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    Equipe apresenta Meu Nome Não É Johnny

    Por Da Redação
    14/12/2007

    No começo desta semana, em São Paulo, a equipe de Meu Nome Não É Johnny se reuniu com a imprensa para falar sobre o filme. O evento contou não somente com a presença de parte do elenco do longa - como o protagonista, Selton Mello (O Cheiro do Ralo), além de Cléo Pires (Benjamin), Cássia Kiss (Não Por Acaso), Julia Lemmertz (Jogo Subterrâneo) e a estreante em cinema Rafaela Mandelli -, mas também com o diretor Maulo Lima (Tainá 2 - A Aventura Continua), a produtora Mariza Leão e o próprio João Guilherme Estrella, produtor musical cuja história deu origem ao filme.

    Meu Nome Não É Johnny é baseado no livro homônimo escrito por Guilherme Fiúza, que conta a história real de Estrella. Nascido numa família carioca de classe média, passou sua juventude nos anos 80 e 90 envolvido com venda de drogas. Nada a ver com filmes como Cidade de Deus e Tropa de Elite, que focam o tráfico nas favelas do Rio de Janeiro: Estrella era conhecido como um "traficante do asfalto". Ou seja, nunca pisou numa favela, obtendo drogas por outros meios e distribuindo-as em seu circulo social. "O roteiro é um pedaço do livro, trazendo um universo mais amplo dos acontecimentos", explica o próprio Estrella, que acompanhou de perto as filmagens, sem nunca interferir nas escolhas dos produtores. "Os roteiristas (Mariza e Lima) respeitaram muito o lado familiar da história, nessa parte fui bastante consultado", explica. "Tivemos algumas licenças poéticas para diminuir o casting do filme", complementa Mauro Lima. "Não dá para apresentar novos personagens a cada cinco minutos de filme", explica o diretor e roteirista.

    A idéia de transformar Meu Nome Não É Johnny em filme partiu de Mariza Leão, que se encantou com o livro na primeira leitura. Mas ela não era a única produtora a ter essa idéia, ainda em 2004, logo que a obra foi lançada no mercado, e teve de brigar para conseguir o projeto. "Lutei para conquistar o livro porque não tinha nada a perder", conta. "Via ali uma história humana, foi um 'vôo' muito diferente para mim como produtora", explica Mariza, que tem em seu currículo a produção de filmes como O Homem da Capa Preta (1986), Lamarca (1994) e Inesquecível (2007). Ela encara a captação de verbas para a produção a parte mais difícil nesse processo. "As drogas são um assunto tabu no Brasil: apesar de presente na sociedade, existe um teor de maldito. Essa dificuldade me fez perceber que faria um grande filme", completa.

    Uma vez escolhida a história que seria contada em Meu Nome Não é Johnny, o roteiro passou por 14 tratamentos, em processo iniciado antes mesmo da entrada de Mauro Lima na produção. A produtora conta que o escritor Marcelo Rubens Paiva sugeriu o nome de Lima para a função de roteirista, antes mesmo de ser convidado para dirigir o filme em sua primeira experiência na direção de um longa voltado, a princípio, para jovens.

    Uma das passagens mais cômicas do filme - que tem essa característica de misturar o drama do personagem a situações engraçadas - é a história da velhinha, interpretada por Eva Todor (Xuxa Abracadbra), que vendia altas quantidades de drogas a Estrella e, para disfarçar, sempre dava alguns potes de ambrosia - um doce à base de ovos e leite - para "disfarçar" a negociação. "Nessa personagem, me inspirei nas histórias de uma 'velhinha do quindim', que atuava no Rio de Janeiro", conta Lima. "Contavam que a calçada dela era toda grudenta porque o pessoal saia da casa dele com drogas e jogava os quindins fora assim que saíam do apartamento", revela.

    Esta é a primeira vez que Selton Mello interpreta um personagem que realmente existiu. "Criei meu João principalmente a partir das histórias que ouvia dele", revela o ator. "Esta é a história de um cara que poderia ser qualquer um de nós", compara. O humor, presente no filme e ausente na obra literária, é real, afirma Estrella. "Identifico-me muito com o personagem que o Selton criou", aprova. "O João entendeu minha posição de distanciamento, foi muito bacana ele ficar no set e não interferir", completa o ator.

    Cássia Kiss também conta que preferiu se manter distante da realidade ao interpretar a juíza que julgou Estrella em 1996, Marilena Soares. "Sempre tive vontade de interpretar uma juíza", revela. "Não pesquisei a vida dessa mulher, usei minha sensibilidade para compor a personagem. O que fiz foi assistir a mais ou menos 15 julgamentos para ter uma idéia do que acontece no tribunal e como uma juíza se comporta", explica.

    Meu Nome Não é Johnny levou dois anos e meio para ser concluído, com orçamento de R$ 5,5 milhões. Carlos Eduardo Rodrigues, da Globo Filmes, revela que a empresa está apostando muito na produção por colocá-la em cartaz nos cinemas brasileiros em plena temporada de férias, em 4 de janeiro de 2008 (com pré-estréias a partir de 1º de janeiro). Inicialmente, o longa estréia com 100 cópias, mas esse número pode mudar.