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    A evolução dos filmes de terror: de 1860 a 2020

    A história dos filmes de terror começou lá em 1860 e sofreu diversas transformações ao longo dos anos
    Por Redação
    12/01/2021 - Atualizado há 10 meses

    Os filmes de terror são parte indispensável da história da Sétima Arte, discutindo política, refletindo movimentos sociais e ajudando a sociedade a lidar com a realidade. Quando falamos do gênero, algumas obras clássicas podem vir à mente: O Exorcista (1973), Suspiria (1977), O Iluminado (1980), Pânico (1996), A Hora Do Pesadelo (1984), Corra! (2017), Hereditário (2018), entre muitos outros.

    Apesar de todos carregarem consigo o poder de gerar medo na sua audiência, as diferenças narrativas e estéticas são incontestáveis. Não é para menos: com uma história que começou há mais de cem anos, os filmes de terror já passaram por várias fases e transformações.

    A evolução dos filmes de terror: uma jornada que começa em 1896 e chega até 2020

    A trajetória dos filmes de terror começou em 1896, um ano após o que é considerado o início do cinema.

    Conhecido como o primeiro filme de terror do mundo, O Castelo do Demônio, de George Méliès, surgiu com apenas dois minutos de duração - que retratam Mefistófeles e os temores da virada do milênio - e conseguiu seu lugar na história.

    Alguns anos depois, o mundo seria abalado por diversas crises e guerras e isso influenciou diretamente o gênero. Em 1919, depois da Primeira Guerra Mundial e quando a Alemanha passava por um forte período de depressão econômica, surgiu o Expressionismo Alemão. Nos filmes de terror que pertencem a esse movimento, o que não faltam são cenários distorcidos, personagens com maquiagens carregadas e filmagens que aprofundam essa deformação.

    É impossível falar do Expressionismo Alemão sem citar O Gabinete Do Dr. Caligari (1919), que apresenta uma realidade repleta de sonambulismo e loucura por meio de seus personagens e cenário, cujo exagero por si só já impacta (e assusta) a audiência.

    Outro filho direto do movimento é o clássico Nosferatu (1922), carregado de uma fotografia gótica e do personagem que viria a fazer história no gênero com suas orelhas pontudas e dedos compridos. Títulos que também marcaram o início do terror e que valem a menção são "A Morte Cansada" (1921) e "O Estudante de Praga" (1926).

    Surfando na onda iniciada por Nosferatu, que se você não sabia é uma adaptação do livro "Drácula", de Bram Stoker, modificada por causa de direitos autorais, muitos filmes de terror mergulharam de cabeça nos clássicos da literatura gótica. Os mais famosos são os inesquecíveis Drácula (1931) e Frankenstein, ambos de 1931, que durante a Grande Depressão transportaram a audiência para lugares longínquos repletos de monstros - um terror diferente da realidade da época.

    Anos mais tarde, o cenário piorou com a chegada da Segunda Guerra Mundial e ela, assim como as crises que a antecederam, influenciou diretamente na Sétima Arte. A mudança do papel das mulheres na sociedade, que começaram a sustentar a casa e substituir os homens enviados à guerra, apareceu nos filmes. Foi quando as vilãs chegaram ao imaginário do terror, com filmes como Pérfida (1941), Pacto de Sangue (1944) e À Meia Luz (1944).

    Cena de O Silêncio dos InocentesDivulgação

    De fato, a Segunda Guerra marcou para sempre a sociedade e não foi à toa: além dos horrores da guerra, o uso de armas nucleares e seus efeitos devastadores nas cidades de Nagasaki e Hiroshima chocaram o mundo. Como consequência, filmes com monstros gigantes que ameaçavam cidades inteiras emergiram nas telonas, sendo Godzilla (1954) o mais marcante de todos. Parte desses monstros são os famosos zumbis, representados pelo clássico A Noite Dos Mortos Vivos (1968).

    Nessa época, o cinema também ganhou cores e o sangue vermelho (e algumas vísceras) começou a dar o ar da graça no gênero. Banquete de Sangue (1963), por exemplo, é conhecido como um marco do gore, subgênero do terror que conta com muita violência e cenas de restos mortais e muito, mas muito sangue.

    Chegando na década de 1970, os horrores da guerra foram ficando para trás e sendo substituídos por casos chocantes. Um dos mais emblemáticos foi o da Família Manson, uma seita comandada por Charles Manson que cometeu uma série de assassinatos, incluindo o de Sharon Tate, atriz consagrada e esposa do diretor Roman Polanski, que estava grávida de nove meses na época. Como resultado, vários filmes de terror se inspiraram diretamente no caso; os que merecem destaque são Aniversário Macabro (1972), Amargo Pesadelo (1972), O Massacre Da Serra Elétrica (1974) e Quadrilha Dos Sádicos (1977).

