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    De Murphy a Downey, entenda todos os "Doutores" Dolittle

    O personagem criado na literatura já foi vivido por vários atores
    Por Alexandre Dias
    20/02/2020

    Hollywood captou a essência do Doutor Dolittle: um médico que fala com os animais. O personagem, que surgiu na literatura com Hugh Lofting, depende muito mais da sua premissa do que de um teor factual. Afinal, não estamos falando de algo como Duna ou mesmo o universo Marvel, em que os conceitos e ambientações são muito relevantes - não à toa o que o autor fez foi conceber um projeto destinado ao público infantil. 

    Dito isso, a base da marca se torna uma fonte inesgotável de ideias, pois os bichos sempre vão estar no gosto dos amantes de cinema, quanto mais personagens que se importam com eles. Portanto, é tão plausível - independente do resultado final - que Dolittle retorne às telonas em 2020, de uma forma que consegue se equiparar e diferenciar do que já foi feito com ele em outros casos. 

    Obra original

    A nova aparição do protagonista da franquia é bem fiel a sua proposta original, que surgiu em 1920 com A História do Doutor Dolittle. Primeiramente, porque a ambientação ocorre na Inglaterra, nação de origem do autor. Em segundo lugar porque o lado fantástico de brilhar os olhos dos pequenos é muito valorizado. 

    Os personagens também migraram para o longa estrelado por Robert Downey Jr., como é o caso da pata Dab-Dab (Octavia Spencer). Até mesmo a fama do médico espalhada no meio urbano é levada à trama do filme, ainda que a abordagem seja voltada para o seu retorno da aposentadoria e a uma superação da sua desilusão por conta da perda da esposa. 

    Nos cinemas

    Cada filme do Doutor Dolittle reflete o seu tempo de maneira clara. O Fabuloso Doutor Dolittle (1967) traz o aspecto musical, épico e de culto a Hollywood que aquele período ainda detinha. A própria duração do longa de mais de 2h30 reflete esse objetivo. Isso sem falar dos animais "reais" e não realistas, sendo esses últimos uma das finalidades da versão mais recente. 

    Quando Eddie Murphy restaurou a história do personagem em Dr. Dolittle (1998) o objetivo não era o fascínio, mas sim o divertimento em sua forma mais pura. Afinal, o ator é um grande comediante, então colocá-lo para interagir com animais com gases era uma carta marcada; não só para um projeto com ele especificamente, porém da época como um todo - Ace Ventura, Um Detetive Diferente, de quatro anos antes, é a prova disso. 

    Eddie Murphy em Dr. Dolittle

    No entanto, a era de ouro dos astros do humor como Murphy e Jim Carrey já estava caminhando para mudanças. Logo, não é uma surpresa tão grande que o astro de Um Tira Da Pesada só tenha feito mais uma sequência e depois a saga continuou com a filha do protagonista em longas de entretenimento ainda mais pontuais. 

    Por fim, em uma era onde Robert Downey Jr. se estabeleceu no mercado como o Homem de Ferro e cravou um estilo de atuação - algo parecido com o que The Rock fez -, juntá-lo com animais digitais em uma história para a família também faz sentido. 

    Os doutores

    Rex Harrison já tinha quase 60 anos quando fez O Fabuloso Doutor Dolittle. Estava no Olimpo da indústria cinematográfica, tendo participado de clássicos como Cleópatra (1963) e Minha Bela Dama. Portanto, era uma espécie de galã veterano, o que foi abandonado por seus sucessores. 

    Cena de O Fabuloso Doutor Dolittle

    Murphy agia entre o improviso e as piadas escritas, pois ele criava a expectativa da fala final e ao mesmo tempo de como a faria, com as suas populares gritarias. O modo como se portava nas horas dramáticas também era característico dos seus trejeitos, justamente por não precisar se estender nisso; funcionava mais como uma alavanca para a narrativa continuar. 

    Com Downey é diferente, devido ao contexto de desencanto no qual ele se insere no início da história. Já o seu humor é construído muito pela figura de sua caricatura, enquanto o roteiro, por vezes irônico, cuida do resto.