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    Conheça os brasileiros que já passaram pelo Festival de Berlim

    Por Da Redação
    11/02/2008

    Esta segunda-feira (11/2) foi marcada pela exibição de Tropa de Elite no prestigiado Festival de Berlim, que ocorre na cidade alemã desde a última quinta-feira (7) até o dia 17 de fevereiro. O filme dirigido por José Padilha (Ônibus 174) foi o brasileiro mais visto nos cinemas daqui e tem sua primeira exibição internacional no evento alemão. Tropa de Elite é um dos concorrentes ao Urso de Ouro, principal prêmio do festival, concedido ao Melhor Filme em competição.

    Evidentemente, esta não é a primeira vez que um filme brasileiro entra em competição no tradicional festival alemão, que se encontra em sua 58ª edição. Sinhá Moça, do diretor argentino radicado no Brasil Tom Payne, foi o primeiro trabalho brasileiro a ser selecionado para competir em Berlim. Isso em 1954. Payne ainda trouxe para o Brasil um prêmio especial do júri.

    Demorou dez anos para que um trabalho brasileiro competisse novamente no evento alemão depois de Sinhá Moça. Ruy Guerra representou seu filme Os Fuzis no festival de 1964, ganhando o Urso de Prata pelo trabalho de direção no drama, que ainda concorreu ao Urso de Ouro, o principal prêmio do evento. Brasil Ano 2000, de Walter Lima Jr., concorreu na edição de 1969, enquanto que Arnaldo Jabor levou seu Toda Nudez Será Castigada ao Festival de Berlim em 1973; na ocasião, o drama venceu o Urso de Ouro, dado ao Melhor Filme em competição, e concorreu ao Urso de Prata por Melhor Direção.

    Em 1978, Ruy Guerra voltou ao evento alemão ao lado de Nelson Xavier; ambos venceram o Urso de Prata ao assinarem juntos a direção de A Queda, além de terem sido indicados na categoria principal. Glauber Rocha, um dos precursores do movimento conhecido como Cinema Novo, esteve no evento em 1982 com seu longa A Idade da Terra, exibido na seção Forum, voltada para a discussão do que há de mais vanguardista na produção cinematográfica.

    Em 1982, Regina Jeha levou pela primeira vez um curta-metragem ao Festival de Berlim. Curumins e Cunhantas (1979) concorreu entre produções da mesma metragem. Em 1983, o curta-metragem documental em animação Animando, de Marcos Magalhães, esteve no evento em competição.

    O Ano do Brasil em Berlim - A mostra Panorama foi criada no início dos anos 80 para exibir filmes menos populares, digamos, como produções internacionais de "filmes de arte". Para o Brasil, a criação da seção reverteu num espaço garantido para a exibição de produções feitas por aqui. Desta forma, é possível observar um crescimento considerável dos trabalhos brasileiros na programação do festival a partir da criação desta mostra.

    O ano de 1983 marca uma participação maciça de produções brasileiras no Festival de Berlim. A mostra Panorama foi composta por muitos trabalhos feitos por aqui, como o documentário A Caminho das Índias (1979). Dirigido por Augusto Sevá e Isa Castro, foi o primeiro representante brasileiro do gênero a figurar no festival alemão. Na mesma edição, também foram exibidos em Berlim os longas-metragens de ficção Ao Sul do Meu Corpo (1981), de Paulo Cezar Saraceni; Bar Esperança (1982), de Hugo Carvana; Dora Doralina (1982), de Perry Salles; Egungun (1982), de Carlos Brajsblat; Luz Del Fuego (1982), de David Neves; Maldita Coincidência (1982), de Sérgio Bianchi; O Sonho Não Acabou (1982), de Sergio Rezende; e O Homem do Pau Brasil, de Joaquim Pedro de Andrade (1982).

    Não bastando os nove trabalhos tupiniquins na mostra Panorama, ainda tivemos um representante entre as obras em competição pelo Urso de Ouro naquele ano: Pra Frente Brasil (1982), de Roberto Farias, que não ganhou o prêmio principal do evento, mas voltou para casa com duas estatuetas especiais na mala. Ainda em 1983, na seção Fórum, foi exibido o documentário Linha de Montagem, assinado por Renato Tapajós.

