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    Filmes gaúchos têm a preferência da torcida em Gramado

    Por Da Redação
    04/08/2000

    Apesar de suas marcantes qualidades técnicas, narrativas e cinematográficas, o longa-metragem Quase Nada, dirigido por Sérgio Rezende, não entusiasmou a platéia presente ontem à noite no Palácio dos Festivais, durante o 28º Festival de Cinema de Gramado. Ao final da projeção, os aplausos foram iguais à temperatura daqui: frios, muito frios.

    O mesmo aconteceu com o excelente curta-metragem Passadouro, do paraibano Torquato Joel, já premiado e muito aplaudido em outras competições.
    Por outro lado, o fraco curta Sargento Garcia, dirigido por Tutti Gregianin, arrancou uma verdadeira ovação de parte do público. A história se limita a narrar o assédio sexual de um sargento do exército sobre um jovem que acabou de se livrar do serviço militar. Sem muita criatividade.

    Fatores regionais podem explicar esta reação da platéia: o curta Sargento Garcia é uma produção gaúcha. E não há como negar que o público daqui se assemelha muito mais a uma torcida do que propriamente a uma platéia. "Gaúcho", por aqui, é muito mais que um adjetivo: é uma filosofia de vida. Em Gramado existem filmes e filmes gaúchos, cineastas e cineastas gaúchos, atores e atores gaúchos. Tudo muito bem discrimina... ou melhor, dividido. Jornalistas e convidados de outros estados vivem brincando - sem que ninguém nos ouça - deste bairrismo que toma conta do Festival. Uns dizem que chegaram atrasados a Gramado porque foram barrados na alfândega. Outros que têm medo de perder o passaporte e não conseguir sair do Rio Grande do Sul. E ainda houve o caso de um jornalista que perguntou a determinado cineasta se o filme dele iria estrear somente no Rio Grande do Sul, ou se iria passar no Brasil também.
    Que o gaúcho é um povo tradicionalista e orgulhoso de suas raízes, isto todo mundo sabe. Mérito deles. Mas isso não pode de forma alguma embaçar os critérios de qualidade de um festival tão importante quanto o de Gramado. Filme bom é filme bom. Filme ruim é filme ruim. Venham de onde vierem.
    Olho aberto, gurizada!