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    Conheça brasileiros que marcaram presença em Cannes

    Por Da Redação
    23/05/2008

    A primeira edição do Festival de Cannes - cujo conceito nasceu em 1939 - foi realizada em 1946. No total, 110 trabalhos brasileiros já foram exibidos no festival francês. Ou seja, dá uma média de dois filmes brasileiros por edição.

    A primeira participação brasileira no evento ocorreu já em 1949. Sertão, de João G. Martin, foi selecionado para ser exibido no Festival de Cannes em sua terceira edição. O Brasil voltou à Riviera Francesa em 1951. Caiçara, dirigido por Adolfo Celi, representou o país no festival francês nesse ano, quando foi exibido em competição pelo Grand Prix du Festival International du Film, principal prêmio do evento antes mesmo da Palma de Ouro ter sido criada, o que ocorreu quatro anos depois. No ano seguinte, o mesmo Celi voltou à Riviera Francesa para apresentar seu Tico Tico no Fubá, que concorreu ao prêmio novamente.

    O Cangaceiro, de Lima Barreto, foi indicado ao principal prêmio no festival francês, mas saiu de mãos abanando em 1953. No entanto, o clássico do cinema brasileiro deu a Barreto o prêmio internacional e uma menção especial a Gabriel Migliori pela trilha sonora composta para a aventura.

    Pela primeira vez, o Brasil foi representado no Festival de Cannes por duas produções em 1954. Feitiço do Amazonas, de Zygmunt Sulistrowski, concorreu ao principal prêmio na Riviera Francesa, assim como O Canto do Mar, de Alberto Cavalcanti. Naquele ano, o júri foi presidido por Jean Cocteau e premiou a produção japonesa Portal do Inferno, de Teinosuke Kinugasa. No ano seguinte, quando a primeira Palma de Ouro foi entregue, outro filme brasileiro foi selecionado para competir em Cannes: A Esperança é Eterna, de Marcos Margulies, mas quem se deu melhor esse ano foi Delbert Mann, pelo longa Marty. Em 1955, o documentário Samba Fantástico, dirigido por Jean Manzon e René Persin, levou um pouco da cultura brasileira à comunidade cinematográfica francesa. Em 1956, Sob o Céu da Bahia, de Ernesto Remani, foi exibido em competição na França.

    As produções brasileiras ficaram fora do festival francês durante o resto da década de 50, até que Roberto Faria levou seu Cidade Ameaçada ao evento em 1960. Lima Barreto participou do Festival de Cannes pela segunda vez no ano seguinte, com o longa A Primeira Missa. A primeira - e única, até agora - Palma de Ouro foi concedida a um trabalho brasileiro em 1962. O responsável pela proeza é Anselmo Duarte. O Pagador de Promessas era o segundo longa-metragem de Duarte, mais conhecido por sua carreira como galã do cinema. Ele foi à França totalmente desprestigiado por aqui. Poucos confiavam no longa. Com a Palma de Ouro na bagagem, fez muitos engolirem a seco o prêmio. Detalhe: Duarte foi membro do júri em Cannes em 1971 e, em 2004, O Pagador de Promessas foi exibido novamente no festival dentro do programa Cannes Classics.

    Mas Anselmo Duarte não foi o único brasileiro a competir em Cannes naquele ano: Joaquim Pedro de Andrade foi indicado à Palma de Ouro no mesmo ano com Couro de Gato. Certamente, a derrota para um conterrâneo fez com que ela fosse aceita pelo cineasta de uma forma mais suave.

    Glauber Rocha levou seu Cinema Novo a Cannes em 1964, quando Deus e o Diabo na Terra do Sol foi exibido às platéias francesas. O filme marcou tanto o evento, que 40 anos depois, teve sessão especial no mesmo festival, assim como outro clássico do cinema brasileiro, Vidas Secas, de Nelson Pereira dos Santos. O longa também esteve em competição pela Palma de Ouro em 1964 e ganhou um prêmio especial concedido pelo júri, presidido naquele ano pelo cineasta alemão Fritz Lang. Ganga Zumba, de Carlos Diegues, foi exibido paralelamente no evento.

    Noite Vazia, de Walter Hugo Khouri, foi o representante brasileiro na competição pela Palma de Ouro em 1965. No ano seguinte, A Hora e a Vez de Augusto Matraga, de Roberto Santos, concorreu ao prêmio. Mas, na década de 60, o ano que teve uma maior delegação brasileira em Cannes foi 1969. No total, foram exibidos 11 longas-metragens produzidos no Brasil. Glauber Rocha levou O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro à Riviera Francesa, trabalho que lhe rendeu o prêmio de Melhor Diretor aquele ano. Barravento, filme dirigido por Rocha em 1962, foi exibido em seleção paralela, fora de competição, ao lado de outros brasileiros, como Brasil Ano 2000, segundo trabalho na direção de Walter Lima Jr. (indicado ao Urso de Ouro de Berlim no mesmo ano); Cara a Cara, de Julio Bressane; Capitu, de Paulo Cezar Saraceni; Jardim de Guerra, de Neville D'Almeida; Viagem ao Fim do Mundo - dirigido por Fernando Campos e baseado em romance de Machado de Assis -; e A Vida Provisória, único longa dirigido pelo cineasta mineiro Maurício Gomes Leite.

