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    Elysium: Confira a entrevista com o diretor Neill Blomkamp

    Cineasta não poupa elogios ao brasileiro Wagner Moura
    Por Paoula Abou-Jaoude, enviada especial do Cineclick
    21/09/2013

    Elysium chegou aos cinemas nesta sexta-feira (20) e certamente foi uma das ficções científicas mais aguardadas do ano. O Cineclick participou de uma entrevista com o diretor Neill Blomkamp, excluisiva para os membros da Associação de Correspondentes Estrangeiros de Hollywood (HFPA).

    Confira:

    CineClick - Como Wagner Moura entrou para o elenco de Elysium?

    Neill Blomkamp - Bem, duas coisas aconteceram ao mesmo tempo. Eu estava trabalhando em Distrito 9 quando vi o ator no filme Tropa De Elite e depois em Tropa De Elite 2, que eu gostei ainda mais. Wagner é tão surpreendente como ator nesses filmes que eu realmente queria trabalhar com ele. Enquanto escrevia o rascunho do roteiro de Elysium, pensava em rodá-lo não em Los Angeles, mas no Rio de Janeiro, porque o Brasil pertence às nações que compõem o BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), eu realmente queria que o filme reproduzisse os temas com os quais estes países lidam no memento. Mas depois eu pensei que seria mais interessante mostrar uma espécie de versão quebrada da América e o filme mudou-se do Brasil para Los Angeles. Mas as escolhas de elenco permaneceram e se realizaram. Eu queria a característica do brasileiro, assim acompanhei Wagner através de seu agente e quando finalmente nós nos conhecemos eu soube que ele deveria desempenhar este papel. Eu adoro o Wagner, ele é muito legal!

    Cineclick - Sua história retrata uma divisão extrema entre pobres e ricos. O quanto você quer que isso seja discutido?

    Neill - Acontece que, e eu não sei se é porque eu cresci na África do Sul, esses tópicos não vão sair da minha mente, e eu não sei por quê. Eu acho que qualquer artista deve transformar o que está vendo e o que está pensando em alguma forma de arte. É assim que eu descreveria o filme, ele é como as minhas observações. O filme não é futurista, ele é sobre o agora, então isso significa que, obviamente, não há nenhuma resposta ou antídoto sugerido. E ele não tem uma mensagem por causa disso, mas tem todos esses ingredientes que me interessam. Mas também acho que, fora do filme, os problemas são inerentemente insolúveis. Precisamos mudar nossa composição genética ou criar computadores que vão analisar de fora. Eu não acho que os seres humanos são capazes de lidar com o que temos, porque, a menos que você mude a natureza humana, estamos caminhando para continuarmos sendo os mesmos. Acho que a tecnologia é a única maneira de nos livrar de um problema que criamos.

    Cineclick - É por isso que muitos filmes de ficção científica preveem um futuro ruim? Não podemos imaginar um futuro que não está tão escuro?

    Neill - Bem, eu acho que há dois pontos. Uma destas partes é o fato de que o conflito vem de um futuro hipotético. E o conflito é inerente à narrativa cativante. Acho que pura utopia torna-se um pouco mais diferente e difícil de fazer, ela é possível apenas em um nível narrativa pura. Mas, ao mesmo tempo, acho que estamos em um lugar onde a situação do mundo em que vivemos agora está se tornando cada vez mais real. O problema que o mundo enfrenta o torna inerentemente insustentável. Não podemos sobreviver da maneira que estamos fazendo. Então, isso significa que há uma catástrofe.

    Cineclick - Você é otimista ou pessimista em relação ao futuro?

    Neill - Eu vou avançar e recuar. Em Elysium fizemos um monte de trabalho usando helicóptero. Quando estava sempre sobrevoando por horas a Cidade do México, olhando apenas concreto cinza, tanto quanto sua visão pode alcançar, sentia como se não fossemos conseguir fazer aquilo. Eu sei que vou começar a soar como pessimista, mas realmente estamos em um ponto em que não vai ser jardinagem local que vai nos salvar.

    Cineclick - Você realmente acha que os ricos terão de ir para o espaço para sobreviver?

    Neill - Não. Mas acho que para a humanidade sobreviver, você tem que ir para o espaço. É por isso que Elon Musk (Fundador da SpaceX) é legal. O rico e o pobre no filme são uma metáfora, mas não é realmente sobre isso. Aqui está outra maneira, se você voltar para a era dos dinossauros e apenas jogar o filme para 350 anos à frente, ao longo do tempo, você está realmente se transformando em humano, ou é apenas um animal evolutivo que só continua tomando formas diferentes? Isso significa que nós vamos nos transformar em outra coisa. A questão é se a extinção vai acontecer antes ou depois que isso acontece. Ok, mais uma vez eu pareço muito pessimista (risos), eu não sou realmente pessimista, mas antes que as armas nucleares e a fome venham, vou sair do planeta! (risos).