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    Druk com Leonardo DiCaprio: Filmes internacionais precisam mesmo de remakes americanos?

    Será que Hollywood precisa ter sempre a palavra final?
    Por Cauê Nessin
    05/05/2021 - Atualizado há cerca de 2 meses

    Um dia após Druk - Mais uma Rodada ganhar a estatueta de Melhor Filme Internacional, a empresa Appian Way, de Leonardo DiCaprio, adquire os direitos do filme. De acordo com o Deadline, mesmo antes do drama, que aborda a influência do álcool na sociedade, ganhar sucesso, a disputa por seus direitos já era grande.

    Embora ainda esteja em processo de contratação de um roteirista, já está confirmado que a versão “americanizada” será produzida por DiCaprio, Negin Salmasi e Brad Weston para a Endeavor Content e a Makeready.

    Assim como outras grandes produções internacionais, como Parasita, Oldboy e a trilogia Millennium, Druk  será totalmente reformulado para atender aos moldes da indústria cinematográfica norte-americana. E isso nos leva ao seguinte questionamento: será que precisamos mesmo de um remake toda vez que um filme “internacional” fizer sucesso?

    Druk e o processo de adaptação

    Druk narra a trajetória de Martin, um professor que está insatisfeito com a rotina que sua vida se tornou. Junto de outros três professores, também desiludidos com a vida, Martin e seus colegas decidem iniciar um experimento para provar que, se tivermos uma concentração elevada de álcool no sangue, podemos ser mais felizes e bem-sucedidos. Para isso, é necessário ingerir uma quantidade predeterminada de bebida todos os dias.

    Thomas Vinterberg e Mads Mikkelsen já trabalharam juntos em outra produção dramática que se destacou bastante, em 2012, intitulada como A Caça que, inclusive, também foi indicada ao Oscar de Melhor Filme Internacional. O que deixa claro que a dupla tem uma química notável quando o assunto é retratar questionamentos e impasses da vida moderna.

    Os atores que compõem o elenco são ótimos e a produção tem bastante qualidade. A trama é complexa, mas segue o formato de começo, meio e fim, entregando ao espectador tudo o que se espera de uma narrativa sobre a perigosa mistura de existencialismo e álcool. Ou seja, é um filme completo e que não precisa de outra versão.

    Porém, não é o que a joint venture formada pelas empresas Makeready, Endeavor Content e Appian Way pensa, pois adquiriu os direitos de refilmagem em inglês da produção de Thomas Vinterberg. Leonardo DiCaprio, além de produzir a nova versão do longa, provavelmente assumirá o papel de Martin, um  homem de meia-idade que se vê em meio a uma crise existencial e acaba procurando refúgio no álcool, interpretado por Mads Mikkelsen.

    Cena de Druk: Mais uma RodadaReprodução
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    Outras produções que entraram na mira de Hollywood

    Não é a primeira vez que temos um filme internacional premiado que acaba em uma disputa por direitos de readaptação. O exemplo mais próximo é o sul-coreano Parasita, que ganhou o Oscar de Melhor Filme e a Palma de Ouro, em 2020.

    Se voltarmos alguns anos no tempo, temos mais uma obra da Coreia do Sul integrando a lista de filmes adaptados. O clássico do cinema cult Oldboy, que, em 2014, ganhou uma versão dirigida por Spike Lee, com Elizabeth Olsen e Josh Brolin, nosso temido Thanos, como protagonista.

    O mesmo aconteceu com a trilogia sueca Millennium, protagonizada por Noomi Rapace (Prometheus e Onde Está a Segunda?), que foi inteiramente readaptada, tendo David Fincher, como diretor, e Rooney Mara, como estrela principal.

    Poderíamos citar inúmeras vezes, além dessas, que o cinema considerado internacional (para quem?) se mostrou bom o suficiente para que os estúdios norte-americanos crescessem os olhos e adquirissem os direitos de produção. Mas, você já deve ter entendido a questão, não é mesmo?

    Pôster do filme sul-coreano ParasitaDivulgação

    Precisamos de mais remakes?

    Embora Leonardo DiCaprio seja um dos artistas mais queridinhos do público nos dias atuais, os usuários não gostaram muito de sua decisão de recriar o filme sueco, deixando isso bem claro nas redes sociais do ator. Entre os comentários raivosos, uma usuária do Twitter disse "aprenda a ler legenda!", já outro, "para quê fazer um remake de Druk (que já é perfeito)?".

    O questionamento é válido. Hollywood não parece se preocupar em aprender a ler legendas ou, muito menos, falar um idioma diferente do inglês. Pegar carona em sucessos internacionais, adquirir os direitos e "americanizar" a obra faz muito mais o estilo do Tio Sam.

    O "problema" - se é que deveríamos ter essa discussão - é a descaracterização de obras nacionais para que atendam ao formato padronizado imposto quase que de forma ditatorial pela indústria cinematográfica norte-americana.

    Se uma atriz não tiver olhos azuis, traços que atendam aos padrões de beleza do cinema "hollywoodiano" e fale um "idioma esquisito", mas a história do filme for boa o suficiente para emplacar as bilheterias, basta adquirir os direitos e remanejar a equipe.

    Todas as referências culturais e demais elementos que dão personalidade à obra original também são substituídos por símbolos que representam a superioridade  do "melhor país do mundo". E isso tudo nos faz questionar: será que realmente precisamos de mais remakes americanos?

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