    Em 1970, O Palácio dos Anjos, de Walter Hugo Khouri, foi selecionado para competir pela Palma de Ouro ao lado de O Alienista, de Nelson Pereira dos Santos. Além disso, país também teve presença marcante no festival na seleção paralela. Matou a Família e Foi ao Cinema, de Júlio Bressane, foi visto pelos franceses naquele ano, assim como Manhã Cinzenta, curta-metragem de Olney São Paulo, Os Herdeiros, de Carlos Diegues, e o clássico Macunaíma, de Joaquim Pedro de Andrade, que, em 2004, foi exibido novamente dentro da seção Cannes Classics.

    Arnaldo Jabor foi a Cannes em 1971 para exibir Pindorama, seu primeiro longa-metragem em drama, exibido entre os filmes em competição. Naquele mesmo ano, Antonio Calmon - hoje mais atuante nas novelas - teve seu Moi, Schizo exibido em mostra paralela. Bressane voltou ao evento francês no mesmo ano para exibir Um Ano Nasceu, seu filme de 1969 que foi selecionado para ser exibido paralelo aos longas em competição. Viva Cariri, de Geraldo Sarno, também foi selecionado em 1971, assim como Bang Bang, de Andréa Tonacci, Como Era Gostoso o Meu Francês, de Nelson Pereira dos Santos, e O Deus e os Mortos, de Ruy Guerra.

    S. Bernardo, de Leon Hirszman, foi exibido em mostra paralela em 1972, tendo sido o único brasileiro selecionado a Cannes naquele ano. Já em 1973, o Brasil foi representado no festival francês por dois longas, exibidos fora de competição: Toda Nudez Será Castigada, de Arnaldo Jabor, e Quem é Beta?, de Nelson Pereira dos Santos. A Noite do Espantalho (de Sergio Ricardo), A Rainha Diaba, de Antonio Carlos Fontoura, e Vai Trabalhar, Vagabundo!, de Hurgo Carvana, foram exibidos no ano seguinte, também fora de competição. Somente em 1975 que o Brasil voltou a figurar entre os longas exibidos em competição em Cannes com O Amuleto de Ogum. Manosolfa, de Sandra Coelho de Souza, também representou o Brasil esse ano, mas em mostra paralela, assim como Guerra Conjugal, de Joaquim Pedro de Andrade. Em 1976, foram exibidos O Casamento, de Arnaldo Jabor, e Iracema, produção entre Brasil e Alemanha dirigida por Jorge Bodansky e Orlando Senna (nenhum em competição).

    O documentário em curta-metragem Di Cavalcanti, de Glauber Rocha, foi exibido em Cannes em 1977 e recebeu do júri o prêmio de Melhor Curta daquele ano. O longa Prata Palomares, de André Faria, também foi exibido em Cannes em 1977, mas fora de competição. O ano de 1978 marcou a criação da mostra Um Certain Regard ("Um Certo Olhar"), destinada para a exibição dos trabalhos de novos cineastas, produzidos ao redor do mundo, o que significou uma nova janela em Cannes também aos trabalhos brasileiros. O filme que inaugurou a participação brasileira nesta mostra foi Coronel Delmiro Gouveia, de Geraldo Sarno, em 1978. No mesmo ano, Chuvas de Verão, dirigido por Carlos Diegues, foi exibido em Cannes, em mostra paralela. No ano seguinte, Joaquim Pedro de Andrade voltou à Riviera Francesa para mostrar, fora de competição pela Palma de Ouro, Vereda Tropical. No mesmo ano, Crônica de um Industrial, de Luiz Rosemberg, também foi exibido.

    Nos anos 80, a participação de longas brasileiros no prestigiado festival francês foi menos maciça se comparada com as décadas anteriores. Bye Bye Brasil, de Carlos Diegues, foi exibido em competição em 1980, mas não levou prêmios. Em 2004, foi exibido novamente no programa especial do festival, Cannes Classics, que nesse ano, exibiu os destaques brasileiros ao longo da história do evento. Também em 1980, Tizuka Yamazaki levou a Cannes Gaijin - Caminhos da Liberdade, mas fora de competição também.

    Dentro da mostra Um Certain Regard, Eu Te Amo, de Arnaldo Jabor, foi exibido em 1981. Ato de Violência, de Eduardo Escorel, também foi exibido paralelamente no evento no mesmo ano, assim como Memórias do Medo, de Alberto Graça. Na mesma mostra Um Certain Regard, em 1982, foi apresentado Das Tripas Coração, de Ana Carolina. No mesmo ano, pela primeira e única vez, o cineasta Fábio Barreto teve um trabalho seu selecionado para ser exibido no festival francês, com o longa Índia, A Filha do Sol. A boa notícia desse ano é que Meow, de Marcos Magalhães, ficou marcado como o primeiro trabalho em animação brasileiro a ser selecionado ao evento. Além de ter ganhado o prêmio do júri naquele ano, Meow ainda concorreu à Palma de Ouro dos curtas-metragens.

