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    Como o streaming intensifica o consumo de conteúdos estrangeiros

    Séries e filmes de língua não-inglesa passaram a ter impacto direto no público
    Por Thamires Viana
    28/01/2021 - Atualizado há cerca de 1 mês

    O acesso ao streaming se tornou uma das atividades mais comuns entre o público mundial nos últimos anos. Em 2019, uma pesquisa realizada pela Associação de Cinema dos Estados Unidos concluiu que o número de usuários dos serviços de vídeo on demand atingiu a marca de 600 milhões de assinantes em todo o mundo, ultrapassando os 566 milhões que assinam alguma operadora de TV a cabo. 

    Com o aumento de usuários, os serviços passaram a produzir conteúdos próprios, controlando o que entra e sai de seus catálogos, e assim garantindo a fidelização do público. Além disso, as plataformas também ampliaram o número de conteúdos estrangeiros, o que gerou o aumento de consumo de produções de língua não-inglesa, algo comum entre o público.

    Por que esse aumento se tornou significativo?

    Antes do streaming, a grande maioria dos conteúdos consumidos pelo público, entre filmes e séries, eram aqueles exibidos nas TVs aberta e fechada ou diretamente no cinema, e as produções americanas dominavam as programações. Com o streaming, títulos de todas as nacionalidades passaram a entrar no dia a dia dos assinantes, promovendo assim um aumento do consumo e da popularização desses conteúdos.  

    Em 2016, quando chegou à Netflix, a série brasileira 3% virou um fenômeno de público ao trazer um mundo distópico e altamente tecnológico para as telas. Em poucas semanas, a atração estrelada por Bianca Comparato já havia se tornado a série de língua não-inglesa mais assistida dos EUA.

    Já em 2018, a série espanhola La Casa de Papel se tornou a série de língua não-inglesa mais assistida na história da plataforma. O sucesso das duas temporadas da atração foi tanto que a Netflix decidiu produzir uma terceira e quarta temporadas para continuar com a trama. 

    Outro bom exemplo de popularização vindo do streaming é Roma, filme de Alfonso Cuarón, que no final de 2018 se tornou um dos mais aclamados, após chegar ao catálogo da Netflix. Previsto para chegar somente aos cinemas, a produção mexicana teve seus direitos comprados pela empresa e ganhou grande destaque entre o público. Dessa forma, o filme, que traz temática e técnicas de cinema cult, se tornou um dos mais assistidos da plataforma e um dos mais premiados do Oscar 2019. Cuarón revelou em entrevistas que seu filme jamais teria tido o mesmo sucesso, se não fosse pelo streaming.

    E o impacto fora do streaming?

    O avanço do consumo também se tornou significativo fora do ambiente on demand. Esse foi o caso de Parasita, o primeiro filme estrangeiro a ganhar o Oscar de Melhor Filme. Sem chegar ao streaming, a produção sul-coreana permaneceu quase quatro meses em cartaz nos cinemas e garantiu um alto número de público, algo incomum para um filme fora do mercado de blockbuster. 

    Ganhador de seis estatuetas na 91ª cerimônia da premiação, incluindo Melhor Filme Internacional e Melhor Diretor, Parasita também garantiu o prêmio de Melhor Filme Estrangeiro no Globo de Ouro, e esse foi o tema do discurso do diretor Bong Joon-ho ao receber o troféu.

    "Quando vocês superarem as barreiras de filmes com legendas, conhecerão muitos filmes incríveis", afirmou ele. O diretor alfinetou exclusivamente o público americano que costuma não consumir conteúdos legendados e assim perdem a oportunidade de conhecerem mais produções de qualidade.

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    O que mais mudou após o consumo de streaming?

    Outra mudança significativa derivada do aumento de serviços de streaming é a forma como consumimos conteúdos do audiovisual. Pensando em uma forma de aumentar seu número de assinantes, a GloboPlay é um exemplo de serviço que alterou a forma de disponibilizar os conteúdos de TV aberta, por exemplo. 

    Antes de se lançar como um serviço on demand, a Globo exibia suas minisséries na íntegra em TV aberta, geralmente no horário das 23h. Ao observar que o hábito de ver séries vinha se tornando cada vez mais comum em streaming, a emissora passou a disponibilizar seus conteúdos originais diretamente em sua plataforma. Assim, ela criou uma forma de exibição chamada Espiadinha Globoplay, onde exibe apenas um episódio na TV e garante a atenção do público para assistir o restante diretamente no catálogo de streaming. 

    A Amazon Prime Video também soube atrair o público, partindo diretamente para a parte comercial de seu serviço. Ao abaixar o valor de sua assinatura mensal, a empresa visou competir diretamente com seus concorrentes. Dessa forma, a plataforma impulsionou o número de conteúdos recém-saídos do cinema para seu catálogo por um valor ainda mais acessível, o que garantiu a fidelização de um público que busca relevância e custo benefício em um único serviço. 

    O aumento das porcentagens no consumo de conteúdos estrangeiros ainda está longe de se tornar maioria dentro do mercado audiovisual, mas já é um começo observar que eles vêm transcendendo fronteiras.