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    'Verdadeiramente maravilhoso', celebra escritor Joe Hill sobre sucesso de 'O Telefone Preto'

    Autor do conto que inspirou o longa revelou detalhes da produção em entrevista exclusiva ao Cineclick

    Por Thamires Viana
    27/07/2022 - Atualizado há 12 dias

    O Telefone Preto, novo terror de Scott Derrickson estrelado por Ethan Hawke e Mason Thames, já está em cartaz nos cinemas brasileiros apavorando o público com uma trama sinistra! 

    Com 83% de aprovação no Rotten Tomatoes, site agregador de críticas, o longa é baseado no conto homônimo do escritor Joe Hill e acompanha a história de um jovem de 13 anos que é sequestrado por um assassino sádico e logo descobre que pode ouvir as vozes das outras vítimas.

    Para celebrar o grande sucesso do longa nas telonas, o Cineclick traz uma entrevista exclusiva com Joe Hill. No papo, ele fala sobre suas inspirações para escrever o conto, a emoção de ver o filme nos cinemas e o que ele sentiu ao ler o roteiro pela primeira vez.

    Confira: 

    Como você se sente em ver O Telefone Preto como um filme?

    Joe Hill: Em primeiro lugar, é um filme tão extraordinário e estou muito grato que Scott Derrickson e Robert Cargill [roteirista] o fizeram como seu projeto! Eu me sinto incrivelmente sortudo por ter alguém pegando um conto que eu escrevi em 2004 por US$ 50 e fazer um filme tão emocionalmente autêntico e verdadeiramente assustador. 

    O conto O Telefone Preto foi publicado em uma pequena revista de horror britânica e depois tornou-se parte da minha primeira coleção 'Fantasmas do Século XX'. Eu escrevi muito rapidamente, em cerca de uma semana, e pude sentir que queria fazer dele um romance e que havia mais história ali. Porém, eu não tinha muita coragem para ir em frente, pois eu ainda não tinha um romance publicado e não estava certo que eu poderia fazê-lo. Então, avançando 15 anos ou mais, é interessante ver como Scott e Robert pegaram aquele conto e escreveram para a tela o romance que ele poderia ter sido. 

    Qual foi a inspiração para escrevê-lo? 

    Joe Hill: Eu não tinha pensado nisso até recentemente, e então me ocorreu de repente. Eu cresci em uma casa vitoriana do século 19 em Bangor, no Maine. E quando nos mudamos, o porão era uma espécie de espaço inacabado com chão de terra, teias de aranha, quartos sombrios com paredes de tijolos parcialmente expostos e pequenas passagens, além de um telefone antigo que não funcionava.

    Provavelmente ele era dos anos 30 ou 40, e não estava ligado a nada. Então, isso tem que ser o gênese desta história! Sabe, muito da minha ficção é sobre objetos que não usamos, as coisas que queremos ou esperamos que eles façam, e a ideia de um velho telefone desconectado que toca de qualquer maneira apenas me parece inerentemente assustador! 

    Quais foram suas influências para escrever essa história? 

    Joe Hill: Gosto de pensar que tenho uma gama bastante ampla de influências. Provavelmente o maior deles são meus pais, pois ambos são romancistas. Meu pai é o escritor Stephen King, e quando olho para essa história vejo muita influência do meu pai. Também adoro os contos de Ray Bradbury e Jack Finney. Na realidade, Finney Shaw recebeu o nome dele, mas não houve uma influência específica em O Telefone Preto. Eu meio que descobri minha própria voz na época. 

    Cena de O Telefone PretoReprodução

    Quanto do conto que você escreveu está no filme? 

    Joe Hill: O que me surpreende no filme e é tão gratificante para mim como escritor é que tudo o que está no conto está no filme! Assim, cerca da metade do filme é o que está no conto, e depois isso foi expandido. O Telefone Preto constrói habilmente a história e os personagens que escrevi com grande inteligência emocional. E há uma riqueza no filme que torna difícil de explicar!

    O que você achou do roteiro quando o leu pela primeira vez?

    Joe Hill: Eu senti arrepios e estava tão animado que não conseguia sentar na minha cadeira! Então tivemos algumas conversas sobre decisões criativas e tudo que eu posso dizer é que tanto Scott Derrickson quanto Robert Cargill foram incríveis colaboradores. Então, a verdade é que eu não precisava falar muito, porque o que eles entregaram foi incrível desde o início. Eu pensei que se fosse feito seria um dos maiores momentos de sorte em toda a minha carreira porque foi um roteiro lindamente projetado. Eu estava realmente esperando que acontecesse, já que muitas coisas podem estar em desenvolvimento sem nunca chegar na tela. Então, eu me sinto muito sortudo por ter sido feito, e o que saiu foi ainda melhor do que eu esperava! 

