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    'Deserto Particular' dará um Oscar ao Brasil em 2022?

    Ainda sem distribuidora nos Estados Unidos, filme de Aly Muritiba enfrentará concorrência pesada
    Por Flávio Pinto
    27/10/2021 - Atualizado há cerca de 1 mês

    Na semana passada, a Academia Brasileira de Cinema anunciou que o filme Deserto Particular seria o título brasileiro a representar o país no Oscar de 2022. 

    Dirigido pelo cineasta baiano Aly Muritiba, o longa-metragem é protagonizado por Antonio Saboia (Bacurau), que vive o policial Daniel. Afastado do trabalho após cometer um erro, ele mora em Curitiba, com um pai doente, de quem cuida com devoção.

    Taciturno, Daniel fala pouco, e sorri menos ainda. Seu único motivo de alegria é a misteriosa Sara, uma moça que mora no sertão da Bahia, e com quem se corresponde por aplicativo de celular. Contudo, o desaparecimento súbito de Sara faz com que Daniel resolva cruzar o país em busca de seu amor.

    Com temática LGBTQIA+ em um momento muito particular do nosso país, a escolha de Deserto Particular é muito inspirada — especialmente já que, antes da escolha, jornalistas, críticos e especialistas apontavam sem titubear que 7 Prisioneiros, da Netflix, seria a escolha nacional.

    Bem recebido durante a exibição na Mostra Venice Days, no Festival de Veneza 2021, analisamos aqui as chances que Deserto Particular tem de abocanhar o careca dourado. Continue a leitura para saber mais.

    Páreo-duro

    Embora a escolha tenha sido aplaudida por alguns veículos, a categoria de melhor filme internacional deste ano está muito acirrada. Este ano, pela primeira vez, serão dez filmes que passarão pelo crivo de um painel especial da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (a AMPAS, órgão responsável pela organização do prêmio). 

    Segundo a Variety, atualmente, o top 10 consiste, em ordem: The Worst Person in the World (Noruega), A Hero (Irã), Flee (Dinamarca), Compartment No. 6 (Finlândia), o vencedor da Palma de Ouro deste ano, Titane (França); The Hand of God (Itália), I’m Your Man (Alemanha), Drive My Car (Japão), A Noite do Fogo (México) e The Good Boss (Espanha). 

    Deserto Particular encontra-se na décima segunda posição. Mas sua temática e destaque internacional pode levá-lo a um top 10. Além disso, durante o Festival de Veneza, o título de Muritiba foi capa da Variety. Mas não é apenas destaque e aclamação que faz com quem uma produção chegue lá.

    Deserto Particular foi capa da Variety durante Festival de VenezaDivulgação (Variety)

    Entretanto, o que pode ferir o filme é a falta de uma distribuidora. Até o momento, Deserto Particular ainda não foi adquirido por nenhum selo americano de peso. Enquanto os seus concorrentes, como Titane, Flee e The Worst Person in the World, estão sendo apoiadas pela Neon — distribuidora que virou fenômeno com a divulgação de Parasita (que se tornou o primeiro longa internacional a ganhar o prêmio de melhor filme, em 2020).

    The Hand of God conta com o apadrinhamento da Netflix, enquanto a Amazon vai cuidar de A Hero. A distribuição é fundamental para um filme ser visto e comentado durante a temporada de prêmios. São os distribuidores que negociam anúncios e encartes nas principais revistas, inserem os diretores e atores em mesas redondas, organizam eventos para os filmes, entre outros.

    Mas, a aquisição de uma grande distribuidora nem sempre é tudo. Em 2020, a Prime Video adquiriu A Vida Invisível, filme de Karim Aïnouz selecionado para representar o país ano passado. Mesmo com tanta pompa, o filme com Fernanda Montenegro nem se qualificou para a lista de pré-selecionados.

    Em contrapartida, no início deste ano, a indubitavelmente menor, Kino International, fez um belo trabalho com Bacurau. Mesmo sem estar elegível ao Oscar de melhor filme estrangeiro, o longa de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles recebeu mais menções, indicações e prêmios que o filme de Aïnouz. 

    Embora premiado em Cannes, ousadia de Titane pode atrapalhá-loTitane (Mubi)

    Ousadia nem sempre é tudo

    Contudo, também nem tudo se trata de distribuição. Por passar por uma peneira prévia, muitos filmes "polêmicos", muitas vezes ficam de fora. Em 2017, o vencedor de melhor filme estrangeiro no Globo de Ouro, e posteriormente indicado a melhor atriz no Oscar, Elle, de Paul Verhoeven, ficou de fora da lista de pré-indicados.

    Ousado, Elle conta a história de uma mulher, vivida por Isabelle Huppert, tentando se vingar do seu estuprador. Essa ousadia pode pesar muito para Titane. Vencedor em Cannes, o título de Julia Ducournau tem uma trama arriscada e cenas muito fortes. 

    Deserto Particular, que se encaixa em um molde mais tradicional de narrativa, tanto estética como tematicamente, pode dar uma rasteira no longa de Ducournau justamente por isso.  Se a produção de Muritiba chegará ou não ao Oscar, ainda não sabemos. Agora, resta esperar para o nome brasileiro figurar na lista com os dez finalistas, que será anunciada dia 21 de dezembro deste ano.

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