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    É TUDO VERDADE: Filme discute legado de Star Wars e ironiza George Lucas

    Por Heitor Augusto
    10/04/2010

    Assumidamente um filme de fã, O Povo Contra George Lucas abre uma discussão que dá pano pra manga: até onde as sequências, franquias e prequels são fruto de necessidade artística ou mercadológica? O fã deve aceitar a ideia de que uma continuação pode ser inferior e desnecessária ou ele é mais uma peça que faz a indústria do entretenimento girar? Em última instância, o filme é de quem fez ou de quem assiste?

    Lançado em 1977, Star Wars, um dos pontos importantes da história do cinema, é o objeto de estudo do documentário de Alexandre O. Phillipe, que integra o panorama Estado das Coisas do É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários. O longa terá sua próxima exibição neste sábado (10/04) na Cinemateca (veja programação abaixo).

    Fãs, geeks, nerds, cineastas, historiadores, críticos de cinema, jornalistas e chefe de estúdio compõem o panorama de investigação do filme, que ainda tem aquela sempre bem vinda dose de ironia, e apresenta um mundo que provavelmente será desconhecido para as novas gerações que acompanharam apenas as sequências, divididas em Episódios.

    Não sou fã de Guerra Nas Estrelas e, infelizmente, não pude assistir à versão original. Ou seja, o que conheço da obra é apenas o retoque feito por George Lucas em 1997 – aliás, este retoque é uma das críticas mais fortes ao cineasta.

    Mesmo não sendo muito próximo do filme, e assumindo Darth Vader e Luke Skywalker como elementos da cultura pop, há muito o que se aproveitar do documentário e traçar paralelos com outras sequências.

    O primeiro grande aspecto é como Lucas, com o passar dos anos, colocou em segundo plano a posição de cineasta para tornar-se mais produtor, business man, e manter uma marca consolidada no mercado. O que aconteceu com aquele realizador fissurado na criação de imagens? Foi engolido pela máquina cinematográfica que ele mesmo achava maléfica no início?

    O segundo ponto forte é perceber o quanto esse filme significa para os fãs. Os entrevistados falam de Star Wars com o mesmo fanatismo de um corinthiano crente no título da Libertadores ou de alguém que acaba de descobrir o encantamento da paternidade ou materinidade. Brigam, xingam, remontam o filme do jeito que acham digno, não controlam as emoções.

    Este aspecto leva à terceira e mais interessante discussão de O Povo Contra George Lucas: um filme pertence a quem? Dentro das artes, creio que essa questão seja uma particularidade do cinema. Cada produção pode ser objeto de dezenas de interpretações conflitantes. Dentro de um mesmo filme, cada um faz o seu próprio, seja o diretor, ou o fotógrafo, ou o eletricista ou nós, o público.

    Um filme só existe mesmo quando chega à tela, é exibido e desperta sensações, opiniões, posturas. Histórias que tocam o coração como se fossem escritas especialmente a nós ou planos que avivam a memória ou afirmações que se parecem com a maneira que enxergamos o mundo.

    O Povo Contra George Lucas põe um ponto de interrogação na figura do criador. Não seria uma ofensa aos fãs cujas vidas dialogaram sinceramente com Star Wars alterar um filme que é reflexo de seu tempo? Não seria essa “necessidade” de revisão e a corrida maluca por “atualizar” uma história um sinal da falta de criatividade da indústria?

    O documentário é um bom primeiro passo para discutir. Seu único defeito está justamente na essência. Como é feito por um fã, o filme defende a continuação da franquia, pois, assim, os fãs não ficariam órfãos. Entendo essa relação de amor e ódio (que existe também no futebol, como nos lembrou Ken Loach em À Procura de Eric), mas, depois de tantas afirmações contundentes, um desfecho assim, conciliador, é quase um tapa na cara do restante do filme.

    O Povo Contra George Lucas

    SÃO PAULO
    Sábado (10/04), às 16h, na Cinemateca Brasileira
    Sábado (17/04), às 20h, na Cinemateca Brasileira

    RIO DE JANEIRO
    Sábado (10/04), às 20h, no Instituto Moreira Salles
    Quinta-feira (15/04), às 9h, no Ponto Cine
    Sexta-feira (16/04), às 15h, no Cine Santa Teresa
    Domingo (18/04), às 18h, no Instituto Moreira Salles