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    Como a série O Expresso do Amanhã me ajudou a superar as dificuldades da pandemia

    Snowpiercer é a adaptação da HQ francesa que deu origem à série de sucesso do streaming
    Por Daniel Reininger
    23/03/2021 - Atualizado há cerca de 1 mês

    Se você é como eu, sabe que é impossível não ser afetado (ainda mais) pela fase que vivemos da pandemia. Mortes recorde, caos na saúde, medo. Quando as coisas começaram a piorar de novo, meu psicológico, já abatido por um ano de pandemia, isolamento, indignação social/política e ansiedade, começou a me levar para lugares sombrios. Eu precisava de catarse e a encontrei com Expresso do Amanhã.

    Essa é uma das séries imperdíveis do momento e sua segunda temporada consegue ser tão interessante quanto a primeira. O drama pós-apocalíptico disponível na Netflix é a adaptação da premiada Graphic Novel O Perfuraneve, de Jacques Lob e Jean-Marc Rochette, lançada em 1982 na França e pertinente até hoje.

    No trem, toda dignidade é arrancada da população abandonada à própria sorte nos últimos vagões, pessoas ignoradas pelo sistema e punidas por tentarem lutar por algo melhor. Impossível não fazer um paralelo com a vida real, ainda mais agora. Mas essas pessoas não perdem a esperança e procuram lutar contra o sistema que as deixa de lado. Mesmo diante de um mundo terrível, existe esperança. 

    E não é só isso, a série é um entretenimento magnífico, capaz de divertir, gerar reflexão e intrigar. A catarse que a série gerou, obviamente, é algo muito pessoal, mas quem sabe não acontece para você também?

    Snowpiercer

    A história gira em torno de um trem eterno que roda o globo congelado com os últimos sobreviventes da Terra. Tudo acontece após um experimento para impedir o aquecimento global falhar e iniciar uma nova era do gelo. 

    Nessa nova sociedade regida pela ordem, os mais pobres vivem em péssimas condições no final do trem, enquanto a classe rica vive em meio ao luxo e ao prazer, com espaço de sobra.

    Quando você combina essa temática, um sistema de castas com muita tensão social, miséria e um ambiente bizarro, você tem tudo para uma incrível ficção científica. Sem falar que o paralelo com a realidade é forte em muitas camadas, ainda mais se levarmos em conta o momento atual do Brasil.

    Com 1001 vagões e 16km de extensão, Snowpiercer é um caldeirão para uma revolução violenta e claustrofóbica. Com duras críticas à nossa sociedade, a série  trabalha o arco da "rebelião" visto no filme O Expresso Do Amanhã, de Bong Joon-ho, diretor de Parasita.

    Na trama, acompanhamos Andre Layton (Daveed Diggs), ex-detetive de homicídios que invadiu o trem, junto com centenas de pessoas, quando ele estava para partir. Embora tenha subido à bordo com sua esposa, ela foi levada para a frente do trem.

    Layton é escolhido a dedo para resolver um caso de assassinato que a sociedade perfeita da frente do trem não está preparada para lidar, afinal essa "utopia" é incapaz de prever ou resolver algo que saia do controle, principalmente quando mortes acontecem.

    É a ilusão dos ricos e poderosos que acreditam estar a cima de todos. Eles negam a realidade e não percebem que suas atitudes só causam mais danos. O descaso pela vida humana é aterrorizante e está escancarado na série. 

    Assim como muitos não se importam com as quase 3000 mortes diárias por Covid-19 e com a falta de apoio do governo a quem mais precisa, no Expresso do Amanhã 1/3 da população é considerada parasita, sem lugar no trem. Assim, sobrevive como pode. 

    E, apesar dessa situação catastrófica, há esperança.

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    Luta pelo certo

    A série é envolvente e tem uma ambientação bastante inusitada. A ideia de mostrar uma locomotiva que circunda o planeta congelado como a última esperança de sobrevivência é genial. E toda a esquisitice desse mundo é usada para ampliar a intensidade de cada interação entre os personagens, marcados pela desigualdade social. 

    Bastante violento, nada é gratuito e diversas cenas estão lá para reforçar quão difícil é sobreviver em situações extremas. E ainda mais perigoso e complicado buscar por condições dignas, legitimidade e tratamento justo. Só que também existe a recompensa por todo esse esforço.

    Além disso, o programa não evita as cenas chocantes para reforçar seus temas principais, mas não exagera apenas para causar espanto. Os momentos de terror estão lá para impactar e mostrar como a luta pelo certo pode ser árdua.

    No momento que vivemos, saber que existe espaço para lutar pelo certo até na situação mais extrema é um alento. Ainda mais quando vemos a união de pessoas ignoradas pelo sistema às mais poderosas do trem em busca de uma vida melhor para todos.

    Uma visão bem pessoal

    É claro que é só uma série de TV de ficção, mas é impossível negar o efeito positivo que ela teve em mim. Segundo Aristóteles, a catarse é uma espécie de purificação por meio de uma descarga emocional provocada por um trauma. Ou seja, é preciso que o herói trágico passe da "felicidade" para a "infelicidade" para que o espectador possa atingi-la.

    Como eu disse, esse é um aspecto muito pessoal e pode não acontecer com você. Mas as questões sociais da série trazem reflexões, sem falar que os paralelos com a vida real são inúmeros. 

    E não só isso, é uma das melhores séries que assisti no último ano, em termos de qualidade, enredo, diversão e devenvolvimento de personagens.

    Então, fica aqui meu testemunho sobre como Expresso do Amanhã foi importante nessa fase da Pandemia e foi ótimo ver tantos capítulos incríveis e satisfatórios.

    A série é da TNT e no Brasil está disponível na Netflix. Veja o trailer das duas temporadas abaixo:

    Temporada 1

    Temporada 2

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