cineclick-logo
    botão de fechar menu do cineclick
  • FILMES
  • NOTÍCIAS
  • CRÍTICAS
  • LISTAS
  • GAMES
  • © 2010-2021 cineclick.com.br - Todos os direitos reservados

    'O Legado de Júpiter' mirou em The Boys, acertou em Casos de Família

    Série de super-heróis da Netflix já foi cancelada
    Por Daniel Reininger
    07/05/2021 - Atualizado há 4 meses

    O Legado de Júpiter, da Netflix, mirou em The Boys, mas acertou em Casos de Família. Ou, para não ser tão drástico, vamos dizer que é uma versão sonolenta de Os Incríveis. Não é à toa que já foi cancelada!

    É verdade que a obra original de Mark Millar é uma das grandes obras dos quadrinhos, mas a série é tão confusa e enfadonha que foi difícil passar por cada um dos capítulos...e admito que ainda não tive coragem de terminá-la.

    O próprio Miller disse em entrevista ao Cineclick que sua “única ambição com esses livros era criar a maior e melhor história de super-herói de todos os tempos” e isso pode ter acontecido nos quadrinhos, mas a série não é capaz de chegar aos pés da obra original.

    O Legado de Júpiter traz em sua primeira temporada uma história que engloba mais de cem anos e acompanha dezenas de super-heróis. É um projeto ousado e é compreensível que a série não tenha alcançado a diversão fácil garantida por The Boys, que possui um enredo mais direto e relativamente simples.

    Além disso, não vemos por aí muitas histórias de super-heróis com filhos e realmente existe uma dinâmica fascinante de família aí, principalmente pelo fato das crianças sofrerem para superarem as expectativas dos pais. 

    Tanto que O Legado de Júpiter não é sobre combater o crime e sim sobre os filhos que nunca pediram por esses poderes e lutam para trilhar o próprio caminho. Enquanto os pais percebem que o mundo está pior do que nunca e colocam toda a pressão na nova geração para terminar o trabalho que começaram há quase 1 século.

    Embora a premissa seja interessante, a série da Netflix peca em diversos pontos. A montagem é caótica, para dizer o mínimo, então fica confuso o suficiente a ponto de você deixar de se importar com os personagens. Os dramas familiares não passam de clichês e não sentimos ver uma história realmente única de heróis. 

    Se o assunto mostrado aqui fosse a crise familiar de um mafioso ou de um CEO é bem possível que veríamos mais nuances do que as mostradas na primeira temporada de O Legado de Júpiter.

    Sem falar que as atuações são razoáveis no máximo. Muitas vezes elas extrapolam o nível suportável de caricaturas dos personagens e fica difícil de ver. Destaque negativo para o próprio Utopian, interpretado pelo sempre mediano Josh Duhamel, famoso por Transformers ‑ O Filme. Era de se esperar um ator com mais desenvoltura para o papel de um ser poderoso e com legado gigantesco.

    Talvez o pior de tudo sejam os efeitos. Fica difícil levar a sério uma história de super-heróis quando fica óbvio o uso do CGI a cada instante. Curioso porque recursos não faltam à gigante do streaming. Ainda mais se levarmos em conta que a Netflix faz muito bem a apresentação dos poderes na série Umbrella Academy, essa sim uma obra reonda! 

    É como se o pior de Zack Snyder se unisse ao pior da Marvel Studios e X-Men e dessem vida a uma série escura, com cores estouradas e visuais nada convincentes.

    É importante frisar que, apesar disso tudo, o potencial da série é gigantesco e onde ela não prendeu minha atenção, pode prender a sua. Fico na esperança da segunda temporada conversar melhor comigo do que a primeira fez, até porque as HQs são ótimas. 

    No fim das contas, O Legado de Júpiter é uma produção cara e ambiciosa, mas incapaz de manter a qualidade do começo ao fim. Sejam nas cenas de ação, nos diálogos, interpretações ou edição, a série parece se perder em sua própria grandeza, a ponto de esquecer da importância de engajar o espectador. Pelo menos, esse foi o meu caso.

    A série já está disponível na Netflix. Veja o trailer:

    Veja mais