    A partir de 1978, a organização passou a prestar atenção também na formação do olhar dos pequenos espectadores por meio da mostra Generation. Os júris são separados em duas categorias, Kplus (nove a 13 anos) e 14plus (mais de 14 anos), e os filmes são exibidos de acordo com as faixas etárias aos quais podem agradar.

    A primeira produção brasileira a ser exibida nessa mostra especial foi a animação As Aventuras da Turma da Mônica. Os clássicos personagens criados por Maurício de Souza concorreram ao Urso de Cristal em 1983, o ano que marca a maior comitiva brasileira que Berlim já recebeu.

    No ano seguinte, em 1984, a organização não programou produções brasileiras dentro de Panorama, mas o curta Acorde Major, de José Inácio Parente, entrou em competição no evento junto às obras nesta metragem. O Bom Burguês, de Oswaldo Caldeira, teve exibição especial no festival, enquanto que O Rei da Vela (1982) e Terceiro Milênio, de Wolf Gauer e Jorge Bodanzky, foram debatidos no Fórum do evento.

    Os temas sociais abordados nas obras brasileiras na década, com suas questões relacionadas à economia e sociedade do Terceiro Mundo, passaram a marcar presença também na seção Fórum do Festival de Berlim. Em 1985, nada menos do que nove produções brasileiras foram exibidas dentro dessa mostra: A Próxima Vítima, de João Batista Andrade; Bar Esperança, de Hugo Carvana; Cabaré Mineiro, de Carlos Alberto Prates Correia; Exu-Piá, Coração de Macunaíma, de Paulo Veríssimo; Cabra Marcado Pra Morrer, dirigido por Eduardo Coutinho; Memórias do Cárcere, de Nelson Pereira dos Santos; Noites do Sertão, de Carlos Alberto Prates Correia; O Baiano Fantasma, de Denoy de Oliveira; e O Mágico e o Delegado, de Fernando Coni Campos. Nesse mesmo ano, a mostra Panorama, que abrigou obras nacionais nos anos anteriores, exibiu O Som ou Tratado de Harmonia, de Arthur Omar, e Noite, de Gilberto Loureiro. Em competição, fomos representados por Nuno Cesar Abreu e seu curta-metragem O Incrível Senhor Blois.

    Suzana Amaral, estreando na direção de um longa-metragem, marcou presença no Festival de Berlim de 1986 com A Hora da Estrela, baseado em livro homônimo escrito por Clarice Lispector. Além de Marcelia Cartaxo ter ganhado o Urso de Prata de Melhor Atriz (o primeiro vencido por uma brasileira), o longa ainda recebeu dois prêmios especiais, O OCIC e o C.I.C.A.E.. O curta Nifrapo, de Ricardo Bravo, também foi exibido em competição no mesmo ano. Além disso, Nem Tudo é Verdade, de Rogério Sganzerla, entrou para a programação do Fórum em 1986.

    A Cor do seu Destino, vencedor de cinco troféus Candangos no Festival de Brasília de 1986, foi selecionado no ano seguinte para a mostra Panorama do Festival de Berlim. Também em 1987, Um Filme 100% Brasileiro fez parte da programação do Fórum. Vera, de Sergio Toledo, deu a Ana Beatriz Nogueira o Urso de Prata de Melhor Atriz. O documentário em curta-metragem Couro de Gato, dirigido em 1961 por Joaquim Pedro de Andrade, fez parte do programa Fórum em 1989, acompanhado de Os Inconfidentes, do mesmo diretor.

    Em 1990, não um, mas três trabalhos brasileiros competiram por prêmios no Festival de Berlim. A comédia em curta-metragem O Brinco, de Flavia Moraes, foi um deles, assim como o também curta Ilha das Flores. O documentário de Jorge Furtado virou um clássico do gênero e ainda levou o Berlim de Ouro de curtas-metragens. Dentre os longas, Cacá Diegues levou seu drama Dias Melhores Virão ao evento alemão. O Cangaceiro (1952), de Lima Barreto, Pixote - A Lei do Mais Fraco (1979), de Hector Babenco, e Romance (1987), de Sergio Bianchi (exibido novamente em retrospectiva no ano de 2000), também foram exibidos no evento em 1990, mas em retrospectiva. Finalizando a participação brasileira neste ano, temos São Bernardo, de Leon Hirzman, selecionado para o Fórum.

