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    Festival de Vitória: Depois da Chuva agrada público com seu viés político

    Rodado em Salvador, filme foge dos estereótipos relacionados à capital baiana
    Por Roberto Guerra, enviado especial a Vitória
    30/10/2013
    Depois da Chuva

    Depois da Chuva desembarcou no Espírito Santo depois de faturar os prêmios de melhor roteiro, trilha e ator em Brasília. Foi exibido no 20º Festival de Vitória na noite desta terça-feira (29) e ganhou o público com sua trama ambientada em uma Bahia longe dos estereótipos comumente associados ao Estado.

    O filme se passa em Salvador na década de 80, quando o país vivenciava a efervescência política e social do movimento pelas eleições diretas para presidente. "Eu era um adolescente na década de 80 e vivi meu despertar político e amoroso nessa época de transição politica e social no Brasil. O filme é de inspiração autobiográfica, mas não é minha história", diz o cineasta Cláudio Marques - que divide a direção com Marília Hughues - à reportagem do Cineclick.

    O protagonista do longa chama-se Caio (Pedro Maia), adolescente rebelde e inconformado com a política nacional no período da campanha das Diretas. O filme é crítico em relação à época e, por meio de Caio e seus amigos anarquistas, classifica o que surgiu desse momento como uma democracia doente, a "demencracia".

    A rebeldia não está só nos personagens, mas na execução do longa, que foge totalmente de estereótipos visuais e culturais baianos. Nada de carnaval, axé, tambores, pandeiros, tomadas do pelourinho. A trilha em Depois da Chuva é recheada de punk rock e jazz e cartões postais não existem.

    "Esses elementos, o axé, a capoeira, o candomblé, são todos muito fortes, poderosos. E a gente não vai negar que isso existe, que é muito interessante. Mas a Bahia não é apenas isso", avalia Marques.

    Mesmo que involuntariamente, Depois da Chuva chega aos cinemas em um momento oportuno, quando a população está indo às ruas para questionar as instituições e uma democracia que soa injusta para muitos.

    Questionamos o diretor se o filme tem uma visão de democracia otimista, pessimista ou resignada. Ele não titubeou: "A questão não é a democracia, mas a 'demencracia', a democracia deturpada onde parte de população não se sente representada".

    O 20º Festival de Vitória segue até o dia 2 de novembro, quando serão conhecidos os vencedores desta edição. Informações sobre a programação em festivaldevitoria.com.