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    'A Fundação' é série mais ambiciosa já feita e deixa 'GOT' no chinelo

    Obra-prima de Isaac Asimov é finalmente levada às telas
    Por Daniel Reininger
    06/10/2021 - Atualizado há 3 dias

    Fundação, obra-prima de Isaac Asimov, é uma das obras literárias mais amadas pelos fãs de sci-fi, também uma das mais complexas e profundas. Por isso mesmo, assim como Duna, foi considerada impossível de ser adaptada para o audiovisual, mas isso mudou com a nova série da Apple TV, que mesmo tomando liberdades em relação ao material original, impressiona desde o primeiro minuto.

    Conheça melhor essa ambiciosa série e entenda porque ela impressiona:

    Obra-prima de Isaac Asimov

    Para quem não sabe, Fundação começou com algumas histórias publicadas nos anos 1940. Posteriormente, Asimov resolveu unificar em uma narrativa coesa.

    Ao escrever em forma de uma saga científica e enfatizar a procura da sabedoria, o objetivo de Asimov no primeiro livro da série era descrever em detalhes a queda de um Império Galáctico e o surgimento de um mundo científico, orientado pela verdade, sem subterfúgios. Asimov tomou como inspiração a queda do Império Romano.

    O protagonista é Hari Seldon, que só aparece em três dos livros, mas influencia toda as obras da série através da Ciência que desenvolveu: a Psico-história, um misto de sociologia e matemática. Aplicando fórmulas matemáticas a acontecimentos de seu presente, Seldon conseguia calcular acontecimentos futuros e assim permitir ou tentar evitar que viessem a se confirmar.

    As previsões feitas por Seldon eram todas baseadas em estatísticas e probabilidades e mostravam a queda do Império, o que não agradou ao Imperador, claro.

    As primeiras quatro histórias foram reunidas em um volume único publicado pela Gnome Press nos Estados Unidos em 1951 como Fundação. O resto das histórias foi publicado em pares pela Gnome como Fundação e Império (1952) e Segunda Fundação (1953), resultando na "Trilogia da Fundação", como a série ficou conhecida por décadas.

    Cena de nave decolando na série A Fundação, da Apple TVReprodução

    Ordem dos livros

    Os seguintes livros formam a série de Fundação, em ordem cronológica:

    1. Prelúdio à Fundação
    2. Origens da Fundação (no original chama-se Forward the Foundation)
    3. Fundação
    4. Fundação e Império
    5. Segunda Fundação
    6. Limites da Fundação (no original chama-se Foundation's Edge)
    7. Fundação e Terra

    Opinião

    Essa adaptação é em muitos aspectos ainda mais ambiciosa do que Duna. Enquanto o novo filme é um Space Opera com um protagonista óbvio e dinâmicas claras, Fundação é uma série verdadeiramente épica, com dezenas de personagens, centenas de planetas e com uma história que abrange décadas (senão séculos). Game of Thrones é fichinha perto dessa produção.

    Para começar, a série é uma verdadeira maravilha visual, com design de produção inspirado, capaz de rivalizar com qualquer blockbuster de grande orçamento. Ainda conta com um elenco fantástico que consegue convencer da veracidade dos complexos temas tratados com performances fundamentadas e uma história aparentemente confusa, mas que é tão grandiosa que precisa de vários capítulos para se começar a ter uma visão geral dessa galáxia dominada pelo Império Humano.

    A trama se passa em um futuro distante, onde a galáxia conhecida é governada pelo poderoso Império Galáctico, liderado por três clones do mesmo imperador. Embora o Império esteja no auge, um matemático, Hari Seldon (Jared Harris), calculou que o Império está na verdade à beira de um colapso inevitável, que dará lugar a uma era das trevas de 30.000 anos. Embora o Império não esteja feliz com isso, Seldon oferece uma solução para preservar todo o conhecimento humano em uma Enciclopédia Galáctica que permitiria às gerações futuras reconstruírem a civilização e, assim, reduzir a idade das trevas a um único milênio de caos.

    Cena de A FundaçãoReprodução

    Desde a primeira cena, somos lançados em uma galáxia gigantesca e repleta de mundos distintos, cada um com uma textura e sensação diferentes. O design de produção é absolutamente impressionante, desde os trajes luxuosos do Império, das naves espaciais e os diferentes estilos arquitetônicos para os diferentes planetas. Nem parece TV, parece cinema!

    Asimov pode ter criado uma história fascinante, mas ele não escreveu personagens memoráveis e as mulheres praticamente nem aparecem no primeiro livro. Por isso, a série traz um foco maior nos personagens e apresentam as coisas com calma, dedicando tempo para que nos importemos com os personagens, suas motivações e suas dificuldades.

    Outra grande mudança feita no livro é a adição de clones, um conceito desconhecido por Asimov quando seu primeiro livro foi publicado. A ideia de três imperadores clones, Irmão Dia (Lee Pace), Irmão Crepúsculo (Terrence Mann) e Irmão Amanhecer (Cassian Bilton) é indiscutivelmente a novidade mais fascinante ao show.

    Embora os dois primeiros episódios não mergulhem muito profundamente nas ramificações da Psico-história e no que ela significa para o livre arbítrio, ele ainda explora essas ideias por meio dos imperadores. Os imperadores têm idades diferentes e literalmente crescem vendo exatamente o que se tornarão, então eles se rebelam contra isso. Cada um dos três homens está desesperado para provar que são diferentes de seus irmãos e de todos aqueles que vieram antes, mas a luta parece perdida.

    Vale assistir

    A Fundação poderia facilmente ter se tornado uma confusão de conceitos e nomes, mas encontra o equilíbrio certo entre espetáculo visual, enredos épicos e drama humano. 

    Embora os dois primeiros episódios sofram um pouco por ter que apresentar muitas coisas em pouco tempo, essa já prova ser uma série imperdível capaz de equilibrar com sucesso ideias grandiosas e complexas, auxiliada por um grande elenco e um mundo enorme com histórias humanas e fundamentadas e apresenta para um novo público o intrigante clássico de Isaac Asimov.

    Por enquanto, ela pode ser vista apenas na Apple TV. Veja o trailer:

    Veja mais