    Somente em 1994, o Brasil voltou a competir novamente no famoso evento alemão com A Terceira Margem do Rio, de Nelson Pereira dos Santos. No ano seguinte, a organização do Berlinale - como é conhecido o Festival de Berlim - selecionou A Causa Secreta, de Sergio Bianchi para a seção Panorama. No Fórum, o clássico Ganga Bruta, de Humberto Mauro, e , de José Medina, foram exibidos ao público alemão.

    Com o fim da Embrafilme - empresa estatal produtora e distribuidora de obras cinematográficas brasileiras - nos anos 90, a produção cinematografia fica escassa no Brasil, o que se reflete na participação de obras brasileiras em eventos como o Festival de Berlim. Carlota Joaquina, Princesa do Brazil, de Carla Camurati, é o marco definitivo desta retomada do cinema brasileiro que acompanhamos desde seu lançamento, em 1995. Dois anos depois, ele também marca a volta de produções nacionais no Festival de Berlim ao ser selecionado à mostra Fórum. Inclusive, é em 1997 que os brasileiros voltam de vez ao evento, que exibiu na mesma seção Como Nascem os Anjos, de Murilo Salles, Doces Poderes, de Lucia Murat, O Cego Que Gritava Luz, de João Batista de Andrade, O Sertão das Memórias, de José Araújo, Um Céu de Estrelas, de Tata Amaral, e Yndio do Brasil, de Sylvio Back. Em competição, O Que É Isso, Companheiro?, filme de Bruno Barreto que foi indicado ao Oscar de Filme Estrangeiro no ano seguinte. Nem parece que fazem mais de dez anos, não é mesmo?

    O ano de 1998 foi o de Central do Brasil, cuja trajetória bem-sucedida internacionalmente teve início no festival alemão. O longa de Walter Salles foi premiado com o Urso de Ouro (Melhor Filme), Urso de Prata (Melhor Atriz - Fernanda Montenegro, no caso) e ainda venceu o prêmio do Júri ecumênico. No mesmo ano, Guerra de Canudos, de Sergio Rezende, e O Pulso, de José Pedro Goulart, foram selecionados para a seção Panorama.

    Apesar de ter tido muitos títulos selecionados nos anos seguintes, foi somente em 2003, com o curta-metragem Plano Seqüência, de Patrícia Moran, que o Brasil figurou novamente entre as obras em competição em Berlim. O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias foi o último longa brasileiro a entrar em competição antes de Tropa de Elite, em 2007.

    O Importante é Ser Exibido - Mas, fora de competição, trabalhos brasileiros também fazem parte da programação do evento em 2008, em sua 58ª edição. Na mostra Eat, Drink, See Movies (com produções que focam a culinária), foi selecionado Estômago, de Marcos Jorge, cuja primeira sessão ocorre na quinta-feira (14/2). Ainda inédito no circuito comercial, o longa protagonizado por João Miguel (O Céu de Suely) foi exibido com sucesso no Festival de Rio de Mostra Internacional de Cinema de São Paulo no último ano. "Ter chegado num festival de tal prestígio com meu primeiro longa de ficção me deixa orgulhoso e seguro de meu trabalho", comenta o diretor. "Participar do festival pode alavancar meu próximo projeto, Dois Seqüestros, que está em fase de captação", acredita. Na mesma mostra, também será exibido o média-metragem Mr. Bené Goes To Italy, de Manuel Lampreia Carvalho. O curta Dreznica, dirigido por Anna Azevedo, também faz parte da programação do festival dentro da seção que abrange produções nesta metragem.

    Dentro da mostra Panorama, o representante brasileiro é Maré, Nossa Historia de Amor, de Lucia Murat. Livremente inspirada na peça Romeu e Julieta, de William Shakespeare, a trama é focada no amor proibido de dois jovens que vivem numa favela carioca. Mutum, de Sandra Kogut, foi incluído na mostra Generation Kplus, que será exibido para crianças com mais de 9 anos e avaliadas por elas. Cidade dos Homens - O Filme está na mostra Generation 14plus com um júri formado por adolescentes, que escolhem o ganhador do troféu Urso de Cristal. O curta-metragem Café com Leite, de Daniel Ribeiro, compete na seção Generation 14plus Short, somente com trabalhos nesta metragem. Dentro do Panorama Supporting Film, temos o curta , de Felipe Sholl.

    Os vencedores do 58º Festival de Berlim serão anunciados no último dia do evento, 17 de fevereiro.