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    França será representada no Oscar por filme chocante e bizarro

    Titane, vencedor de Cannes, é a aposta do país. Filme estreia no Brasil em janeiro pela MUBI
    Por Flávio Pinto
    05/11/2021 - Atualizado há 27 dias

    No meio deste ano, Spike Lee, o presidente do Festival de Cannes 2021, anunciou — sem querer, em gafe histórica — que Julia Ducournau era a vencedora da Palma de Ouro do ano com seu mais novo filme, Titane (2021). 

    Agora, com a distribuidora Neon, responsável pela explosão de Parasita (2019) nos Estados Unidos,  a tira colo, a França anunciou que o título que fez história em Cannes irá representar o país no Oscar 2022. 

    A notícia, em si, é uma mistura de sensações: alguns apreciaram a coragem do comitê ao selecionar um título polêmico para o prêmio que ainda está engatinhando para trazer mais representatividade entre os seus indicados (e consequentemente vencedores), enquanto outros discordaram em gênero, número e grau. 

    Se a decisão vai se mostrar um acerto — ou um erro — descobriremos ainda no final deste ano, quando o comitê de melhor filme internacional revelar a lista com os 10 títulos pré-selecionados para competir ao 

    Erotismo e bizarrice

    Titane fez história no Festival de CannesDivulgação

    Em Titane, acompanhamos Alexia (vivida por Agathe Rousselle, uma estreante nas telonas), uma jovem vítima de um acidente de carro na infância e que coloca uma placa de titânio implantada no crânio após o ocorrido. 

    Esse incidente transforma Alexia em uma apaixonada por carros, realmente apaixonada — pense em algo na linha Crash (1996), de David Cronenberg. Anos depois, ela perde a noção no seu ambiente de trabalho, uma boate com temática "motoqueira" na qual atua como dançarina sensual. 

    No incidente em particular, Alexis tem um orgasmo em um carro. A partir daí, sua percepção da realidade muda dramaticamente e a jovem começa a explorar o seu lado de serial killer, matando várias pessoas ao seu redor. Após fugir de tudo e todos, ela encontra refúgio nos braços de um bombeiro ao fingir que é seu filho desaparecido. 

    Fetiche perigoso

    O filme traz algumas das cenas mais bizarras do ano. Além do desfile de sensualidades de Alexis com os carros (que acontecem mais de uma vez), há diversas cenas envolvendo sangue (e graxa) — um toque conhecido da diretora, que realizou o também macabro Grave (2016), como a sequência em que a protagonista tenta quebrar o próprio nariz. 

    Para além disso, o filme foge de didatismos e flerta com algumas das piores sensações que um ser humano pode sentir, como a dor e o desconforto exacerbados. A produção, além de assustadoramente bizarra, não é se trata de um título com "começo, meio e fim" e uma narrativa que pega na mão do espectador e mostra-lhe um caminho mais fácil. 

    Repleto de simbolismos e alegorias, provavelmente o filme não vai dar certo entre os membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, que costuma olhar torto para filmes polêmicos durante a seleção entre os melhores para a categoria de filme internacional, como aconteceu com Elle (2016) e tantos outros ao longo dos anos.

    Contudo, com tentando se aproximar de um público mais diverso e jovem, a Academia também tem tentado abraçar filme com mais liberdade artística, como Nomadland (2020) e Bela Vingança (2020) — curiosamente, ambos dirigidos por mulheres que foram indicadas na categoria de melhor direção.

    E sabendo que a Neon é uma baita distribuidora, mesmo se Titane acabar de fora em filme estrangeiro, talvez sua diretora, Julia Ducournau, consiga uma vaguinha na categoria de direção. Em um ano levemente fraco nessa disputa, nada mais justo que continuar dando mais espaço às mulheres, que durante anos foram relegadas a ficar de fora entre os "melhores diretores" — isto é, segundo a Academia.

    Veja o trailer de Titane

    Titane estreia no Brasil pela MUBI em 28 de janeiro de 2021.

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