    Ao mesmo tempo, filmes com temas sobrenaturais, de exorcismos a cultos demoníacos, dominaram a década e ganharam o público. O Exorcista (1973), por exemplo, é um longa que, além de sobrenatural, também é baseado em fatos reais - algo usado a seu favor, uma vez que, distorcendo a realidade, tornou-a ainda mais aterrorizante. Outros filmes com temas além da compreensão humana são: Carrie - A Estranha (1976), A Profecia (1976), Suspiria(1977) e Poltergeist - O Fenômeno (1982).

    Também foi por volta dessa época que outra ameaça chegou aos noticiários: o vírus da AIDS. Não é à toa que infecções e histórias com parasitas que se espalhavam pelo corpo sem ninguém perceber chegaram aos filmes de terror nessa década. Um exemplo deles é Invasores De Corpos, de 1978.

    Entrando na década de 1980, os filmes de terror começaram a ganhar os ícones contemporâneos como Freddy Krueger, Jason e Chucky. Nessas histórias, o que predomina é o subgênero slasher, no qual um psicopata mata aleatoriamente inúmeras vítimas.

    Como se pode imaginar, o terror sugestivo já havia perdido um bom espaço, sendo substituído por uma demanda por horror escancarado. Faz sentido, uma vez que os anos 1980 contaram com o que até agora nenhuma outra época dos filmes de terror tiveram acesso: tecnologia em ascensão. Clássicos que se beneficiaram dessa onda foram a trilogia original de Alien, O Oitavo Passageiro, assim como a transformação de um homem em lobisomem em Um Lobisomem Americano Em Londres (1981).

    Em comparação com suas antecessoras, a década de 1990 não foi tão marcante para o cinema de terror. Muitos a definem como um período de continuações, tanto das tendências de efeitos especiais como também dos sucessos que marcaram os anos anteriores, já que inúmeras sequências foram lançadas nesse período.

    Outras apostas da época foram o thriller psicológico, como em O Silêncio Dos Inocentes (1991) e Seven - Os Sete Crimes Capitais (1995), e o terror para adolescentes, como em Pânico (1996). Alucinações do Passado (1990) e Drácula De Bram Stoker (1992) também marcaram a década, seguidos por A Bruxa De Blair (1999), exemplar de sucesso dos subgêneros Found Footage e mocumentário, no qual o enredo tem um caráter documental.

    Chegando nos anos 2000, o atentado do 11 de setembro marcou a sociedade e trouxe novamente à tona um sentimento de estarmos vivendo tempos apocalípticos. Essa tendência resultou no Madrugada Dos Mortos (2004), remake de Despertar dos Mortos, por exemplo, mas não se limitou a isso. Filmes que apostavam na tortura como maior premissa começaram a despontar, como Jogos Mortais (2004) e O Albergue (2005).

    Cada vez mais, os efeitos especiais foram se aproximando da realidade e vários clássicos do terror foram refeitos, provando essa evolução, como é o caso de O Massacre Da Serra Elétrica (2003). Outra aposta foi o sobrenatural no estilo de filmagens encontradas como em Atividade Paranormal (2007).

    Essas tendências de certa forma se mantiveram ao longo da década seguinte, com remakes como Poltergeist - O Fenômeno (2015) e filmes sobrenaturais que tiveram um grande sucesso como Invocação Do Mal (2013). Outra aposta que se vê muito frequente são temas mais políticos e apostas em um terror mais psicológico, como é o caso de Corra! (2017) e A Bruxa (2016).

     

     

    Os filmes de terror: uma história sem fim

    Pode-se dizer que os filmes de terror hoje têm mais status do que há alguns anos, apesar das obras sensacionais que foram feitas ao longo de sua história.

    O aprofundamento do novo terror com seu enredo e a abordagem crítica fazem com que o gênero ganhe cada vez mais espaço na academia, assim como indicações a grandes premiações do cinema. Ao mesmo tempo, o terror pelo terror também continua vivíssimo e atraindo multidões para suas estreias, mexendo com o imaginário da audiência e provavelmente lhe tirando algumas noites de sono.

    Independentemente do formato ou do status, os filmes de terror são parte essencial da história da Sétima Arte. Ao contrário do que muitos dizem, ele continua mais vivo e sangrento do que nunca e promete continuar se reinventando, surpreendendo e perturbando o público.