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    Elenco feminino de O Bem Amado defende produções voltadas ao público jovem

    Por Amanda Carvalho
    23/07/2010

    Foi em forma de papo descontraído, algo como a reunião de amigas na mesa de um bar, que o Cineclick conversou com Zezé Polessa, Maria Flor e Andréa Beltrão, parte do elenco feminino de O Bem Amado. Com três das quatro atrizes do elenco – Drica Moraes está internada, tratando da leucemia –, formou-se o Clube da Luluzinha, conforme Andréa brincou. No entanto, essa divisão permitiu leveza e muito tempo para a nossa conversa.

    Viver os personagens é sempre mais fácil com o figurino ideal, e as meninas garantem que elas tiveram esse privilégio. “Figurino é tudo. O personagem só fica pronto quando o ator está montado”, opina Maria Flor. A atriz de 27 anos revela, ainda, que a maior preocupação de Andréa Beltrão é a peruca que vai usar. “Posso contar?”, pede aos risos. “A Andréa ouve o diretor dar todas as orientações para ela e já pergunta: ‘Tá, mas e o meu cabelo? Eu preciso saber qual cabelo eu vou usar!’”, entrega a colega de trabalho.

    E o cabelo faz toda a diferença mesmo! Andréa conta ao Cineclick que, depois de vestir a peruca loira de sua personagem em O Bem Amado, sentiu-se pronta para fazer uma das cenas que mais gosta do filme: Dulcinéa entra no escritório de Odorico Paraguaçu (Marco Nanini) e interrompe uma conversa do prefeito com seu secretário, Dirceu Borboleta (Matheus Nachtergaele). A loira, então, faz caras, bocas e poses para Dirceu e Odorico, questionando-os a respeito dos atributos que tem ou deixa de ter. “Me senti linda com aquela peruca”, brincou Andréa.

    Mas não foi só a peruca que foi essencial na cena. “Sempre quis trabalhar com o Matheus. Ele é ótimo, cria toda a atmosfera”, elogia Andréa. Ela não foi a única a realizar o sonho de trabalhar com alguém neste filme. Maria Flor admite que tremeu de medo por contracenar com Marco Nanini – em O Bem Amado, Maria Flor é Violeta, filha de Odorico: “Eu estava muito nervosa, mas ele me deu a maior força. É um grande ator. E eu só pensava ‘Caraca, não posso errar’. Ele dizia pra eu ficar tranquila, pensar nas marcações do Guel e fazer o texto conforme viesse à minha cabeça.”



    O remake da obra traz a inevitável questão a respeito de inspirações e mudanças com base no que já foi feito no teatro e na TV. Todas defendem que uma boa história merece ser recontada e, portanto, para viver as Irmãs Cajazeiras, conhecidas pela interpretação de Ida Gomes, Dorinha Duval e Dirce Migliaccio, decidiram partir do zero. A intérprete de Dulcinéa acredita que as irmãs ganharam ares mais próximos do atual, procurando se diferenciar do que já foi feito. Guel Arraes, diretor do longa, contou que as irmãs são as três personalidades de uma personagem: a responsável (Dorotéa, vivida por Zezé), a romântica (Andréa, como Dulcinéa) e a doida (Drica, a Judicéia).

    A opinião do elenco e do diretor sobre inspirações coincidem, tal qual o ponto de vista sobre o teor político. “O filme nem era pra ser lançado agora. Devia ter chegado aos cinemas no verão do ano passado [2009]. Não tem nada com o ano eleitoral”, explica Andréa. “Se tem uma proposta de reflexão, não é proposital”, acredita Zezé.

    O que importa é fazer cinema, certo? Certíssimo. Maria, Zezé e Andréa defendem a valorização do cinema nacional, o aumento de produção e de salas que abram espaço para a exibição do que é feito aqui.

    Na onda do cinema brasileiro, Andréa critica “o mito do milhão” que, segundo ela, é “achar que um filme faz sucesso só quando arrecada milhões em bilheterias.” A discussão toda começou com uma simples pergunta do Cineclick para Maria Flor. A série de TV Aline daria um filme, ainda mais agora, que o mercado investe em produções para o público jovem? Andréa prefere não segmentar público de filme, para não limitar. Zezé diz que gosta de variedade de público em uma sala de cinema, para que possa discutir a ideia do filme.


    AlineRede Globo

    O Bem Amado