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    Dostoiévski foi a faísca inspiradora, afirma diretora de O Sol do Meio Dia

    Por Heitor Augusto
    25/09/2010

    Eliane Caffé chega ao terceiro longa-metragem O Sol do Meio Dia mostrando que ter ótimos atores como parceiros é uma de suas melhores qualidades como cineasta. A paulistana que já dirigiu José Dumont, Jonas Bloch, Matheus Nachtergaele, entre outros, apresenta um triângulo amoroso incorporado por Chico Diaz, Cláudia Assunção e Luiz Carlos Vasconcelos.

    “A escolha dos atores, em função da pré-visão que tenho do personagem, é 50% do trabalho, acertar e conseguir olhar um ator”, explica a cineasta em entrevista exclusiva ao Cineclick. “São atores que, se você propõe uma situação, pegam, dão um “giro” e já está recriando e propondo algo novo, mas perfeitamente cabível. São atores que amplificam o personagem, criam subtexto e improvisam”.

    O Sol do Meio Dia, que estreia em 1º de outubro e foi premiado no Festival do Rio (Melhor Ator) e na Mostra de SP (Prêmio da Crítica), acompanha Artur (Vasconcelos), um homem solitário, em viagem até Belém com Matuim (Diaz). No destino, uma tímida moça, Ciara (Cláudia), muda a vida de ambos.

    Eliane conta que Crime e Castigo, clássico da literatura escrito por Fiódor Doistoiévski, serviu como ponto de partida para seu filme. “Foi a primeira faísca para o tratamento da violência porque, quando há uma certa moral e ética, matar trata-se de ir para a outra margem”, ilustra a cineasta a respeito da trajetória de Artur [Leia a entrevista na íntegra].

    Seu cinema já seguiu um artesão obsessivo na construção de uma máquina do movimento perpétuo (Kenoma), apresentou muitas maneiras de contar uma história e manter a memória (Narradores de Javé) e se aproximou de Garrido numa minissérie afeita ao improviso (O Louco do Viaduto). Essa dramaturgia que tenta captar o inesperado é a linguagem que mais tem conquistado a cineasta.

    “Acho que vivemos uma crise dramatúrgia, nas formas de narrar, um certo desgaste. Esse retorno do documental inserido na ficção é uma forma de arejar, buscar outra maneira de narrar”, argumenta. Integrante da geração que conheceu a televisão em preto e branco, a cineasta paulistana coloca em crise o futuro das narrativos. “O que ainda dá para ser contado? O que e para quem interessa? Sinto uma banalização, a sensação de que já vi isso antes, que todas as histórias não tocam mais”.

    Nesta entrevista, Eliane Caffé fala sobre outras escolhas em O Sol do Meio Dia, como a participação especial de Ari Fontoura, figura rara no cinema, a composição dos seus personagens e o vício em usar planos fechados para transmitir tensão.