cineclick-logo
    botão de fechar menu do cineclick
  • FILMES
  • NOTÍCIAS
  • CRÍTICAS
  • LISTAS
  • GAMES
  • © 2010-2021 cineclick.com.br - Todos os direitos reservados

    'Eternos': vencedora do Oscar criou algo realmente novo na Marvel

    Uma das principais autoras do cinema independente, Chloé Zhao imprimiu sua marca em um filme de super-herói
    Por Flávio Pinto
    04/11/2021 - Atualizado há 27 dias

    Após alguns adiamentos por conta da pandemia do novo coronavírus e um boca a boca questionável graças a críticas nem tão favoráveis, Eternos, novo filme da Marvel,  — finalmente — chegou hoje (4) aos cinemas.

    E graças a uma diretora prestidiada, Chloé Zhao, que fez história no Oscar deste ano ao se tornar a primeira mulher de cor a ganhar a estatueta de melhor direção, por Nomadland, o estúdio lançou o seu filme mais autêntico.

    Com alguns filmes memoráveis em seu currículo, Zhao trouxe à Marvel um punhado de referências de calibre, representatividade e uma aura jamais vista nas produções apresentadas pelo estúdio de quadrinhos — elementos que podem até explicar as críticas que o filme vem recebendo. 

    Há um preconceito da própria comunidade contra o estilo da autora, que até virou piada uma vez que Kevin Feige comentou que "Zhao filmou em locações de verdade, sem CGI", como também o fato de ser uma cineasta independente e com projetos anteriores sem o menor traço das demais produções do estúdio.

    Conheça um pouco mais da diretora, os tons do seu cinema e todas as mudanças que ela trouxe à Marvel.

    Como Chloé Zhao chegou à Marvel?

    Zhao ganhou dois Oscars em 2021Reprodução

    Em 2018, foi divulgado uma lista com alguns nomes que estavam sendo sondados para dirigir Eternos. Lá estavam Nicole Kassell (Watchmen), Travis Knight (Bumblebee) e a dupla de Cristina Gallego e Ciro Guerra (Pássaros de Verão) ao lado de Zhao — que na época também estava cotada para dirigir Viúva Negra

    É possível notar que a lista acima conta com dois cineastas independentes, uma mulher e um realizador de animações. Em comparação à escolhida, Zhao já vinha com um pouco da bagagem de cada um deles — até mesmo de Knight, que dirigiu Kubo e as Cordas Mágicas, uma animação sobre tradição e origem. 

    Mas graças ao seu amor por histórias em quadrinhos, mangás e outros filmes da companhia, a diretora conseguiu a posição. Aliás, não só por isso que Zhao ganhou o posto. Em seu pitch, a autora conquistou Feige ao mostrar uma foto com fragmentos de gramas de areia de praia em zoom enquanto recitava um poema de William Blake

    Falando especificamente sobre seu amor por mangás, Zhao disse que torceu para que sua bagagem pudesse ser  um "casamento do Oriente e do Ocidente". Lembrando que tudo isso aconteceu em 2018, bem antes de a asiática estar com toda a fama de vencedora do Oscar.

    O cinema de Zhao

    The Rider (2018) é um dos filmes mais aclamados da diretoraReprodução

    Zhao pode não ter tantos filmes assim no seu currículo, mas todos têm um aspecto muito íntimo e particular.  Com títulos com mais ar de documentário do que de narrativas ficcionais, Chloé conta histórias sobre pessoas simples, grupos socialmente excluídos, os ambientes em que vivem e àqueles que estão ao seu redor. Simplesmente o oposto do estilo de vida que personagens como, O Homem de Ferro, promovem.

    Seu olhar é mais centrado natureza e em sentimentos do que em drama. Em Songs My Brothers Taught Me (2015), disponível na MUBI, e The Rider (2017), na Netflix, por exemplo, Zhao usa seus protagonistas como navegantes de uma poesia sobre o cotidiano. Já Nomadland (2020), que deu seu maior boost de carreira, é a crônica de uma mulher em total sintonia com quem ela é com o ambiente em movimento no qual se propõe a estar. 

    Marcas de Zhao em Eternos

    Eternos estreia hoje (4) nos cinemasDivulgação (Marvel)

    A natureza é bela e viva em Eternos. As ondas das praias são tão reluzentes capazes de fazer um cego enxergar. O verde das matas escuras conseguem ser mais vivos que aquele em fotos de Instagram. Todos os seus cenários possuem uma aura mágica e "real". 

    Com algumas influências nítidas de Terrence Malick, Zhao filmou Eternos dando tanto destaque quanto aos personagens do filme. E em um roteiro escrito por ela, a produção oferece um leque de personagens completos e reais, com motivações, interesses, uma história por trás e ambições — alguns mais que os outros, claro, esse é o problema de se propôr a fazer um filme de 2h focado em dez personagens. 

    Há um interesse maior em aprofundar questões mais intrínsecas do ser humano, como fé e religião, de uma maneira não tão enfadonha e com ar de "pregação". Mas o que esperar de um filme dirigido por uma mulher que preza pela poesia e pelo auto-conhecimento de seus personagens? 

    Conteúdo Relacionado