Corpo Fechado, Fragmentado e Vidro: qual é o melhor da trilogia?

M. Night Shyamalan se consagrou com a franquia de seres superpoderosos

22/10/2020 12h25

Por Alexandre Dias

M. Night Shyamalan coleciona alguns pontos altos na carreira, como O Sexto Sentido e A Visita, mas nada se compara ao sucesso do seu recém-finalizado universo compartilhado: Corpo Fechado, Fragmentado e Vidro

A trilogia começou com o primeiro destes em 2000 e surpreendeu a todos quando se mostrou, de fato, uma franquia com o segundo, 16 anos depois. Por fim, 2019 foi o ano de conclusão da saga e a culminação da consagração do "diretor dos plot twists". 

Apesar da ligação entre os três, cada um tem a sua particularidade e cativa por algum aspecto único. Dessa forma, resolvemos fazer o nosso ranking do universo de Shyamalan, confira: 

3 - Vidro

 

O mais grandioso dos três longas por ser a trama final e marcar o encontro dos três personagens principais da franquia: David Dunn (Bruce Willis), o homem de 24 personalidades (James McAvoy) e Elijah Price (Samuel L. Jackson). A premissa aprisiona eles em uma instituição psiquiátrica que deseja tratar a "condição" de pessoas que acham que possuem superpoderes. 

A dinâmica deles é sensacional, com destaque para Elijah e as identidades de McAvoy, pois Price revela os seus objetivos de forma cadenciada, para realmente surpreender o espectador quando exprimidos. O confronto entre a Besta e Dunn também entrega boas cenas de ação, afinal, são dois indivíduos com superforça dentro do tom realista de Shyamalan. 

O que o deixa atrás dos antecessores é o fato dos seus méritos não trazerem algo novo; são características subaproveitadas de Corpo Fechado e Fragmentado. Geram bons momentos? Sem dúvida, contudo puderam ser vistos nos outros longas anos antes. 

 

2 - Fragmentado

 

O ponto de partida guia totalmente a qualidade do filme, especialmente com um ótimo ator como James McAvoy: 24 personaldades em um ser-humano. O espectador fica ávido por saber quem ele é de verdade, especialmente em meio à tensão da situação que guia a trama, em que o personagem sequestra três jovens. 

Inclusive, a relação dele com Casey (Anya Taylor-Joy) é espetacular, tornando o fim do longa digno da sua construção. Lá, a Besta poupa a vida da adolescente, por perceber que ela sofreu como ele, portanto era uma pessoa forte. 

As próprias ações de Casey com as outras duas jovens em cárcere são bem realizadas, porque desenvolvem a sua personalidade - logo, o seu passado - e promovem o medo dos vários seres de McAvoy; até hoje a performance dele é icônica, aterrorizando com o jeito polido de Patricia, a inocência de Hedwig e a frieza de Dennis. 

A finalidade de Fragmentado é ser um bom suspense de confinamento e tirar o máximo de McAvoy. Porém, não é de se impressionar que Dunn aparecer como um easter egg na cena final tenha deixado os fãs de Shyamalan em êxtase, sendo o próximo tópico ranking o longa que pode ser definido como obra-prima. 

 

1 - Corpo Fechado

 

Atualmente, produções como The Boys procuram desconstruir a estrutura heroica clássica, o que faz sentido pelo motivo de há aproximadamente dez anos os filmes e séries desse subgênero terem aumentado exponencialmente. Shyamalan fez isso quando a indústria cinematográfica dos super-heróis ainda não estava consolidada. 

O cineasta passou a mensagem que queria com maestria: homenagear os quadrinhos em uma história palpável ao público. David surge como o único sobrevivente de um acidente de trem e ao se encontrar com Elijah percebe a possibilidade de ter habilidades sobre-humanas. 

O modo como Dunn descobre os seus poderes é genial por ser muito próximo de como uma pessoa normal provavelmente o faria: os seus traumas do passado afetam a sua memória, os problemas gerados na família e até a sua condição em si - o ponto fraco, por exemplo, é a água porque ele se afogou quando criança, um medo relativamente comum na sociedade. 

A dupla Willis e Jackson é um show à parte. Eles já haviam atuado juntos em Duro De Matar: A Vingança e é chover no molhado ressaltar o talanto deles. A questão é que para realçar o carisma deles, Shyamalan criou um dos plot twists mais sensacionais da sua carreira ao transformar Elijah no Sr. Vidro. É a cereja do bolo de uma adaptação de quadrinhos que não veio dos quadrinhos, e mesmo assim junta o melhor dessa mídia com o cinema. 

 

Nesta matéria você leu sobre: O Sexto Sentido, A Visita, Corpo Fechado, Fragmentado, Vidro.

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