Especial Mulheres na Direção: conheça a carreira de Laís Bodanzky

Na segunda parte do especial, conheça mais sobre a diretora paulistana

09/10/2020 18h40

Por Thamires Viana

Com abordagens realistas e pitadas de humor, Laís Bodanszky se tornou uma das diretoras, roteiristas e produtoras mais renomadas do cinema nacional ao trazer para as telas longas como Bicho de Sete Cabeças, Como Nossos Pais e Chega de Saudade

Dando continuidade ao especial Mulheres na Direção, no qual o Cineclick dedicará o mês de outubro às diretoras que exercem trabalhos memoráveis no cinema, conheça mais sobre a carreira de Laís Bodanszky.

Perfil: Laís Bodazsky

Laís Bodanzky nasceu em São Paulo, em 1969, e traz o cinema no sangue. Ela é filha do também cineasta Jorge Bodanzky (Iracema - Uma Transa Amazônica), e seguiu os passos do pai na carreira. Ainda jovem, Laís teve aulas de atuação com Antunes Filho, um dos maiores nomes do teatro brasileiro, e cursou Cinema na Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP). 

Em 1994, a paulistana estreou na direção com o curta Cartão Vermelho, que conta a história de uma menina de 12 anos que joga futebol com os meninos do bairro, enquanto se vê em meio às mudanças de seu corpo e descoberta da sexualidade. O curta recebeu 10 prêmios no Brasil e no exterior, sendo selecionado para o New York Film Festival e exibido na França e na Espanha.

Seu grande reconhecimento no cinema veio com o sucesso Bicho de Sete Cabeças, longa de 2001 que apresentou o ator Rodrigo Santoro para o mundo e se tornou um dos mais emblemáticos do cinema nacional. O filme ganhou 16 prêmios dentro e fora do Brasil, incluindo Melhor Filme de Diretor Estreante no Festival de Cartagena, na Colômbia. 

Durante 15 anos, Laís coordenou junto com o cineasta Luiz Bolognesi, do qual é sócia na produtora Buriti Filmes, a coordenação do projeto social Tela Brasil, que levava ensino e exibição de filmes para as periferias do país. A ideia levou mais de um milhão de pessoas às salas de cinema, muitas pela primeira vez, garantindo o acesso à cultura e informação.

Seu próximo trabalho nos cinemas é Pedro, longa estrelado por Cauã Reymond que será ambientado em 1831, contando a história de Dom Pedro I. O filme tem roteiro assinado por Laís em parceria com Luiz Bolognesi e Chico Mattoso e está em processo de pós-produção, com previsão de estreia para 2021.

Forma de fazer filme

Com temáticas sempre muito realistas, Laís dirige seus filmes um olhar mais aproximado para personagens que enfrentam conflitos internos em diferentes momentos da vida, seja na adolescência ou no auge da vida adulta.

Em dramas como Bicho de Sete Cabeças, que ela dirigiu à partir de um roteiro de Luiz Bolognesi, ela conduz o espectador para dentro da mente de Neto, personagem de Rodrigo Santoro, para explorar internamente o drama do jovem que luta contra uma dura realidade dentro de um hospital psiquiátrico. 

O mesmo acontece em Como Nossos Pais, longa de 2017 escrito por ela, que segue a história de Rosa, uma mulher de 38 anos que tenta se dividir entre as obrigações diárias com a família e a carreira. Enquanto segue as histórias paralelas do longa, a narrativa cria no espectador identificação com a personagem de Maria Ribeiro e o faz entender seus conflitos e motivações.

Destaques na filmografia

Bicho de Sete Cabeças (2000)

Na trama, Neto é um jovem estudante que não consegue se entender com os pais e, por causa da falta de comunicação, toma algumas atitudes que não se encaixam nos valores de sua família, como o uso recorrente das drogas. Devido à intolerância dos pais, Neto é internado em um hospital psiquiátrico e passa a enfrentar uma dura batalha contra a realidade desumana do local. 

Chega de Saudade (2007)

A história acontece em uma noite de baile, em um clube de dança em São Paulo, acompanhando os dramas e alegrias de cinco núcleos de personagens frequentadores do local. Mesclando comédia e drama, o longa aborda o amor, a solidão, a traição e o desejo, em uma clima repleto de muita música e diversão.

As Melhores Coisas do Mundo (2010)

Inspirado na série de livros Mano, de Gilberto Dimenstein e Heloisa Prieto, o filme narra o período de um mês na vida do jovem Hermano e seus amigos, que estudam em um colégio de classe média da capital paulistana e enfrentam os dilemas característicos da adolescência: o medo de ser o humilhado da vez, os amores, a melhor amiga e as mudanças que acontecem nessa passagem para a vida adulta.

Como Nossos Pais (2017)

Na trama, Rosa passa por uma fase muito complicada de sua vida. Aos 38 anos, ela tenta se dividir entre as obrigações diárias com a família e a carreira, mas sem deixar de lado seus sonhos e anseios pessoais. Um dia, após uma notícia impactante vinda de sua mãe, ela decide deixar as regras de lado e descobre que a vida pode proporcionar muitas coisas boas.

Pedro (2020)

Em 1831, Dom Pedro I abdica ao trono de imperador do Brasil e retorna à Europa. Neste momento, reflete sobre os acontecimentos e os eventos históricos em torno de sua vida, desde que chegou ao país, em 1808, com apenas 10 anos de idade.

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