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    Equipe fala sobre O Homem que Desafiou o Diabo

    Por Da Redação
    25/09/2007

    Na última semana, o diretor Moacyr Góes (Trair e Coçar É Só Começar) esteve acompanhado de parte do elenco e os produtores Lucy e Luiz Carlos Barreto numa coletiva de imprensa. O objetivo era falar com jornalistas sobre O Homem que Desafiou o Diabo, longa-metragem que estréia em circuito nacional nesta sexta-feira (28).

    Com influências do cinema de chanchada e a literatura de cordel, que nasceu na cultura nordestina, O Homem que Desafiou o Diabo é o primeiro filme dirigido por Moacyr Góes que se passa no nordeste - mais precisamente em Natal, onde foi filmado e onde o diretor nasceu -, após oito longas-metragens dirigidos desde 2003. "Saí 'fugido' de Natal em 1964, aos cinco anos", explica o diretor. Seu pai era Secretário da Educação do Estado e, por conta da Ditadura Militar, a família mudou-se para o Rio de Janeiro. "O filme foi um reencontro e uma confirmação de que o Nordeste está dentro de mim, tive a chance de me sentir nordestino novamente", conta o diretor.

    Quando soube que o produtor Luiz Carlos Barreto tinha comprado os diretos de adaptação do livro As Pelejas de Ojuara, de Nei Leandro de Castro, Góes o procurou imediatamente, já que estava interessado em escrever o roteiro da adaptação. "Conheci o livro quando uma jornalista de Recife comentou sobre ele; depois, li uma crônica de Carlos Drummond de Andrade sobre o mesmo e quis adaptá-lo ao cinema assim que o li", lembra Barreto. Foram feitos vários roteiros sobre obra de Castro, mas nenhuma satisfez o produtor. "Roteiristas como João Falcão (A Máquina) não acreditaram na possibilidade da adaptação, mas o primeiro tratamento escrito por Moacyr veio em um mês e meio; achei que ele fosse ideal também para dirigir por causa desse envolvimento dele com a obra", lembra o produtor.

    "É um trabalho grande e profundo transformar a literatura em imagem", explica Góes, que adapta uma obra literária ao cinema pela segunda vez - a primeira foi em sua estréia no cinema com Dom (2003), versão de Dom Casmurro, de Machado de Assis. "O Homem que Desafiou o Diabo resgata a fala brasileira e, principalmente, a nordestina, o que me orgulha. Fiquei surpreso ao saber que estas palavras ainda estavam no meu inconsciente", conta. "Este filme mostra um Nordeste erótico, místico; por ser uma região multifacetada, é impossível aprisioná-la em somente uma obra cinematográfica", esclarece o diretor.

    Esta é a segunda vez que Góes dirige Marcos Palmeira após Dom. Ele explica que a escolha ocorreu pelas características apresentadas pelo ator, que não costuma interpretar muitos papéis cômicos como Ojuara/ Zé Araújo. "Por mais fantasiosa e irreal que seja a história, queríamos atores que pudessem compor personagens verdadeiros", conta Góes. "Marcos combina talento e energia masculina forte, ao mesmo tempo em que apresenta delicadeza e doçura no olhar." Palmeira também elogia o projeto: "É difícil encontrar um roteiro tão completo", revela. "Quando li, sabia que queria fazer este filme. Foi um vôo cego naquele universo."

    Ele conta que foram dois meses de preparação antes das filmagens, essenciais para o mergulho no universo criado por Castro em seu livro. "O filme crescia a cada ator que aparecia; emocionei-me ao contracenar ao lado de Lúcio Mauro", confessa o ator. Para Palmeira, que encarna o mesmo personagem em duas fases completamente diferentes, afirma que usou técnicas de clown - movimentos usados por palhaços - para a composição. "Tentei dar leveza a ambos os personagens, os dois perdedores, cada um à sua maneira", explica. "Foquei na figura do idiota, no bom sentido".

    Se Palmeira sabia que queria estar em O Homem que Desafiou o Diabo no primeiro momento em que tomou contato com o roteiro, Helder Vasconcelos já nega essa vontade. Mais conhecido por ser membro da banda Mestre Ambrósio, ele encarna o "Coisa Ruim" em sua estréia como intérprete no cinema. "Venho de uma formação religiosa, pensei que nada seria pior do que interpretar o Diabo", confessa. Além de interpretar o personagem, Vasocncelos também foi responsável pela concepção dos seus movimentos. "Fui pago para ficar em casa, já que usei o que tenho feito há 15 anos para compô-lo", brinca. "No início, queríamos Antônio Nóbrega para o papel, mas ele não podia", explica Barreto. "Foi ele mesmo que nos recomendou Helder. O resultado foi tão bom que já estamos até pensando em fazer um filme só sobre o Diabo", brinca o produtor.