Entenda o que é Cyberpunk, de Blade Runner a Matrix

Subgênero da ficção científica é conhecido pelo foco em alta tecnologia, baixa qualidade de vida e decadência social

19/10/2020 15h45 (Atualizado em 28/10/2020 16h13)

Por Daniel Reininger

Com Matrix 4 e o jogo Cyberpunk 2077 chegando em breve, além de filmes como Blade Runner e Vigilante Do Amanhã em destaque nas programações de TV e streaming, a temática Cyberpunk fica cada vez mais em evidência. Mas você sabe o que é essa temática? O Cineclick explica.

O que é

Cyberpunk é um subgênero de ficção científica conhecido pelo foco em alta tecnologia, baixa qualidade de vida e decadência social. É um dos temas mais explorados da ficção científica, mesmo que você não o reconheça imediatamente.

Os personagens costumam ser marginalizados, solitários e vivem em futuros distópico, onde a vida diária é impactada pela rápida mudança tecnológica, por uma atmosfera de informação computadorizada e pelas modificações invasivas do corpo humano.

Um cenário típico cyberpunk apresenta uma cidade empobrecida, decadente controlada por um governo ou corporação inescrupuloso. Apesar de pobre, as cidades desse subgênero costumam estar repletas de luzes fortes e exuberantes, geralmente com tons de rosa, roxo, azul ou vermelho. Chuva constante também é um elemento comum. Quem viu Blade Runner - O Caçador De Andróides ou Blade Runner 2049 sabem bem disso:

 

Atmosfera

Nessas histórias, normalmente há uma agitação social devido à desigualdade entre as classes sociais, ou seja, os pobres são muito pobres e os ricos muito ricos. Mesmo assim, os cidadãos de classe baixa têm acesso à tecnologias variadas como celulares, aparelhos de realidade virtual, melhorias cibernéticas em seus corpos, inteligência artificial, armas e até mesmo drogas. Soou familiar? 

É comum um indivíduo com algum tipo de habilidade extraordinária ser vítima da sociedade opressora e partir para a luta. Com isso, o protagonista logo se encontra envolvido em uma conspiração complexa e isso traz reflexões sobre a própria natureza da humanidade.

O termo também serve para caracterizar a subcultura marcada pela preferência por música psicodélica, a fusão entre punk rock e música eletrônica, além de um visual futurista e alternativo.

Cyborgue feminina em mundo cyberpunk

O subgênero serve como metáfora para as preocupações atuais sobre os efeitos e o controle das grandes corporações sobre as pessoas, a corrupção nos governos, a alienação e a vigilância tecnológica, questões cada vez mais presentes na sociedade.

Outro aspectos do cyberpunk é que muita da ação acontece virtualmente, ou seja no ciberespaço, assim, a fronteira entre o real e o virtual não é sempre clara. Uma característica típica (ainda que não universal) desse gênero é uma ligação direta entre o cérebro humano e sistemas de computador.

Origem

O termo foi criado em 1980, pelo escritor Bruce Bethke em seu conto Cyberpunk, publicado em 1983 pela Amazing Science Fiction Stories, Volume 57, Número 4.

O estilo descreve o lado niilista, uma visão cética radical da realidade, e underground da sociedade digital desenvolvida a partir das últimas duas décadas do século XX. O mundo cyberpunk é distópico, ou seja, o contrário das visões utópicas e otimistas da ficção científica, como vista em Star Trek.

O termo logo ganhou força para categorizar as obras de escritores como William Gibson, Bruce Sterling, John Shirley, Rudy Rucker, Michael Swanwick, Pat Cadigan, Lewis Shiner, Richard Kadrey e outros.

William Gibson, com o livro Neuromancer, é o mais famoso escritor relacionado com o termo. A obra foi aclamada por críticos e ganhou diversos prêmios.

Cinema e TV

Embora essa temática seja mais vista na literatura, RPGs de mesa, videogames e Animes, foi o filme Blade Runner - O Caçador De Andróides (1982), adaptado do livro Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?, de Philip K. Dick, que definiu o visual cyberpunk como conhecemos.

