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    Especial X-Men: O poder feminino na saga dos mutantes

    Entenda porque X-Men é considerada a HQ mais feminina de todas
    Por Ana Carolina Addario
    18/05/2014

    Com Jean Grey, Vampira, Mística, Tempestade, Lince Negra, X-23 e tantas outras, X-Men é um dos núcleos que mais privilegia o poder feminino no universo Marvel. Seja por representar indiretamente questões sobre diversidade, seja por possuir diversas heroínas poderosas e relevantes em sua trama, a fama da feminilidade de X-Men não é novidade entre os fãs de histórias em quadrinhos.

    O embrião das histórias em quadrinhos, da maneira como conhecemos hoje, remonta ao ano de 1890. Durante seu mais de um século de evolução, o formato passou por profundas mudanças até encontrar na figura dos super-heróis sua representação absoluta, revelando personagens extremamente fortes no insconsciente popular. Mas para a presença feminina ganhar espaço nos famosos quadradinhos desde o fim do século XIX, foram necessários exatos cinquenta anos.

    Mulher-Maravilha

    "Durante muito tempo, a heroína ficou procurando seu lugar na histórias em quadrinhos. Elas até existiam para os escritores, mas tiveram dificuldade de se encaixar no universo dos super-heróis sem se reduzir a uma representação da figura masculina vestida de lingerie", afirma o ilustrador Affonso Solano, criador do podcast sobre cultura pop Matando Robôs Gigantes e autor do livro O Espadachim de Carvão.

    Criada em 1941 pela DC Comics, Mulher-Maravilha foi uma das primeiras super-heroínas a ganhar destaque nas páginas das histórias em quadrinhos. Herdeira da ilha de Themyscira, foi criada a partir de uma imagem de barro, à qual cinco deusas do Olimpo deram vida e presentearam com super-poderes - que em pouco se diferenciavam dos heróis que o universo HQ já conhecia. "Ela era essencialmente masculina e tinha quase os mesmos poderes do Super-Homem, era muito menos profunda do que as heroínas que conhecemos hoje", completou Solano.

     

    Girl Power

    A diversidade de heroínas nas HQs começou a ganhar corpo com o surgimento de personagens que independiam de referências masculinas. Era necessário ultrapassar os limites da criação de nomes como Mulher-Maravilha, Batwoman e Mulher-Aranha, todas versões femininas de heróis já consagrados pelo mundo do entretenimento.

    "No primeiro momento, as heroínas surgiram para atender a vontade dos leitores de ver mulheres coexistindo neste universo lotado de homens que eram as histórias em quadrinhos. Esse desejo até ajudou a ampliar a diversidade de personagens, mas levou um bom tempo até que elas se transformassem de gostosonas com super-força para uma representação mais profunda do universo feminino", comenta Solano.

    De maneira geral, o resultado foi positivo. Além de atender ao desejo masculino em ver mulheres nas histórias, as heroínas da Marvel e DC Comics passaram a atrair um novo público para o segmento: as próprias mulheres, que começaram a se interessar pelo gênero e cobrar representação mais real de suas características. O próprio fato de haver mulheres escrevendo muda completamente esse cenário. 

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    Mulheres de X-Men


    X-Women

    Em X-Men, a luta dos mutantes por seu lugar na terra é travada pelo grupo moderado do professor Xavier de um lado, e pelos radicais de Magneto pelo outro. Nas adaptações para o cinema, que contemplam duas trilogias, os dois lados da batalha dos mutantes possuem heroínas (ou vilãs) tanto imponentes como diversas. Essas particularidades, segundo Solano, fazem parte deste processo de aprofundamento e criação que X-Men representa tão bem.

     "X-Men se esforçou em entender as características que diferem essencialmente as mulheres dos homens para criar os componentes do grupo. A ideia dos X-Men evita criar um herói isolado, que se provou muito difícil, vide Wolverine. Entre as mulheres, Jean Grey se sobressaiu inicialmente, mas ela era a mulher que ficava entre Wolverine e Ciclope. Quem vai ficar com a ruiva? Mas como as mulheres começaram a se interessar por X-Men, a personagem começou a ganhar complexidade".

    O processo de fortalecimento das heroínas em X-Men acabou passando, então, pelo mesmo processo do mundo dos quadrinhos em geral. Com a diferença de que, uma vez entendida a necessidade de representar a multiplicidade dos gêneros, suas mulheres foram transformadas em personagens verdadeiramente profundas. Assim, os elementos emocionais e psicológicos do universo feminino foram tornados metaforicamente nos poderes das garotas de X-Men.

    Jean Grey

     Neste contexto, "Jean Grey foi criada para ser uma mulher com domínio da mente, capaz de se transformar em fênix, um animal mitológico que renasce das próprias cinzas. A Lince Negra, por exemplo, se torna intangível quando tentam atacá-la, o que pode representar o medo de ser maltratada. A própria Vampira nos quadrinhos é uma heroína muito forte, mas que não pode tocar em ninguém, uma metáfora para a dificuldade que ela tem de se aproximar do mundo", analisa Solano.

    Profundas e muito mais fieis à diversidade de elementos que caracteriza o universo feminino, as heroínas de X-Men quebram tudo e têm extrema importância para a trama de Dias De Um Futuro Esquecido e também em Apocalipse e até mesmo em Logan, con X-23. De que maneira elas contribuem para este cenário. Mas vale a consciência de que as garotas fortes de X-Men podem representar muitas mulheres ao redor do mundo e suas próprias maneiras de combater inimigos.