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    Começa o Festival de Curtas-Metragens

    Por Da Redação
    18/08/2000

    O 11o Festival Internacional de Curtas de São Paulo foi aberto ontem, com exibição para convidados. Hoje começam as sessões abertas ao público, com entrada franca. Trata-se da maior edição do festival: 401 filmes, onze salas, 35 convidados internacionais e 70 realizadores brasileiros. E os organizadores não prometem apenas números: prometem também qualidade. Além de vários curtas já premiados, será feita uma retrospectiva com animações de Nick Park. E também atividades focadas a experimentações e novas tendências e tecnologias, o que não poderia faltar neste tipo de evento. Neste aspecto, recebem atenção o cinema digital e via Internet.
    Rio de Janeiro e Porto Alegre receberão uma versão reduzida e itinerante do evento, de 25 a 27 de agosto e de 29 a 31 de agosto, respectivamente. Em São Paulo, os curtas serão exibidos até dia 27.



    Novas tecnologias

    A mostra em geral não é competitiva, mas este ano há uma exceção: está sendo promovido o concurso Curtas para Internet. O internauta pode assistir e votar nos trabalhos que estão disponíveis no site do Festival, www.kinoforum.org. A idéia é expor o que tem sido feito especificamente para Internet, e o que este meio traz de novo em termos de linguagem e técnicas de produção.

    Uma das empresas de ponta nesta área está presente no Festival: a Eveo, que divulga na rede trabalhos digitais de curta duração. Quem entrar no site www.eveo.com poderá assistir a vários curtas. É cobrada uma taxa, repassada para os realizadores. E quem quiser expor seu vídeo, pode enviar o trabalho para a empresa. No Festival, a Eveo exibirá alguns dos trabalhos que já arrebanhou, reunidos em sessões entituladas: Todo Mundo É Diretor.

    Também haverá workshops e debates com os temas novas tecnologias, vídeo digital e linguagem para internet, dias 21 e 24, no MIS.



    Brasil

    O Festival foi atrás de toda a produção brasileira dos últimos 12 meses, somando 113 trabalhos, incluindo os de diretores estreantes e de estudantes de cinema. Com a intenção de abrir espaço a todos os inscritos, não foi feita nenhuma seleção. Portanto, pode-se imaginar que alguns trabalhos não agradarão ao público. Por outro lado, várias sessões foram montadas com filmes já premiados, elogiados e aplaudidos em Gramado e Brasília. Passadouro (de Torquato Joel), Outros (de Gustavo Spolidoro), Tepê (de José Eduardo Belmonte) e Um Filme de Marcos Medeiros (de Ricardo Elias) são apenas alguns. Além disso, vários curtas inéditos prometem agradar.

    Tomando os 500 anos do descobrimento como gancho, o Festival organizou a Retrospectiva Curtas Viajantes, mostrando diversas regiões e identidades culturais do Brasil. Os autores vão de Glauber Rocha e Humberto Mauro a Arthur Omar e Jorge Furtado. Outra retrospectiva, O Cinema dos Brasileiros - Curtas e Documentários do Ministério da Cultura, exibe 53 títulos realizados por meio de concursos públicos na década de 90.



    Mostra Internacional

    A lista de curtas estrangeiros passa por 47 países e inclui filmes premiados em festivais como Cannes, Berlim, Locarno e Sundance. Se a Mostra de Filmes chamou a atenção por trazer um filme de Burkina Faso, o Festival de Curtas deste ano não fica atrás. O país tem representante na programação especial Contos e Lendas Africanas.

    Destacado pelos próprios organizadores do Festival como sua atração principal, será exibido A Origem do Século 21, um trabalho do lendário Jean-Luc Godard. Trata-se de uma colagem de imagens jornalísticas, cenas de filmes e textos de pensadores.

    A mostra Latino Americana dá a oportunidade de conhecer trabalhos feitos em Cuba, México, Peru, Uruguai, Nicarágua, Panamá - para citar alguns. Vale lembrar que em Gramado o vencedor entre longas-metragens é peruano, o que leva a crer que vale dar uma olhada no que está acontecendo no cinema destes países.

    Para quem tem medo de entrar numa sessão e assistir filmes difíceis ou "cabeças" demais, uma dica, sem chance de erro, é a retrospectiva Nick Park. Trata-se de um dos mais importantes diretores de animação do mundo, recrutado pela DreamWorks para fazer "A Fuga das Galinhas". O Festival reapresenta quatro de seus trabalhos, três deles premiados com Oscar. Este "pacote" também será exibido no Rio de Janeiro e Porto Alegre.


    Programas Especiais

    Uma das experiências mais inovadoras desta edição será a A Noite Trash. Em meio a uma festa, um VJ decide a seqüência de filmes de acordo com a reação do público. Os trabalhos projetados foram trazidos pelo alemão Axel Behrens, um dos responsáveis pelo Festival de Curtas de Hamburgo e pela Agência do Curta-Metragem de Hamburgo. A festa está marcada para o dia 23, na Funarte.

    Também da Alemanha vêm trabalhos para a programação "Política?!", abordando o cinema político alemão na década de 90.

    O Japão participa com curtas feitos a partir do Dogma 95 dinamarquês, o que resultou em "comédias malucas", segundo a organização do Festival. Eles estão na programação "One Piece!".

    Dentro do cinema brasileiro, a cultura negra recebe atenção especial. Sob o título "Dogma Feijoada", o Festival reuniu curtas feitos a partir de uma série de regras sugeridas pelo estudante de cinema Jefferson De. A proposta é fazer filmes com atores negros, sobre os negros, sem estereótipos, dirigidos por negros. A idéia não é apenas mostrar o negro, mas também dar-lhes voz. Além da exibição de curtas que sigam as regras fixadas por Jefferon De, haverá um debate sobre a relação da cultura negra com o cinema brasileiro, dia 23, às 21h00, no Espaço Unibanco de Cinema.

    O Festival da Diversidade Sexual preparou uma mostra especial para o Festival de Curtas, com 27 filmes. Entre os destaques estão o vencedor do Prêmio Teddy Bear do Festival de Berlim 2000, Mão na Massa, e o único brasileiro, Dama da Noite, vencedor da competição Mix Brasil de 1999.