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    É Tudo Verdade começa hoje em São Paulo

    Por Da Redação
    22/03/2007

    A partir de hoje (22) até o dia 1º de abril, em São Paulo, e entre amanhã (23) e 1º de abril no Rio de Janeiro, será realizada a 12ª edição do É Tudo Verdade - Festival Internacional de Documentários. Considerada a principal vitrine de produções do gênero na América Latina, o evento mostra mais uma vez que está crescendo. Este ano, o É Tudo Verdade exibe 141 títulos, o maior desde que sua primeira edição, em 1995. "A gente tenta mantê-lo menor, mas parece que o festival tem vida própria e quer crescer sozinho", conta Amir Labaki, fundador do festival em coletiva de imprensa realizada em São Paulo na última semana. "

    Portanto, serão duas competições internacionais (14 longas e 10 curtas) e duas competições brasileiras (sete longas e médias-metragens, oito curtas). Dentro da retrospectiva internacional, está em destaque a obra como documentarista do cineasta polonês Krszystof Kieslowski, cuja base no trabalho cinematográfica está nos documentários feitos no início de sua carreira. "17 dos 22 documentários produzidos por ele estão na programação, alguns produzidos quando ele ainda estava na escola de cinema, os quais nem constam em livros sobre a obra de Kieslowski", revela.

    Além disso, ocorrerá uma homenagem especial à contribuição do documentarista Linduarte Noronha e a aurora da marcante escola documental paraibana dos anos 1960. "Linduarte foi catalizador de uma escola que criou documentaristas do porte de Vladmir Carvalho", conta o organizador do É Tudo Verdade. "Queremos destacar sua importância e força nesse momento". Noronha foi repórter e crítico de cinema antes de arriscar-se no documentário. Aruanda (1960) foi seu primeiro curta-metragem, baseado numa reportagem do próprio jornalista. O ciclo em sua homenagem reúne seus filmes, um retrato dele feito por outro documentarista brasileiro (Geraldo Sarno), duas obras que contextualizam a Paraíba no ano de seu nascimento (1930) e dois curtas essenciais da escola paraibana. Também ocorrerá exibição hors-concours do novo documentário de Vladimir Carvalho, O Engenho de Zé Lins, que retrata o escritor paraibano José Lins do Rego (1901-1957).

    As mostras informativas incluem os ciclos O Estado das Coisas, Horizonte e Foco Latino-Americano, além de programas especiais, uma homenagem aos 20 anos do Festival Internacional de Documentários de Amsterdã, uma mostra dos curtas experimentais do jurado norte-americano Jay Rosemblatt e um ciclo com destaques dos festivais franceses de documentários de 2006. Outro grande destaque é o prêmio CPFL Energia/ É Tudo Verdade Janela para o Contemporâneo, que premiará com o valor de R$ 100 mil o melhor longa ou média-metragem brasileiro do festival. As produções internacionais também receberão prêmios: R$ 15 mil para o melhor longa ou média e R$ 6 mil para o melhor curta. O melhor curta-metragem brasileiro recebe R$ 6 mil da organização.

    No total, 14 documentários foram selecionados para a Competição Internacional. Há filmes premiados em festivais internacionais, selecionados para o Festival de Sundance e uma produção que deve criar faíscas de discussões: Fabricando Polêmica, no qual a cineasta canadense Debbie Melnik tenta "desmascarar" as práticas contestáveis do documentarista Michael Moore (Tiros em Columbine), um dos responsáveis pela popularização contemporânea desse gênero. Confira a lista dos selecionados:

    A Cidade dos Fotógrafos (La Ciudad de los Fotografos/ The City of Photographers, Sebastián Moreno, Chile, 80 min., 2006)
    Recupera a memória da importância do trabalho de fotógrafos chilenos que, durante a ditadura Pinochet, documentaram crimes e violências praticadas pelo regime.

    Como Se Faz (Jak to Sie Robi, Marcel Lozinski, Polônia, 87 min., 2006)
    Relata o trabalho do consultor Piotr Tymochowicz, que diz poder transformar qualquer pessoa num líder carismático.

    Fantasmas de Abu Ghraib (Ghosts of Abu Ghraib, Rory Kennedy, EUA, 78 min., 2006)
    Depoimentos traçam um panorama sobre o escândalo relacionado às torturas de soldados norte-americanos a prisioneiros iraquianos. Concorreu no Festival de Sundance 2007.

