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    Eliane Caffé (O Sol do Meio Dia)

    Por Heitor Augusto
    25/09/2010

    Os 23 anos de carreira da cineasta Eliane Caffé demonstram que, em matéria de qualidade do elenco, seus filmes estão muito bem servidos: José Dumont, Nelson Xavier, Matheus Nachtergaele e Jonas Bloch são alguns dos nomes da ficha técnica de seus filmes.

    Caffé chega ao terceiro longa-metragem: O Sol do Meio, que estreia em 1º de outubro, acompanha um triângulo amoroso protagonizado por Luiz Carlos Vasconcelos, Chico Diaz e Cláudia Assunção. “É um presente para a câmera quando temos atores que mergulham no personagem”, afirmou a cineasta em entrevista exclusiva concedida ao Cineclick em sua casa.

    O Sol do Meio Dia, nas palavras de sua diretora, “faz uma aproximação microscópica de quem atravessou a margem e cometeu um crime”, acontecimento que marca a trajetória de Artur (Vasconcelos). Mas também nos delicia com um engraçado e perdedor personagem, Matuim (Diaz), e uma introspectiva moça, Ciara (Cláudia).

    Na conversa abaixo, Eliane Caffé revela detalhes de seu processo de criação, da inspiração em Dostoiévski no início do roteiro e defende que o cinema vive uma crise de dramaturgia. “Esse retorno do documental inserido na ficção é uma forma de arejar, buscar outra maneira de narrar, ou seja, de construir dramaturgia que não seja da maneira que se faz convencionalmente”. Leia a seguir a íntegra:

    Logo no começo do projeto, quando ainda se chamava Andar às Vozes, qual foi o pontapé inicial para a história?
    O comecinho foi com Crime e Castigo, do Dostoiévski, a primeira faísca de inspiração, que me deixou muito impressionada, a obra dele é uma herança incrível para a humanidade. Conversando com o Luiz Alberto de Abreu [corroteirista e dramaturgo], pensamos em trabalhar com a polifonia, não ter um único personagem dominante. A primeira coisa que surgiu foi a questão do crime, mas, veja bem, nunca quis associar o filme ao livro do Doistoievski, denso e cheio de subtextos.

    A ligação que mantínhamos era no tratamento da questão da violência, do crime, mas bem no começo. Pensar na morte antecipada, fazer um zoom, uma aproximação e dilatar o sentimento de quem atravessou a margem, porque matar uma pessoa é ir para o outro lado. Tem coisas que fazemos que muda como olhamos o outro, óbvio que dentro de uma certa moral e ética...

    Caso do protagonista Artur, né?
    Sim. Quem tem o conflito, um gesto desse cria uma fissura na vida, como se nunca mais pudesse voltar par a outra margem. Esse foi o início. Tanto que o texto que ele fala no final [não se trata de spoiler, já que a morte está presente na primeira sequência] é como se o exato momento em que ele mata fosse congelado e ampliado milhões de vezes. É engraçado porque parece que o filme foi construído para chegar a esse final, mas não previa isso, achava que era descrição de um horror. Só que do jeito que saiu, fica entre o horror e uma simbiose única, momento em que matador e vítima se uniram. Viajei nessa história: se você mata alguém, a ligação com essa pessoa é única.

    Mas e a polifonia na narrativa? Como influenciou?
    Depois do Artur, nasceram as trajetórias de Matuim e Ciara [o trio de protagonistas que conduz o filme]. Pensamos muito o que fazer, porque o espectador acompanha um personagem e, de repente, aquilo é interrompido e tem de recomeçar, achava que sairia esquemático demais. Tentamos fazer uma edição diferente disso, mas aí o filme se desfez.

    Enfim, tem muitas coisas que filmamos e ficaram de fora do filme. A participação do Ari Fontoura era muito maior e linda, mas perdeu espaço na edição. Tem uma cena enorme em que ele sobe num lugar altíssimo, num teto de uma igreja e grita para a cidade toda chamando a atenção. Essa cena foi incrível, mas desapareceu.


    O Matuim tem aquele jeito alegre, mas quando ele perde a peruca parece que sua dignidade vai embora. Explique esse elemento, por favor




    Já que estamos falando na performance dos atores, você já dirigiu de José Dumont a Matheus Nachtergaele. Como consegue ter tanto ator bom em seus filmes?
    setKenomaNarradores de Javé



    O Chico e o Luiz já estão na estrada há muito tempo, mas como você trabalhou com a Cláudia Assunção?




    Como você chamou o Ari Fontoura para o filme?


    Por que você opta tanto por planos fechados, especialmente no olho dos personagens?
    O Louco dos Viadutos

    O Sacrifício

    O Sol do Meio Dia

    Passava pela sua cabeça que o uso de planos fechados poderiam levar o filme a melodrama negativo?


    Desde o começo estava definido que o filme não teria trilha, apenas o som ambiente?






    Não te dói chegar na edição e cortar algo tão importante de um personagem?


    Todos os seus longas foram escritos em parceria com o dramaturgo Luiz Alberto de Abreu. Como é seu trabalho com ele?


    Crise de dramaturgia?


    Narradores de JavéO Céu Sem Eternidade





    Mas, em teoria, isso dentro de uma narrativa mais clássica também é possível!




    Tartarugas Podem VoarTempos de Embebedar Cavalos

    Além dessa dramaturgia, o que ainda te interessa a contar como cineasta?






    Você identifica uma ausência de sentido na modernidade...