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    O Terror no Brasil: filmes de terror nacionais para você conhecer

    O Terror no Brasil passou por uma série de movimentos, mas sempre lutou para ser reconhecido. Conheça alguns dos títulos mais famosos
    Por Da Redação
    23/12/2020

    A história do Terror no Cinema conta com mais de cem anos de assombro. Nós preparamos um especial sobre a trajetória de um dos gêneros mais controversos da Sétima Arte, que você pode ler completo aqui: A História do Terror no Cinema: tudo sobre filmes de terror!

     

    O terror em solo tupiniquim: filmes, movimentos, diretores e o contexto da produção do gênero no Brasil

     

    Quando falamos em filme de terror nacional, estamos falando de uma história com pouco mais de 150 produções realizadas ao longo de sete décadas.

    Apesar da tímida quantidade de filmes do gênero, o Brasil tem uma trajetória bem particular repleta de erotismo e sangue que, nos últimos anos, tem desabrochado em algo novo e promissor.

    Confira abaixo mais da história na lista de filmes de terror nacionais:

    O começo do filme de terror nacional e a influência de José Mojica

    O início do terror no Brasil se deu em 1964 e durante um bom tempo foi impactado pela censura da ditadura militar, que se fortaleceu no fim dos anos 1960. Ainda assim, isso não significa que a produção foi inexistente, muito pelo contrário.

    Em À Meia-noite Levarei Sua Alma (1964), o país é introduzido a Zé do Caixão, coveiro conhecido pela violência e unhas enormes - o que virariam sua marca registrada. O longa de José Mojica Marins, que dirigiu e atuou, fez sucesso, marcando o começo de uma série de filmes que ficaria para a história do terror nacional. Outros da época que merecem destaque são: Esta Noite Encarnarei No Teu Cadáver (1967) e O Estranho Mundo de Zé do Caixão (1968).

    As obras de Mojica serviram como impulso inicial para outras obras independentes do gênero, que infelizmente não foram muito longe. Algumas delas são: Phobus, o Ministro do Diabo (feito em 1965, mas lançado somente em 1974), de Luiz Renato Brescia, exibido pouquíssimas vezes no cinema, Zorga, o Médico Louco, de César Galvão, que não chegou a ser concluído, e O Homem Lobo (feito em 1966, mas lançado somente em 1971), de Raffaele Rossi.

    Além dessas tentativas de terror nacional, a agressividade dos filmes de Mojica também apareceram no Cinema Marginal, em obras experimentais como Barão Olavo, o Horrível (1970), Copacabana Mon Amour (1970) e Os Monstros de Babaloo (1970).

    Mas não eram só influências internas que o gênero sofria. Com o sucesso mundial de O Exorcista (1973), temas envolvendo demônios e espíritos achariam um solo fértil no Brasil, um país que tradicionalmente já é repleto de misticismo em sua cultura.

    Foi o momento de O Exorcismo Negro (1974), de Mojica, Seduzidas pelo Demônio (1976), de Raffaele Rossi, e Enigma para Demônios (1975), de Carlos Hugo Christensen. Lançado na mesma época também é importante mencionar O Anjo da Noite (1974) e As Filhas do Fogo (1978), que trouxeram uma pegada existencial e erudita para o terror nacional.

    Nos anos 1970, a sensualidade invadiu o gênero, misturando-se ao misticismo em longas como As Noites de Iemanjá (1971) e Janaína, a Virgem Proibida (1972) e abrindo as portas para o horror na Boca do Lixo.

    Boca do Lixo: o sexo chega ao terror

    A Boca do Lixo era uma região na cidade de São Paulo, próxima à Estação da Luz, que ficou conhecida por várias produções relevantes para o cinema nacional. Apesar de não ter sido sempre assim, a partir de meados de 1970 ela se destacou pela carga erótica nos longas feitos por ali - algo que se refletiu diretamente na história do terror brasileiro.

    Nessa época, a Boca do Lixo foi o polo de produções de filmes de terror nacionais, investindo em erotismo e medo. Exemplos dessa geração são Excitação (1977), Perversão (1979), A Noite das Taras (1980).