O longa mostra uma distopia na qual seres manufaturados chamados replicantes são usados como escravos em colônias do espaço e, na Terra, vários caçadores de recompensas se encarregam de "aposentá-los".

William Gibson revelou posteriormente que, ao ver o filme, se surpreendeu a perceber que o visual do filme era similar com a sua visão do mundo do livro Neuromancer.

O número de filmes do gênero viu um crescimento nos anos 90 e 2000. Vários dos trabalhos de Philip K. Dick trazem elementos cyberpunk, como, Minority Report - A Nova Lei (2002), O Pagamento (2003) e O Homem Duplo (2006).

Robocop - O Policial Do Futuro é um exemplo típico do tema, onde uma corporação, a OCP, domina a cidade de Detroit e o protagonista, um policial transformado em um ser cibernético obediente, se revolta contra o sistema.

Robocop

Johnny Mnemonic - O Cyborg Do Futuro (1995), com Keanu Reeves, foi um fracasso comercial e de crítica, mesmo baseado na obra de mesmo nome de William Gibson. O que diminuiu um pouco a exploração dessa temática nas telonas e dificultou a adaptação da principal obra do gênero para as telonas: Neuromancer.

Entretanto, diversas obras se inspiraram na temática mesmo de forma menos explícita. O diretor Darren Aronofsky afirma que sua obra-prima Pi (1998), ambientada na Nova York atual, tem influências claras das temáticas cyberpunk. Gattaca - Experiência Genética (1997), dirigida por Andrew Niccol, é outro exemplo.

Já a franquia Matrix (iniciada em 1999), também com Keanu Reeves, usa uma ampla variedade de elementos cyberpunk e é um dos principais filmes associados ao subgênero atualmente.

E recentemente o gênero voltou às telonas com Alita: Anjo De Combate e A Vigilante Do Amanhã: Ghost In The Shell. E, no streaming, temos um bom exemplo é Altered Carbon, série da Netflix ficção baseada no romance de Richard K. Morgan. A primeira temporada chegou em 2018. Apesar desse programa, a maioria das séries do gênero, porém, são em formatos de anime, os desenhos japoneses, como Psycho Pass e Ghost in the Shell.

Além disso, a antologia animada Amor, Morte & Robôs, da Netflix, traz diversas histórias como a temática, como no capítulo Sonnie's Edge, cuja história mostra uma mulher que participa de lutas de gladiadores criados por bioengenharia em uma Londres decadente.

Mangás e Games

O Japão abraçou a temática cyberpunk e muitos autores exploram esse subgênero em suas obras. Dentre os mangás, os quadrinhos japoneses, temos: Akira, Cowboy Bebop, Gunnm - Battle Angel, Bubblegum Crisis, Ergo Proxy, Armitage III, Blame!, Ghost in the Shell, entre outros, apesar das diferenças, todas partilham do visual e dos temas básicos do cyberpunk.

Outra mídia em que a temática é muito usada são os videogames, muitos deles vindo do país oriental também. Embora alguns jogos sejam baseados em filmes, a maioria são trabalhos originais, como Deus Ex, System Shock, Final Fantasy VII, Snatcher, Metal Gear, Perfect Dark, Shin Megami Tensei?, Shadowrun. Um dos títulos mais aguardados do entretenimento em 2020 é Cyberpunk 2077, RPG de ação desenvolvido e publicado pela CD Projekt, mesma empresa do aclamado The Witcher 3: Wild Hunt.

O game chega em dezembro de 2020 para Microsoft Windows, PlayStation 4, PlayStation 5, Google Stadia, Xbox One e Xbox One Serie X/S e é uma adaptação da franquia de RPG de mesa Cyberpunk 2020.

A produção conta com o astro Keanu Reeves, que aparece no título como Johnny Silverhand, um lendário roqueiro do universo da série. E o ator ajudou, até mesmo, a criar o visual das motocicletas do game, afinal, ele é dono de uma empresa de motos.

E aí, você gosta de qual obra cyberpunk? Fala pra gente!

 

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