cineclick-logo
    botão de fechar menu do cineclick
  • FILMES
  • NOTÍCIAS
  • CRÍTICAS
  • LISTAS
  • GAMES
  • © 2010-2021 cineclick.com.br - Todos os direitos reservados

    'Cowboy Bebop' da Netflix não captura essência do anime, mas diverte

    Live-action tem bom elenco e cenas de ação animadas, mas escorrega nos lugares comuns
    Por Daniel Reininger
    19/11/2021 - Atualizado há 17 dias

    A Netflix não está de brincadeira quando o assunto é adaptar grandes títulos da cultura pop, é o caso de Cowboy Bebop, versão com atores da aclamada animação japonesa, que chega à Netflix para alegria e desespero dos fãs de longa data.

    O elenco que conta com John Cho (Buscando...), Mustafa Shakir (Luke Cage) e Daniella Pineda (Jurassic World: Reino ameaçado) vai contar a história de um grupo caçadores de recompensa a bordo de uma nave espacial chamada Bebop no ano 2071.

    Esse live-action tem uma equipe divertida o suficiente para passar o tempo, mas deixa de fora o lado pesado do material original e opta pelo brega e melodrama exagerado.

    Anime

    O anime Cowboy Bebop é bastante popular nos EUA desde que se tornou o primeiro anime a ser retransmitido no país pelo Adult Swim. Premiado e aclamado, foi dirigido por Shinichiro Watanabe, escrito por Keiko Nobumoto, produzido pela Sunrise e lançado em 1998.

    A série animada conta com 26 episódios e gira em torno das violentas aventuras de um grupo de caçadores de recompensas fugindo de seus passados.

    As influências de Cowboy Bebop são muitas, mas a maior parte delas vem da cultura americana. Desde o cinema, com filmes de faroeste e de gângster, até os movimentos dos jazz da década de 1940 de 50, conhecida como Bebop.

    Cena da série Cowboy Bebop, da NetflixReprodução

    Série

    Cowboy Bebop da Netflix segue o anime é um faroeste futurista cheio de ação sobre três caçadores de recompensas peculiares.

    O trio é formado por Spike Spiegel (John Cho), Jet Black (Mustafa Shakir) e Faye Valentine (Daniella Pineda). Eles percorrem a galáxia atrás dos criminosos mais perigosos do universo, contanto que sejam bem pagos por isso! 

    Opinião

    A produção da Netflix tem bom elenco e cenas de ação animadas, mas escorrega nos lugares comuns. Ela poderia ser mais uma péssima adaptação norte-americana de conteúdos japoneses, mas surpreendentemente a série funciona e realmente parece que a produtora faz tudo o que pode para trazer os detalhes do anime à vida, sem vergonha.

    A beleza do Cowboy Bebop original é que nunca se trata de uma coisa só. Ele mistura ficção científica, kung-fu, clima noir, thrillers de crime e muito mais. De certa forma, a adaptação da Netflix tenta manter essa filosofia de vale tudo, o que funciona por um tempo, até percebermos que a profundidade do anime ficou totalmente de lado.

    Mesmo assim, há algo mágico em ver o mundo Bebop trazido à vida. Este não é o espaço elegante de Star Trek, mas sim um lugar sujo e decadente. A equipe do design de produção capturou essa atmosfera muito bem, na maioria do tempo.

    Embora muitas vezes os cenários sejam inspirados, alguns são ridiculamente mal feitos. Um episódio, por exemplo, mostra Jet visitando sua ex-esposa e filha, mas a cena se passa em uma área suburbana padrão dos EUA e não parece Cowboy Bebop. É algo que fica deslocado e parece uma produção de baixo orçamento. E isso acontece mais do que você imagina.

    Esse paradoxo entre carinho e qualidade baixa se estende ao trio principal de protagonistas. Há momentos em que Spike (John Cho), Jet (Mustafa Shakir) e Faye (Daniella Pineda) são extremamente caricatos, enquanto em outros eles mesmo salvam o programa com a forma natural como abraçam as personalidades de seus personagens. Os três, em geral, mandam bem, embora Pineda deveria ter recebido mais tempo de tela.

    Cena de Cowboy Bebop, da NetflixReprodução

    Em termos de história, a adaptação parece mais "melhores momentos" da série original, mas com pequenas mudanças. Você verá enredos e pontos de história familiares, mas eles foram misturados e combinados de formas bem diferentes das que conhecemos.

    Os personagens principais ainda são basicamente os mesmos: Spike ainda é um ex-membro do Sindicato que deixou sua vida de crime para se tornar um caçador de recompensas, Jet é um ex-policial e Faye perdeu suas memórias depois de acordar da criogenia, então isso é bom.

    O problema é que o programa se perde mesmo quando tenta aprofundar a história de Spike, seu rival Vicious e a ex-amante Julia. Esse arco da história simplesmente não funciona, principalmente por estar deslocado da trama principal, mas também pela péssima atuação de Alex Hassell como o vilão.

    Enquanto isso, os melhores episódios de Cowboy Bebop da Netflix têm os mesmos ingredientes responsáveis por fazer o anime original ser tão amado: quando coloca a tripulação da Bebop em uma aventura em busca de seu próximo alvo.

    Mérito para a Netflix que não elimina elementos do anime que poderiam parecer exagerados. Em vez disso, ele abraça de todo o coração seu material de origem, apesar da tentativa de adicionar algo novo atrapalhar o projeto.

    O curioso é que mesmo a série mais funciona mais do que falha. Felizmente, um trio principal estelar e uma devoção ao espírito do original fazem com que valha a pena acompanhá-los neste passeio embalado por muito Jazz.

    É uma série que nos deixa com emoções conflitantes, porque é divertida, mas também está repleta de falhas e lugares comuns.

    Assista

    A série da Netflix tem a consultoria do diretor da série animada original, Watanabe Shin'ichirō, além de trilha escrita pela compositora do anime, Kanno Yoko. 

    Alex Garcia Lopez (Demolidor) dirigiu os dois primeiros episódios de Cowboy Bebop, que tem 10 capítulos em sua primeira temporada.

    A série já está disponível Netflix e vale pela diversão, mas não tente compará-la com a obra clássica para não se decepcionar. Apenas dê play, curta a viagem visual e sonora e aproveite para relaxar. 

    Veja o trailer:

    Veja mais