A Maldição da Mansão Bly aprofunda personagens, mas assusta menos

Criado e dirigido por Mike Flanagan (Doutor Sono), a série é baseada no romance de terror gótico de 1898 chamado A volta do parafuso

05/10/2020 17h35 (Atualizado em 15/10/2020 18h36)

Por Daniel Reininger

"Se uma criança aumenta a emoção da história, que diriam os senhores de duas crianças?". E com essa frase começa A Maldição da Mansão Bly, sequência do sucesso A Residência Hill. Repleto de tensão em um terror gótico clássico, com um toque de modernidade, a obra traz personagens melodramáticos, segredos do passado e maldições em uma trama muito bem construída.

Criado e dirigido por Mike Flanagan (Doutor Sono), a série é baseada no romance de terror gótico de 1898 chamado A volta do parafuso, do autor Henry. Boa parte da equipe criativa e do elenco de A Residência Hill retornam para a Mansão Bly, mas as narrativas das duas não são conectadas.

A trama se passa em 1987 e conta a história de um Dani (Victoria Pedretti), uma jovem contratada para ser a responsável por duas crianças depois da morte de seus pais. Eles são sobrinhos do lorde inglês Henry Wingrave (Henry Thomas), que não tem interesse em criá-los, preferindo deixá-los a cargo da jovem. Henry vive em Londres, enquanto Miles e a irmã Flora vivem na casa de campo em Essex, aos cuidados da governanta Mrs. Hanna Grose (T'Nia Miller), na mansão Bly.

Dani chega à casa seis meses após a morte de Rebecca Jessel (Tahirah Sharif), que supostamente se matou após cuidar das crianças por um tempo. O tio permite à babá ter total controle sobre o cuidado e a educação dos dois e deixa ordens explícitas para não ser incomodado sob nenhuma circunstância. Mais um sinal de esquisitice na dinâmica dessa família.

Desde o início, as crianças tem comportamentos estranhos, mas a insistência de Flora de que ninguém deve andar pela casa durante a noite dá o tom de suspense. Já a própria jovem protagonista, Dani, tem seus próprios fantasmas para lidar desde o início da história.

Tudo isso garante uma trama tensa e uma atmosfera de terror, com muito mistérios a serem revelados. Entretanto, diferentemente da Residência Hill, essa história não foca no terror explícito e sim na construção de uma narrativa aprofundada, com elementos sobrenaturais que se desenrolam lentamente, o que pode decepcionar os fãs do horror focado em susto após susto. A esquisitice de cada personagem cria dúvidas sobre tudo que acontece ali, mas não espere situações inovadoras.

Tanto a casa, quanto os personagens, são desenvolvidos lentamente de forma fascinante ao longo dos nove episódios. Ocorrem estranhos acontecimentos sobrenaturais, mas Bly possui menos fantasmas assustadores do que sua predecessora. Há uma mulher sem rosto no lago, mas não há realmente nada tão assustador quanto a Moça do Pescoço Torto. A falta de criatividade nos sustos chega a ser decepcionante, afinal, A Residência Hill estabeleceu um padrão elevado com momentos extremamente impactantes.

Embora essa história seja completamente separada, Flanagan emprega com sucesso algumas de suas melhores técnicas de narrativa usadas na primeira temporada, como pular no tempo para oferecer mais contexto e profundidade a cada personagem. Tudo é cuidadosamente elaborado de tal forma que, no final da série, é possível ter uma noção das motivações de cada personagem.

É estranho dizer isso, mas essa é, na verdade, uma história de amor. Além das estranhezas sobrenaturais, a trama está mais preocupada em explorar as complexas relações dos personagens e encontrar elementos perturbadores dentro deles e do local onde vivem. São nessas dinâmicas, como a amizade entre Hannah e o chef Owen (Rahul Kohli), que o programa tem alguns de seus momentos mais intrigantes.

A Maldição da Mansão Bly sente a falta do terror causado por seu predecessor e, por vezes, é um pouco previsível pela forma como apresenta sua narrativa. No entanto, ainda é capaz de criar um novo capítulo memorável. Repleto de boas atuações, a série foca muito bem nos personagens e suas histórias, sem perder de vista o que faz os contos de horror góticos serem tão cativantes.

Confira o trailer:

 

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