine Arte Lilian Lemmertz, na Lapa, e o Gemini, na avenida Paulista, encerram suas atividades, mais um multiplex chega à cidade de São Paulo. A rede mexicana Cinépolis, maior da América Latina, iniciou suas atividades na capital na sexta-feira (12/11) com oito confortáveis salas dentro do Mais Shopping Largo 13, na zona sul.

    Os planos do exibidor que domina 61,2% do mercado mexicano e está espalhado por oito países não são modestos. “Vamos abrir pelo menos 300 salas no Brasil nos próximos cinco anos com um investimento de até R$ 500 milhões”, promete o empolgado Eduardo Acuña, CEO da Cinépolis Brasil. A empresa é conhecida por abrir multiplex de 10 a 15 salas. As do Mais Shopping Largo 13 são o segundo passo concreto da empresa no Brasil, que iniciou as operações por aqui neste ano com salas em Ribeirão Preto e Belém.

    Atualmente, o existem cerca de 2.200 salas no Brasil, muito inferior às 3.300 mil de 1975 [veja evolução em gráfico abaixo]. De acordo com dados do FilmeB, o país é apenas o 60º no ranking com a média de habitantes por sala (83.316). “Há uma carência muito grande de salas no Brasil”, define Acuña. Preencher esse vácuo é a ambição da Cinépolis.

    “No próximo ano vamos abrir mais quatro cinemas na Grande São Paulo, além do Novo Shopping Iguatemi JK. Para fora de São Paulo temos Salvador (Bahia), Campo Grande (Mato Grosso do Sul), Blumenau (Santa Catarina), Caxias do Sul (Rio Grande do Sul), Jardim Sulacap (Rio de Janeiro) e Manaus (Amazonas)”, resume Acuña. Mesmo com o objetivo de abrir 300 salas em cinco anos, o presidente da Cinépolis do Brasil nega que o complexo exibidor busca a liderança do mercado do brasileiro.

    “Não temos mensagem para mandar para o mercado exibidor. Nossa meta é abrir salas, não ampliar o market share [participação de mercado]. Se isso acontecer, que bom”. A Cinemark, primeira rede estrangeira a se instalar no Brasil em 1997, tem a maior quantidade de salas: 428 espalhadas por 27 cidades. “Se eles acompanharem nosso crescimento, vão continuar dominando o mercado”, resume Acuña.


    Fonte dos dados: FilmeB/ Ancine

    Cinema no Largo 13

    Estima-se que 57 milhões de pessoas moram em cidades de 20 a 500 mil habitantes sem cinema. Na tentativa de cobrir esse espaço, o governo lançou o Programa Cinema Perto de Você, uma série de mecanismos de crédito, desoneração de impostos e investimento articulados por Ministério da Cultura, BNDES, Ministério da Fazenda e Agência Nacional do Cinema. Além do programa, existem também linhas de investimento do Fundo Setorial do Audiovisual.

    Repetindo a opinião do empresariado, o CEO da Cinépolis acha fundamental a participação do governo na montagem de salas. “Que bom que chegou, mas até veio tarde”. Eduardo Acuña reclama que o preço para montar uma sala no Brasil é 80% do que no México.

    No caso do cinema no Mais Shopping Largo 13, ao lado do Terminal Santo Amaro, zona sul de São Paulo, o investimento foi bem empregado. Três das sete salas comportam projeção em 3D (“as pesquisas indicaram que o público queria isso”), as poltronas são bem confortáveis e as salas em formato stadium.

    Os preços e o serviço serão suficientes para atrair ao cinema o público que compra filmes piratas nas barracas perto do cinema? “Espero que sim”, responde Acuña. Além da pirataria, a rede vai ter de conquistar um público que, de acordo com extensa pesquisa do Sindicato dos Distribuidores do Rio de Janeiro, apenas 48% vai ao cinema assistir a um filme – e 10 milhões dos quase 200 milhões de habitantes do Brasil saem de casa para ver um longa-metragem.

    “Mas o mercado aqui a ser explorado é muito grande, cabe muito mais do que as 2.200 salas de hoje. Temos espaço para mais seis mil!”.