    O que mais te surpreendeu no filme? 

    Joe Hill: Acho que não tinha previsto o quão assustadora a máscara do vilão – com suas partes mutáveis ​​– seria! Isso foi discutido no roteiro, mas eu não pensei nessa imagem instantaneamente icônica. Além disso, quando você está trabalhando com crianças, você não sabe o que você vai conseguir, e este filme é ancorado não apenas por uma, mas duas performances infantis surpreendentes. Mason Thames e Madeleine McGraw são absolutamente eletrizantes! Observando-os, você sente que está vendo crianças reais em um momento real, sem clichês. Eles são altamente indivíduos particulares, únicos e fascinantes. Você também tem essa máscara que ninguém nunca vai esquecer, essas performances infantis incríveis, uma situação sobrenatural projetada com o coração, e Ethan Hawke entregando talvez o desempenho mais chocante de sua carreira. 

    Ethan Hawke interpreta o vilão da história, conhecido como O Sequestrador. O que te inspirou a escrever esse personagem aterrorizante? 

    Joe Hill: Quando escrevi a história, pensei um pouco em John Wayne Gacy [o palhaço assassino] e outro assassino de crianças bastante horrível dos anos 80 na área de Boston que me impressionou. Coisas assim nunca deveriam acontecer, e houve um caso em particular que me pareceu interessante em abordar. Uma das coisas que eu gosto em O Telefone Preto é que ele meio que dá às vítimas suas vozes e forças de volta, de uma maneira que eu sinto que é emocionalmente eficaz e significativo. 

    Cena do filme O Telefone PretoReprodução

    E a atuação de Ethan Hawke como O Sequestrador também é bastante memorável, não é?

    Joe Hill: É uma atuação inesquecível! Eu acho que esse personagem vai assombrar muitas pessoas, dando-lhes noites de sono inquietas! E o fato de não podermos ver seu rosto – devido à máscara – o torna muito mais aterrorizante. Literalmente o desumaniza e o transforma em algo demoníaco!

    O que você acha que Scott Derrickson trouxe para o longa como diretor? 

    Joe Hill: Habilidade e confiança! Ele sabia perfeitamente sobre o que era cada cena e há uma compreensão total do período e do lugar, bem como uma perfeita engenharia da história, para assustar e prender a audiência com suspense. Usando uma metáfora esportiva, Scott nunca exagera no lance. Há apenas esse poder silencioso e discreto ao longo do filme que acaba sendo um dos principais motivos de sua eficácia.

    Cena de O Telefone PretoReprodução

    E por falar nisso, O Telefone Preto não é um filme povoado por sustos fáceis, mas sim enraizados no horror real!

    Joe Hill: Sim, porque Scott entende como o terror real funciona. Em filmes de terror ruins, os personagens não têm profundidade e então um serial killer vem e os derruba como pinos de boliche. O bom horror é dar às pessoas personagens completos pelos quais eles podem se apaixonar e torcer. O público está lá no escuro com eles, da mesma forma que estamos no porão com Finney, esperando e ao mesmo tempo com medo de que o telefone preto toque. O bom horror tem a ver com empatia, compaixão e um investimento emocional, enquanto o horror ruim é uma série de piadas sádicas! 

    O que te assusta na vida real? 

    Joe Hill: Eu me assusto facilmente, o que provavelmente é uma coisa boa porque se eu fosse imune, eu não seria capaz de escrever coisas assustadoras!

    Você poderia imaginar na época que isso acabaria tornando-se este filme extraordinário? 

    Joe Hill: Nem nos meus sonhos mais loucos! Quando o conto apareceu nesta pequena revista de terror britânica chamada The Third Alternative, eu nunca poderia imaginar que 15 anos depois se tornaria este filme verdadeiramente maravilhoso. Parece bom demais para ser verdade! 

    O Telefone Preto

    Na trama, Finney (Mason Thames) é um garoto tímido e que sofre bullying, mas que se destaca por sua inteligência. Um dia, ele é capturado por O Sequestrador (Ethan Hawke), um assassino sádico que o prende em um porão à prova de som. 

    Quando um telefone desconectado na parede começa a tocar, Finney descobre que pode ouvir as vozes das vítimas anteriores do assassino. Elas estão determinadas a garantir que o que aconteceu com elas não aconteça com o garoto.

    Dirigido por Scott Derrickson e com roteiro dele em parceria com C. Robert Cargill, O Telefone Preto ainda traz no elenco nomes como Madeleine McGraw, Jeremy Davies, James Ransone e E. Roger Mitchell.

    Com distribuição da Universal Pictures, o longa já está em cartaz nos cinemas.

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