    Poucos anos depois, com o fim da ditadura militar e, consequentemente da censura, surgiram títulos bem mais explícitos e não menos violentos: Amadas e Violentadas (1976), O Estripador de Mulheres (1978), O Matador Sexual (1979), sendo que alguns como As Taras do Mini Vampiro (1987) começaram inclusive a contar com cenas de sexo explícito.

    Foi nessa época também que o filme de terror nacional se aventurou no slasher, subgênero que conta com serial killers e muito sangue. Seguindo o exemplo de O Massacre da Serra Elétrica (1974), o diretor Jair Correa lançou Shock (1984) enquanto Francisco Cavalcanti apostou em A Hora do Medo (1986), uma clara referência a clássicos como A Hora do Pesadelo (1984) e A Hora dos Mortos-Vivos (1985).

    Filme - As Boas Maneiras

    Retomada e o terror brasileiro contemporâneo

    A década de 1990 foi quase insignificante em termos de filme de terror nacional. Ainda assim, é relevante mencionar duas produções de Fauzi Mansur focadas no público norte-americano: Satanic Attraction (1989) e The Ritual of Death (1990), ambos grandes apostas no sobrenatural e no gore. Contando com um elenco totalmente brasileiro falando em inglês, eles se destacam das produções nacionais de terror da época pela extrema violência.

    É na virada para o novo milênio que ocorreu uma retomada nas produções de terror de forma mais efetiva, contando com lançamentos como Olhos de Vampa (1996), cujo enredo é marcado por uma série de assassinatos com pegada sobrenatural, Gêmeas (1999), que aposta na rivalidade de duas irmãs gêmeas como fio condutor, e O Xangô de Baker Street (2001), uma versão abrasileirada e mais puxada para o terror do clássico Sherlock Holmes.

    Essa onda, junto com o avanço da tecnologia digital, possibilitou um novo fôlego para o gênero, que passou a poder trabalhar em baixos orçamentos sem comprometer bons resultados.

    Em 2008, três lançamentos merecem ser mencionados. Um é Mangue Negro, de Rodrigo Aragão, que aposta no gore e na temática de zumbis com claras influências de clássicos diretores do terror como Sam Raimi, de A Morte do Demônio (1981).

    Outro é O Fim da Picada de Shristian Saghaard, que traz uma releitura de monstros carregada de gore e críticas políticas. Por fim, Encarnação Do Demônio marca a volta de Mojica e tem como enredo a soltura de Zé do Caixão depois de 10 anos preso em um manicômio. O longa também tem uma pegada gore, aproximando-se de Jogos Mortais (2004) e O Albergue (2005).

    No entanto, é a partir da década de 2010 que um novo terror tem aparecido com um volume maior nos cinemas brasileiros. A época coincide com a grande instabilidade política e econômica enfrentada pelo país e o amadurecimento de uma geração que cresceu assistindo clássicos do terror de 1970 a 1990. Agora, ao invés de assistir, é a hora de por a mão na massa.

    Trabalhar Cansa (2011) talvez seja o primeiro dessa onda, contando a história de um casal que acaba de comprar um supermercado e passa a participar de acontecimentos repletos de tensão crescente e uma boa carga de crítica social.

    Outro é O Rastro (2017), que começa com um médico supervisionando a transferência de pacientes entre hospitais até um deles, uma criança, desaparecer e obrigá-lo a entrar em uma busca sinistra.

    As Boas Maneiras (2017), que conta a história de uma grávida cujo comportamento vai se alterando de forma gradativa e dramática e sua babá recém-contratada, e Morto Não Fala (2018), onde um plantonista de necrotério que fala com mortos se vê em meio a uma maldição, são brasileiros que apostaram no sobrenatural e em folclores mundiais, unindo espíritos, lobisomens e uma alta carga de suspense, que eclodem em um clímax repleto de terror.

    Por fim, apostando em uma linha mais sangrenta, Motorrad (2017) é um thriller que traz mortes brutais para as telonas em um enredo em que uma turma de amigos passa a ser perseguida por motoqueiros sádicos. Assim como ele, há: O Animal Cordial (2017), que aposta no slasher ao contar de um assalto a um restaurante, O Segredo De Davi, que acompanha o desenvolvimento de um assassino em série, e O Clube Dos Canibais (2019), onde a crítica social dá as caras em uma narrativa com socialites canibais e o sangue é elemento que não falta.

    Leia também: A História do Terror no Cinema: medo ao redor do mundo