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    Como um fã de Sharon Stone cometeu crime bárbaro e foi parar na Netflix

    A série investigativa Don't F**ck With Cats consegue ser ainda mais bizarra do que se pode imaginar
    Por Thamires Viana
    14/05/2021 - Atualizado há 4 meses

    Como uma boa fã de séries investigativas, mas com uma infinidade de conteúdos disponíveis na Netflix, fica até difícil escolher no que dar o play. Percorrendo pelo catálogo após a indicação de uma amiga, decidi dar uma chance para Don't F**k With Cats, série documental que deu o que falar quando estreou em 2019. 

    O nome e a temática podem assustar logo de cara, já que a premissa revela como um assassinato de gatinhos domésticos impulsionou uma investigação bizarra atrás de um jovem canadense. Na época, os comentários em torno da atração falavam, principalmente, sobre o quão forte a série é, o que não deixa de ser verdade. No entanto, no decorrer da trama fica claro que esse crime horroroso era só a ponta do iceberg!

    CUIDADO COM OS SPOILERS A PARTIR DAQUI

    Eu sou dona de um gatinho muito fofo e isso foi o que me afastou de dar uma chance para essa série logo após seu lançamento. Pensei "Bom, não preciso ver esse tipo de coisa, não é?" Porém, ao decidir dar o play em Don't F**k With Cats presenciei uma trama muito bem estruturada, quase como um filme de suspense que sabe exatamente como prender o espectador e revelar somente no final um imenso plot twist. E vale pontuar aqui que as cenas cruéis com os gatinhos são censuradas na atração. 

    Tudo começa em 2010, com Deanna Thompson, uma mulher que descobre um vídeo chocante postado por um assassino de gatos no Youtube. Pelas imagens, é possível ver que aquele é um jovem que, querendo chamar a atenção, posta atrocidades na internet sem se importar com as consequências de seus atos. Horrorizada, ela cria um fake no Facebook e decide iniciar uma investigação, contando com a ajuda de um grupo de protetores de animais na rede social para obter o resultado esperado.

    Com prints, análise de vídeos e o uso do Google Maps, esse grupo embarcou em uma verdadeira caçada para seguir os rastros do assassino. A força tarefa apresentada na série surpreende pela insistência e determinação desse grupo. Mais tarde, inclusive, ele conseguiu inserir a polícia na investigação, principalmente quando esse jovem passou a deixar pistas de que cometeria ainda mais assassinatos.  

    Roteirizada e dirigida por Mark Lewis, Don't F**k With Cats está longe de ser uma trama arrastada, embora seu grande triunfo só chegue no terceiro e último episódio. Mesmo que traga algumas baixas em seu decorrer, nada muito grave para o desenrolar da história, o roteiro constrói ganchos assertivos que preenchem essas lacunas. Portanto, é quase impossível desprender os olhos da tela e não dar o play no próximo episódio! 

    Ok, mas onde é que a Sharon Stone entra nessa história?

    No final do segundo episódio é que as coisas ficam ainda mais assustadoras e surreais! Com a investigação indo de vento em popa, o grupo começa a descobrir detalhes cada vez mais bizarros e chega a Luka Magnotta, o jovem por trás dos crimes surreais. Ele é aspirante a modelo, sonha com a fama e tem um jeito vaidoso, com bom gosto para música, filmes e roupas. 

    Quando ele comete o assassinato de seu então namorado, Jun Lin, e posta o crime na internet, a polícia embarca junto com o grupo para descobrir o paradeiro de Luka. A partir daí, revela pistas cada vez mais chocantes ao prendê-lo! 

    A arma usada por ele, o pôster na parede do quarto e Manny, um rapaz que ele afirma tê-lo obrigado a cometer essas atrocidades, foram todos inspirados no filme Instinto Selvagem, longa de 1992 estrelado por Sharon Stone

    Recriando uma das cenas cruciais do filme, aquela em que Catherine Tramell, personagem de Stone, mata o namorado na cama, Luka pintou de prata uma chave de fenda para simular o picador de gelo usado por ela. Há também uma janela específica que o assassino recriou colando um pôster do clássico Casablanca, de 1942. E Manny, o rapaz que ele dizia persegui-lo e obriga-lo a fazer esse tipo de coisa? Bom, foi uma invenção de Luka baseado no ex-namorado abusivo de Catherine, Manny Vásquez. 

    E você se lembra de um dos momentos mais icônicos de Instinto Selvagem, aquele em que a personagem presta depoimento para os policiais, cruza as pernas e acende um cigarro? Quando é preso, Luka recria fielmente essa cena, não saindo do personagem criado por ele nem mesmo por um segundo. Todos os detalhes são mostrados na série e comparados com as cenas do filme de sucesso.

    Cena do filme Instinto SelvagemReprodução

    Don't F**k With Cats é uma atração que cria alertas sobre como a internet pode ser um ambiente perigoso, principalmente em uma época em que as pessoas fazem absolutamente tudo por likes e reconhecimento. Além disso, ela também reflete sobre como a ficção exerce um trabalho de influência, para o bem e para o mal, na vida das pessoas. 

    Para aqueles que curtem uma série investigativa de casos reais (e surreais), vale o play. Com três episódios que beiram os 60 minutos, a série documental está disponível no catálogo da Netflix.

    E nunca se esqueça da regra número um: Não mexa com gatos!

    Trailer oficial

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