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    Crítica revela falta de ética e preconceito em Gramado

    Por Da Redação
    23/08/2002

    Fiquei realmente decepcionado ao ler os comentários de alguns colegas de profissão (se é que posso me considerar como tal) sobre o ocorrido no último Festival de Gramado, quando a crítica se reuniu para eleger os melhores filmes segundo sua avaliação. O resultado todos já sabem: Durval Discos foi considerado o melhor longa nacional, O Filho da Noiva, o melhor latino, e Como se Morre no Cinema venceu na categoria de curta-metragem. É claro que não houve unanimidade, muitos discordaram do resultado, mas a eleição foi feita democraticamente e não há o que se contestar, certo? Errado. O problema é que a turma formada pelos que discordaram do resultado, entre eles alguns "dinossauros" da crítica cinematográfica brasileira, em vez de aceitar o veredicto, começaram a apelar de forma vil, desqualificando e menosprezando os demais votantes, que só ousaram uma coisa: não ter a mesma opinião deles. E o castigo por tamanha impertinência foi serem chamados, entre outras coisas, de "desprovidos de vocabulário artístico", "pseudo-crítica", "ignorantes", "críticos-público", etc... Alguns chegaram a dizer que estamos envergonhando a classe! Nunca pensei que, depois de oito anos dedicados ao jornalismo voltado para o cinema, seria considerado uma vergonha para a classe.

    Mas o que teria provocado a ira da velha-guarda? Bem, além de serem contrariados no alto de sua experiência, tiveram de suportar algo terrível: premiar o mesmo filme eleito pelo júri popular. Esse foi o golpe de misericórdia! Deve ter gente que está sem conseguir dormir até hoje, afinal, para muitos críticos, premiar um filme bem-acolhido pelo público soa como um sacrilégio. É claro que a visão de um crítico de cinema difere muitas vezes da visão do público. Um crítico é, quase sempre, um conhecedor de cinema, de sua estética, de sua técnica, de sua história. Ao assistir a um filme, aprecia detalhes, sutilezas que passam despercebidas para o grande público. Daí nossa importância (desculpe, me esqueci, não sou da "turma"), já que criamos com os nossos leitores uma ligação de confiabilidade, esquadrinhamos os filmes para que o público possa apreciá-lo melhor. Essa visão analítica, metódica, livre e quase sempre imparcial dos críticos, sem dúvidas, tem grande importância. A crítica, de certa forma, cria um padrão de qualidade que serve de parâmetro para a análise das produções. É a crítica que ajuda a revelar novas tendências, novos talentos e a ratificar os já existentes.

    Concordo com os colegas quando afirmam que, na votação da crítica em Gramado, estavam presentes não só críticos, mas jornalistas especializados em cinema. Diferente de outros festivais, nos quais o júri da crítica é previamente escolhido por um órgão regulador, em Gramado a votação é aberta aos jornalistas presentes. Bem, não vou defender ou condenar esse critério, esse é um assunto que daria outro artigo, mas quero lembrar que esse era o critério válido no dia da votação. Os que não concordam com essa votação aberta solicitam agora que a organização do Festival deixe a escolha da comissão julgadora a cargo de um crítico de renome, que formaria um grupo de "seletos" para decidir o prêmio da crítica. Aí eu pergunto: Quem será esse crítico de renome? Quem serão os escolhidos? (eu já posso imaginar.) É justo que alguns críticos (os do contra, os que envergonham a classe) fiquem de fora da votação?

    Gostaria de lembrar aos pouco democráticos colegas que participei de uma votação com intuito de eleger e premiar os melhores filmes na avaliação da crítica. Votei em Durval Discos, O Filho da Noiva e Como se Morre no Cinema, o que acabou sendo a decisão da maioria. Votei nesses filmes e tenho argumentos de sobra para defender meu voto. Estou convicto também que os colegas têm ótimos argumentos em defesa de suas preferências, aliás, como expuseram muito bem em seus artigos. Mas de uma coisa eu tenho certeza: caso as minhas escolhas não tivessem sido a da maioria, até escreveria uma matéria ou artigo dizendo não concordar com o resultado e explicando meus motivos, mas nunca, em hipótese alguma, iria menosprezar e julgar de forma leviana a competência de meus colegas de profissão. Isso, no mínimo, é antiético.

    Gostaria de terminar respondendo a um colega que chamou todos aqueles que não concordaram com sua opinião de "críticos-público". Sou crítico, porque tenho competência e conhecimento para tal, e sou público por amar me sentar diante de uma tela grande e apreciar um filme. No dia em que deixar de ser público, terei perdido o prazer pelo cinema. Daí só sobra o ranço.