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    Entenda como as séries nacionais estão deixando as novelas para trás

    As séries brasileiras estão fazendo sucesso mundo afora. Seria esse o fim das novelas?
    Por Da Redação
    07/05/2021 - Atualizado há 4 meses

    Foi-se o tempo em que novelas eram uma das únicas formas de consumir conteúdos audiovisuais 100% brasileiros. De uns anos para cá elas ganharam concorrentes de peso: as séries. Com a proposta de trazer cada vez mais conteúdos originais, plataformas como a Netflix têm investido grandes quantias de dinheiro para a criação de séries nacionais - que, diga-se de passagem, estão dando o que falar.

    3% foi uma das primeiras produções originais brasileiras a se destacar. Com uma pegada que flerta com o estilo hollywoodiano com nomes estrangeiros e futurismo, a série ainda conseguiu trazer o típico drama novelesco e umas pitadas inconfundíveis do audiovisual brasileiro que o público conhece e ama. Mas não parou por aí. Logo foi a vez de Coisa Mais Linda que, em meio às paisagens do Rio de Janeiro da década de 1960 e à Bossa Nova, parece uma novela das 18h atualizada, perfeita para os românticos e noveleiros de plantão.

    O sucesso das primeiras séries fez a Netflix apostar mais ainda no mercado e, com isso, abriu caminho para histórias que permitissem ao entretenimento brasileiro explorar novos formatos e temas. Foi o caso de Bom Dia, Verônica, um thriller que flerta com o terror, Sintonia, que foi criada e dirigida por KondZilla e traz o funk como tema principal, e mais recentemente Cidade Invisível, que apostou no folclore como fio condutor de uma narrativa eletrizante.

    Talvez não seja preciso dizer, mas as produções brasileiras têm feito sucesso aqui e no exterior: 3%, por exemplo, bateu o marco de original Netflix de língua não-inglesa mais assistida nos EUA, e Cidade Invisível chegou ao primeiro lugar do top 10 da Netflix gringa. Com números favoráveis, é certo dizer que as séries brasileiras chegaram para ficar e, no caso, se multiplicar. Para se ter uma noção, no final de 2019 a plataforma de streaming anunciou que investiria R$ 350 milhões em um total de 30 produções originais do país, entre elas séries, filmes e documentários, nos anos seguintes. 

    Amor de mãeReprodução

    Mas e as novelas?

    Com um cenário tão favorável para as séries, o que ficou das novelas? Bom, elas continuam a existir e tem sua base de fãs, mas é inegável que ainda mais com a pandemia do Corona vírus o formato enfrenta dificuldades. Aqui vale apontar para como as novelas geralmente são conduzidas pela audiência e, com base em como o público responde à história, ela pode mudar de curso ou ser rearranjada… Algo que não está sendo possível no cenário atual. 

    Para se ter uma noção de como funciona, em Caminho das Índias originalmente o casal que ficaria junto no final seria Maya (Juliana Paes) e Bahuan (Márcio García), mas os noveleiros de plantão gostaram tanto da química da mocinha com Raj (Rodrigo Lombardi) que o final foi reescrito para agradar. Agora, essa dinâmica terá que acabar, ou pelo menos, se adaptar e prova disso é a próxima novela das 21h, Um Lugar Ao Sol. Devido ao distanciamento social, a produção aproveitou e já gravou os 70 capítulos todos em 2020, o que permite que a novela não seja interrompida, mas também dificulta adaptações no enredo.

    Mas não é só na dinâmica de gravação que as novelas estão  tendo que se adequar. Enquanto várias foram adiadas com a chegada da pandemia, outras tantas bombaram consideravelmente no streaming, principalmente no GloboPlay. Com quase 100 novelas no catálogo, o resgate de produções antigas fez sucesso: de janeiro a outubro de 2020, a plataforma registrou um aumento de 150% de horas consumidas em novelas em comparação com 2019. Algumas das de maior sucesso são: Roque Santeiro (1985), Brega & Chique (1987), Meu Bem, Meu Mal (1990) e Avenida Brasil (2012).

    Mauro Alencar, especialista em teledramaturgia  e autor do livro A Hollywood Brasileira – Panorama da Telenovela no Brasil, acredita que o movimento de maratonar novelas já teve um forte predecessor: os livros. No final de 1800, as histórias eram publicadas em jornais e revistas, um capítulo por edição. Ao final, era lançado o livro completo em um único volume para quem quisesse ler tudo de uma só vez.

    Ao que tudo indica, como os livros, a transmissão de capítulos separados primeiro na televisão e depois a obra completa no streaming é um dos caminhos para as novelas. No entanto, não é o único. A mudança promete ser marcada pela continuação de Verdades Secretas, minissérie que fez um grande sucesso em 2015. Com previsão para estrear em 2021, a expectativa é que ela saia primeiro no streaming, fazendo frente às tão amadas séries.

    Cidade InvisívelReprodução

    Séries vs. Novelas: tem vencedor?

    Aparentemente, não. Mas isso não significa que os formatos diferentes de produção não sofrerão influências um do outro. É possível que além das novelas explorarem cada vez mais o formato do streaming a seu favor, elas também comecem a apostar em tramas mais instigantes e menos novelescas. Em outras palavras, investir em um conteúdo que possa atrair tanto o público da rede nacional como os assinantes da plataforma. Enquanto isso, as séries começaram com um pézinho nas novelas e, apesar de flertarem com Hollywood, é possível que permaneçam com a carga de drama vista nas produções brasileiras e em outros sucessos estrangeiros da Netflix, como a própria Casa de Papel. Vale lembrar que tanto as novelas como as séries brasileiras compartilham outro fator importante em comum: os profissionais - desde atores, que já transitam livremente entre os dois modelos, até criativos por trás das câmeras, o que promete uma troca ainda maior entre os formatos. 

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