Como Deadpool e Wolverine mudaram o cinema

Não há como negar que esses filmes mudaram o cinem

11/09/2020 19h00

Por Daniel Reininger

O anti-herói está em uma área cinzenta entre o vilão e o herói. Ele pode ser desagradável, mas também extremamente encantador. São as suas qualidades paradoxais que fazem com que se assemelhe às pessoas reais — mais do que qualquer outro personagem da ficção.

É um personagem cheio de nuances - e a evolução dos super-heróis, tanto nos quadrinhos quanto nos cinemas, nos brindou com ótimos anti-heróis. E dois filmes mudaram o cinema, principalmente nesse gênero.

Pois é, Deadpool causou grande alvoroço no cinema quando estreou em 2016 ao trazer não só importantes elementos essenciais de um bom filme de super-herói, como humor, personagens interessantes e ação, mas também tom adulto, palavrões, violência exagera, muita zueira e a consciência de que esse tipo de filme em si nada mais é do que uma forma de diversão.

Uma das principais razões para o sucesso de Deadpool foi sua classificação para adultos, o que garantiu que palavrões e e muita violência entrassem em cena do começo ao fim. Por isso, a prodição não apenas abalou o status-quo das aventuras de ação estreladas pelos super-heróis, mas foi além e estabeleceu novos precedentes cinematográficos.

Do marketing ao orçamento e às tramas, Deadpool mexeu com a indústria. O filme fez piada com si mesmo por meses, garantindo que a hype nunca acabasse. Sem falar que o filme foi feito com apenas US$ 58 milhões, valor baixo para o gênero e até mesmo outros blockbusters, o que provou que é possível fazer muito mais, com muito menos e ainda se tornar um filme marcante, que todo mundo quer ver. Sem falar que agora as histórias poderiam ser mais centradas nos personagens e menos em heróis salvando o mundo.

E aí entra Logan na história. Seu marketing também foi agressivo, a começar pelo uso perfeito da música Hurt, interpretada por Johnny Cash. O longa é um drama pesado e mostra algo que raramente vemos: O fim da vida de um super-herói. A narrativa foca nas lutas, não exagera no CGI e é um filme de ação feito com muito cudado, mas com menos foco nas habilidades especiais de seus protagonistas e sim em quem eles são como pessoas e como enfrentam as adversidades.

Logan, até mais do que Deadpool, é a antítese do que esperamos de um filme de super-herói. De cara, nenhum dos filmes da Marvel foi tão cinematográfico quanto. A inspiração dos faroestes e road movies foram cruciais, afinal, conforme o trio de protagonistas viaja pelas rodovias dos Estados Unidos, temos uma visão pitoresca do país no futuro e suas interações dão vida à história.

É um contraste os longas da DC e da Marvel. Não só de visial e tom, mas também de desenvolvimento de trama e personagens. E é realista, não do ponto de vista técnico, como Batman - O Cavaleiro Das Trevas, mas do ponto de vista humano. Sem falar que o filme afeta os espectadores psicologicamente, deixando um gosto amargo com o fim da jornada de Hugh Jackman como Wolverine, que morre no final.

Logan nos permite aproveitar todas as características das narrativas de super-heróis: ação, o suspense, o abandono imprudente, fim de uma era, história de origem - em um filme que, em última análise, não parece muito com um longa de quadrinhos como conhecemos, mas sim uma evolução bem-vinda do gênero.

Não há como negar que esses filmes mudaram o cinema e, principalmente, os longas baseados em quadrinhos.

Conheça melhor esses dois personagens:

Wolverine

Personificando uma arma letal sem limites, Logan tem seu passado manchado por guerra e banhos de sangue. Os seus instintos animais, o seu super poder de cura e suas garras fazem dele a perfeita máquina da morte.

Wolverine, entretanto, é altruísta e procura fazer o melhor pelos outros, mesmo que isso o prejudique. A Marvel explorou com frequência os dois lados de Logan: herói e professor dos X-Men, ou o assassino que destrói quem for preciso para manter o mundo um lugar mais seguro. 

Deadpool

Violento, insano, carismático. Deadpool cumpre todos os requisitos de um anti-herói. O mercenário faz o que quer, seja ajudar os vilões ou os heróis e sua regra número 1 é não ter qualquer regra.

Ele tem a capacidade de ser alguém decente e já fez muitas boas ações, mas também se juntou aos vilões quando foi conveniente. A sua imprevisibilidade, irreverência e humor o tornam um personagem cheio de nuances, bem característico de um anti-herói da Marvel. Deadpool faz parte do mundo dos X-Men.

Se você quer saber mais sobre o universo dos super-heróis, os melhores filmes, as grandes super-heroínas, as memoráveis animações, e a trajetória dos principais estúdios para a dominação do gênero em Hollywood, não deixe de conferir nosso artigo "A evolução dos filmes de super-herói no cinema".

 

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