    Fotografias (Fotografias, Andrés Di Tella, Argentina, 110 min., 2007)
    Argentino busca desvendar a história da mãe, nascida na Índia, empreendendo viagem à sua própria origem. Estréia mundial.

    O Fugitivo: A Verdade sobre Hassan (Le Fugitif ou les vérités d'Hassan/, Jean-Daniel Lafond, Canadá, 75 min., 2006)
    Washington, anos 80: um americano mata a tiros um dos assessores do ex-xá do Irã.
    Teerã, anos 2000: Mohsen Makhmalbaf convida o fugitivo americano para um papel em A Caminho de Kandahar. Afinal, quem é Hassan?

    Logo Existo (Graça Castanheira, Portugal, 60 min., 2006)
    Uma visão intimista da máxima de Descartes ("Penso, logo existo") a partir de novos cotidianos motivados por distúrbios motores originados por AVCs.

    Manhã no Mar (Mañana al Mar, Inês Thomsen, Alemanha/ Espanha, 83 min., 2006)
    Paulina, 76 anos, Joseph, 88 e Antônio, de quase 80, não dispensam visitas ao mar, apesar do inverno em Barcelona.

    Mate a Mensageira (Une Femme a Abattre, Mathieu Verboud e Jean Robert Viallet, França, 81 min., 2006)
    Uma tradutora do sistema de informações dos EUA se vê transformada em persona non grata dentro da lógica persecutória da Guerra ao Terror.

    O Mosteiro (The Monastery, Pernille Rose Gronkjaer, Dinamarca, 84 min., 2006)
    No fim da vida, um ermitão procura viabilizar seu último desejo: transformar em mosteiro o decadente castelo que tenta doar à Igreja Ortodoxa Russa. Melhor Filme no Festival de Amsterdã 2006.

    Para Sempre (Forever, Heddy Honigmann, Holanda, 95 min., 2006)
    Um mergulho no cotidiano do mais mítico dos cemitérios de Paris, o Père Lachaise, onde se encontram os túmulos de Oscar Wilde, Simone Signoret e Marcel Proust, entre outros.

    Perdedores e Ganhadores (Losers and Winners, Michael Loeken e Ulrike Franke, Alemanha, 96 min., 2006)
    O choque cultural entre funcionários alemães e operários chineses que chegam à Alemanha para desmontar uma fábrica.
    Filme de abertura no Festival Leipzig 2006 e Melhor Filme, Um Mundo/Praga 2007.

    Três Camaradas (Drie Kamaraden, Masha Novikova, Holanda, 99 min., 2006)
    Três jovens chechenos adoram as bandas de rock-and-roll Beatles, Led Zeppelin e Pink Floyd. Numa década, duas guerras impactam tragicamente os três destinos. Selecionado para o Festival de Sundance 2007.

    Uma Mãe Trabalhadora (A Working Mom, Limor Pinhasov, Bolívia, 78 min., 2006)
    Depois de fazer a vida em Israel, uma exilada boliviana volta à casa dos pais para reencontrar seus dois filhos.

    Fabricando Polêmica (Manufacturing Dissent, Debbie Melnik, Canadá, 77 min., 2007)
    Um retrato das manhas e artimanhas de Michael Moore.

    O É Tudo Verdade 2007 também traz uma competição de documentários brasileiros. Na seleção, documentaristas veteranos e novatos convivem harmoniosamente, traçando um leque de variedades estilísticas. Confira os longas e médias-metragens brasileiros selecionados, que concorrem ao prêmio CPFL Energia/ É Tudo Verdade Janela para o Contemporâneo no valor de R$ 100 mil:

    Construção (Cristiano Burlan, Brasil/ SP, 48 min., 2006)
    Retrata o cotidiano de trabalhadores da construção civil na cidade de São Paulo.

    Descaminhos (Marília Rocha, Luiz Felipe Fernandes, Alexandre Baxter, João Flores, Maria de Fátima Augusto, Leandro HBL, Armando Mendz e Cristiano Abud, Brasil/ MG, 73 min., 2007)
    Viagem antropológica entre paisagens naturais e urbanas, pelas cidades e pela vida das comunidades às margens das ferrovias, a partir do olhar de oito novos diretores.

    Elevado 3.5 (João Sodré, Maíra Bühler, Paulo Pastorelo, Brasil/ SP, 90 min., 2006)
    Retrata o mundo de pessoas que cruzam os 3,5 km do Minhocão, via expressa construída na região central de São Paulo, durante a ditadura militar.