    Quilombo, de Carlos Diegues, foi indicado à Palma de Ouro em 1984. No mesmo ano, Nunca Fomos Tão Felizes, de Murilo Salles, foi o primeiro trabalho do diretor a ser exibido em Cannes. Memórias do Cárcere, de Nelson Pereira dos Santos, também foi exibido em 1984, em seleção paralela. No ano seguinte, foi a vez de A Marvada Carne, dirigido por André Klotzel, representar o Brasil no evento francês.

    O Beijo da Mulher Aranha, de Hector Babenco, foi exibido em competição no Festival de Cannes de 1985 e William Hurt ganhou o prêmio de Melhor Ator aquele ano. No ano seguinte, Ópera do Malandro, de Ruy Guerra, foi exibido paralelamente em Cannes. Em 1987, Um Trem Para as Estrelas, de Calos Diegues, concorreu à Palma de Ouro e, em 1988, o Brasil marcou presença no evento francês por meio das exibições de O Romance da Empregada, de Bruno Barreto, Natal da Portela, produção franco-brasileira dirigida por Paulo Cezar Saraceni, e Citado Jatobá, de Maria Luisa Aboim. Em 1989, Kuarup, de Ruy Guerra, foi indicado à Palma de Ouro em 1989, mas não levou.

    A década de 90 foi praticamente nula para o cinema brasileiro após a extinção da Embrafilmes. Tanto que, na história de Cannes, somente Coração Iluminado - produção entre Brasil, França e Argentina -, de Hector Babenco, concorreu à Palma de Ouro em nome do nosso país.

    Nos anos 2000, com a retomada da produção cinematográfica brasileira, as delegações tupiniquins em Cannes passaram a ganhar corpo novamente. Estorvo, de Ruy Guerra, concorreu à Palma de Ouro. No mesmo ano, Eu Tu Eles, de Andrucha Waddington, foi exibido na mostra Um Certain Regard, assim como, nos anos seguintes, Madame Satã (2002), Cidade Baixa (2005), Cinema, Aspirinas e Urubus (2005), O Banheiro do Papa (2007). Em competição, o Brasil também emplacou os longas Carandiru (2003), Diários de Motocicleta (2004), mas nenhum tirou de O Pagador de Promessas o posto de único filme a trazer ao país a Palma de Ouro. Pelo menos até 2008. Pode ser que Fernando Meirelles e Walter Salles voltem de Cannes com o prêmio, já que seus filmes, Ensaio Sobre a Cegueira e Linha de Passe, respectivamente, recebam a honraria. Meirelles já tem um marco: é o primeiro diretor brasileiro a abrir as atividades em Cannes. Vale lembrar que seu Cidade de Deus foi exibido fora de competição na seleção de 2002.

    Este ano, brasileiros também dão o ar da graça nas mostras paralelas em Cannes. A Festa da Menina Morta, estréia do ator Matheus Nachtergaele na direção de um longa, será exibido ao público pela primeira vez, dentro da mostra Un Certain Regard (Um Certo Olhar). O Som e o Resto, de Andre Lavaquial, está na mostra Cinefondation e é outro representante brasileiro este ano. O Mistério do Samba, documentário de Carolina Jabor e Lula Buarque de Hollanda, irá encerrar a Mostra Cinema de la Plage.

    A partir dos anos 2000, nota-se também um crescimento da presença brasileira entre os curtas exibidos no festival. Três Minutos, de Ana Luiza Azevedo, concorreu à Palma de Ouro junto aos outros trabalhos selecionados nesta metragem em 2000. Outros curta-metragistas também tiveram mais chance de aparecer a partir desta década, mostrando que a retomada da produção brasileira também foi forte entre cineastas que trabalham com esta metragem. A Janela Aberta, de Philippe Barcinski, concorreu à Palma de Ouro em 2003. No ano seguinte, De Janela Pro Cinema, de Quiá Rodrigues, teve sessões dentro do Cinéfondation, criado em 1998 para a exibição de uma seleção de curtas e médias-metragens realizados por estudantes de cinema ao redor do mundo. Justiça Ao Insulto, de Bruno Jorge, também foi exibido nessa seleção especial em 2006. No ano anterior, O lençol Branco, de Marco Dutra e Juliana Rojas, esteve nessa mostra, assim como Um Sol Alaranjado, de Eduardo Valente (2002), e Saba, de Thereza Menezes e Gregorio Graziosi (2007). O mesmo Valente voltou a Cannes em 2006 para competir à Palma de Ouro com o curta O Monstro.