Entenda o mundo do aguardado Duna, ícone da ficção científica

Denis Villeneuve irá dirigir a nova adaptação do livro de Frank Herbert

23/04/2020 18h10 (Atualizado em 14/09/2020 17h26)

Por Alexandre Dias

Duna, romance do escritor Frank Herbert, é uma das grandes obras da ficção científica de todos os tempos. O livro ganhará uma nova adaptação cinematográfica, sob a direção de Denis Villeneuve (Blade Runner 2049, A Chegada), que está marcada para estrear em dezembro de 2020.

O cineasta já confirmou que a trama será dividida em dois longas devido a sua riqueza de detalhes importantes. Não é para menos que o diretor queira honrar as intenções de Herbert, pois o mundo criado pelo autor é repleto de debates essenciais para a nossa humanidade, além de ser completamente imaginativo dentro dos moldes do sci-fi.

Dessa forma, reunimos alguns dos elementos mais importantes do universo de Duna para você se localizar quando a nova adaptação estrear e também relembrar a qualidade inestimável da produção de Frank Herbert:  

Época

A trama de Duna se passa em um futuro muito mais distante do que a maioria das obras de ficção científica, em um período que ultrapassa os anos 20.000. Esse detalhe é crucial para o estabelecimento daquele universo, pois a organização da sociedade mesclou características rústicas com as futurísticas. 

De um lado naves e armamentos modernos mostram o avanço tecnológico da raça humana, do outro o sistema praticamente feudal de Casas em torno de um Império prova que as pessoas recorreram a uma estrutura política retrógrada. Há, por exemplo, um local que remete aos gladiadores da Roma Antiga, que se chama Salusa Secundus; é um planeta-prisão, onde muitos dos Sardaukar, os guerreiros cruéis e implacáveis do Império, se formam. 

Especiaria e economia

A especiaria cerca toda a economia de Duna. O primeiro motivo é que a substância parecida com a canela, como Herbert descreve, ainda é desconhecida em muitos aspectos naquele universo, afinal, está presente em quantidade massiva no distante Arrakis. 

O planeta em questão é o alter ego do título do livro. Ele é conhecido pelas condições inóspitas dos seus desertos e pelo ambiente hostil entre as casas reais que o ocupam e os fremen, povo tribal da areia. Essa última comunidade também tem um papel central na história e é muito conhecida pelos seus olhos azuis, efeito colateral do consumo da especiaria. 

Inclusive, a relação dos fremen com a substância é um dos pontos de partida para as discussões sociais da obra, pois o valor da especiaria para eles tem um significado completamente diferente daquele aos olhos das instituições econômicas ao redor do universo, mas nem por isso esse povo não tem noção disso. 

Ecologia

As discussões ecológicas de Duna promovidas por Herbert são completamente atemporais. O debate vai muito além de diferenciar Arrakis de Caladan, o planeta natal abundante em água da Casa Atreides, a família protagonista da história; há realmente um estudo sobre o ciclo da vida em diferentes ambientes. 

Muito disso se deve a dois elementos: Liet-Kynes e os vermes da areia. O primeiro é o planetólogo do Império que tem uma relação misteriosa com os fremen; as suas explicações e indagações chegam a ser didáticas em determinado momento da obra, como se ele estivesse dando uma aula ao próprio leitor. Na adaptação de David Lynch essa característica do personagem não foi esquecida na interpretação de Max Von Sydow. No filme de Villeneuve o seu gênero foi alterado, e quem o viverá é a atriz Sharon Duncan-Brewster. 

Já os vermes são criaturas gigantes que surgem do deserto de Arrakis. Porém, eles não são meros monstros assustadores, mas sim derivados das condições daquele lugar. 

Religião

A fé e as crenças da humanidade são a outra ponta da complexidade dos debates de Duna. A começar pelos Atreides, a mãe do jovem protagonista Paul, Lady Jessica, faz parte das Bene Gesserit. O grupo é uma comunidade de mulheres que controla as linhagens familiares do universo por meio de uma racionalidade extrema. Elas têm a profecia de que o Kwisatz Haderach, um Messias homem, está a surgir. 

Esse suposto salvador também faz parte no que os fremen acreditam por outro prisma. Portanto, em várias camadas da obra de Herbert, esse indivíduo que mudará o curso da humanidade é colocado em cheque com perguntas que as pessoas sempre farão: quem pode ajudar o mundo? Quais são as suas intenções? Como cada ser enxerga um Messias? Quem é o Messias? Em que é baseada a fé de um determinado grupo?

Magia e Ciência

Herbert aborda o aspecto "sobrenatural" de Duna de um modo aberto, que em alguns momentos sugere ser um dom mágico e em outros um fruto da racionalidade e da ciência humana. O maior exemplo disso são os dos dons psíquicos das Bene Gesserit; elas possuem uma Voz que pode controlar os indivíduos, contudo é uma habilidade que vem do treinamento e não do além. 

Assim, a história acaba por ter um aspecto fantasioso que é cativante até os dias de hoje, pois não tem uma explicação palusível de propósito e deixa para o leitor refletir sobre aquilo. O longa de David Lynch também traz essa importante característica desse mundo, como, por exemplo, na idêntica cena ao texto original em que Kynes se pergunta como Paul colocou um traje especial certo da primeira vez. Ele é mais inteligente que outras pessoas? Ou é outra coisa? São essas e outras questões que tornam Duna uma das maiores histórias da cultura pop e geram uma grande expectativa para os novos filmes. 

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