    O Longo Amanhecer - Cinebiografia de Celso Furtado (José Mariani, Brasil/ RJ, 73 min., 2006)
    Um balanço da vida e do pensamento de um dos maiores economistas brasileiros.

    Lutzenberger: For Ever Gaia (Frank Coe e Otto Guerra, Brasil/ RS, 52 min., 2006)
    Combinando depoimentos e animações, um olhar sobre desenvolvimento a partir da obra do ambientalista José Lutzenberger.

    Maria Bethânia - Pedrinha de Aruanda (Andrucha Waddington, Brasil/ RJ, 60 min., 2006)
    A face privada da cantora baiana, em cenas familiares e conversas com amigos.

    Nas Terras do Bem-Virá (Alexandre Rampazzo, Brasil/ SP, 110 min., 2007)
    Uma visão panorâmica da história recente da Amazônia, do fim do regime militar aos dias de hoje. O foco são os vários conflitos em torno da terra, revelando os bastidores do massacre de Eldorado do Carajás e do assassinato da missionária norte-americana Dorothy Stang.

    O É Tudo Verdade também selecionou cinco documentários para serem exibidos em hors-concours, três retratos de artistas e dois finalistas do Oscar deste ano:

    Anatoly Rybakov: A História Russa (Anatoly Rybakov: The Russian Story, Marina Goldovskaya, EUA/ Rússia, 56 min., 2006)
    A diretora convida o escritor Rybakov a resumir a história de sua vida: de vítima dos expurgos políticos de Stálin a escritor, depois da Segunda Guerra Mundial, revelando também a história da Rússia.

    Você Vai Atuar Esta Noite? (Spelar Du Ikväll?/ Are You Playing Tonight?, Torben Skjöt Jensen, Ulf Peter Hallberg, Suécia, 73 min., 2006)
    Filme-ensaio que combina documentário e ficção. O ator Erland Josephson, vítima de Mal de Parkinson e conhecido por ter trabalhado com Ingmar Bergman em filmes como Gritos e Sussurros e Cenas de um Casamento, contempla a própria identidade e investiga a verdade oculta do teatro, contracenando com algumas das grandes atrizes suecas: Lena Endre, Maria Bonnevie e Stina Ekblad.

    O Engenho de Zé Lins (Vladimir Carvalho, Brasil, 80 min., 2006)
    Perfil do escritor paraibano José Lins do Rego.

    Iraque em Fragmentos (Iraq in Fragments, James Longley, EUA, 94 min., 2006)
    Durante viagens ao Iraque, entre fevereiro de 2003 e abril de 2006, o diretor americano James Longley reuniu estas contundentes imagens de um país destruído pela guerra, dando voz a personagens sunitas, xiitas e curdos. Indicado ao Oscar.

    Acampamento de Jesus (Jesus Camp, Heidi Ewing e Rachel Grady, EUA, 84 min., 2006)
    O documentário acompanha o acampamento de verão Kids on Fire, na Dakota do Norte (EUA), no qual crianças recebem educação religiosa. O filme relaciona o acampamento a questões políticas norte-americanas. Selecionado para o Festival de Sundance 2007.

    Dois documentários brasileiros inéditos serão apresentados nas sessões de abertura do É Tudo Verdade 2007: hoje (22), São Paulo assiste à pré-estréia nacional de Adeus, América, de Sérgio Oksman; amanhã (23), Santiago, filme de João Moreira Salles que acaba de ser premiado no Festival de Cinema Real de Paris, abre o evento no Rio de Janeiro.

    Os 141 títulos serão exibidos em 11 salas: seis em São Paulo - Centro Cultural Banco do Brasil, Centro Cultural São Paulo, Cinemark Eldorado, CineSesc, Cinusp e Itaú Cultural -, e cinco no Rio de Janeiro - Centro Cultural Banco do Brasil, Cine Odeon BR, Centro Cultural da Justiça Federal, Oi Futuro e Ponto Cine Guadalupe. O festival também terá extensões no CCBB de Brasília (3 a 15 de abril), no Centro Cultural CPFL, em Campinas (9 a 15 de abril) e em Porto Alegre, na Casa de Cultura Mário Quintana (23 a 29 de abril).

    Conheça o restante dos títulos do festival e programe-se no site oficial do É Tudo Verdade.