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    Garoto transforma prédio em nave espacial em cena exclusiva de 'Edifício Gagarine'

    Filme fez sua estreia em diversos Festivais
    Por Daniel Reininger
    20/08/2021 - Atualizado há 28 dias

    Edifício Gagarine, filme exibido em mais de 25 festivais, incluindo Cannes, chega aos cinemas brasileiros em 26 de agosto. Para você conhecer melhor essa intrigante história, a Vitrine Filmes liberou para o Cineclick uma cena exclusiva emocionante. 

    No vídeo um grupo de jovens se diverte numa estufa subterrânea do prédio, marcado para demolição. Veja:

    Trama

    Na história seguimos Youri, de 16 anos, rapaz que cresceu em Gagarine, um enorme conjunto habitacional de tijolos vermelhos nos arredores de Paris, onde sonha em se tornar um astronauta. 

    Ao tomar conhecimento de que o lugar onde mora será demolido, Youri decide se somar a um movimento de resistência. 

    Com a cumplicidade de Diana, Houssam e dos moradores, ele se atribui a missão de salvar o conjunto habitacional, transformando-o na sua “nave espacial”.

    O filme

    O enorme conjunto habitacional de tijolos vermelhos Cité Gagarine, com 370 apartamentos, construído nos anos 60 nos arredores de Paris é o cenário do filme de Fanny Liatard e Jérémy Trouilh. 

    O edifício recebeu esse nome em homenagem ao primeiro homem no espaço, o russo Yuri Gagarin, que esteve na inauguração do conjunto em 1963.

    Na época, edifícios altos estavam sendo erguidos para “limpar” as favelas da periferia da capital francesa. Com o passar dos anos, essas “utopias coletivas” se tornaram bairros frequentemente estigmatizados e marcados por uma renovação urbana. Em 2014, foi tomada a decisão de demolir Cité Gagarine, e os habitantes foram gradualmente realocados.  

    "Em nossas mentes, Youri, o adolescente, e Gagarine, o prédio, estão em um diálogo ininterrupto um com o outro. Quando pensamos em Youri, imaginamos seus pais se mudando para o conjunto habitacional antes de seu nascimento e sendo inspirados a lhe dar o nome do lugar. Youri foi criado lá e desenvolveu uma imaginação igual a do enorme arranha-céus", revelam os diretores Fanny Liatard e Jérémy Trouilh.

    "A perspectiva de seu desaparecimento significa, para ele, a morte de seus sonhos e memórias de infância. Também significa perder sua amada comunidade. Queríamos dar uma visão positiva de um lugar e uma geração que costumam ser caricaturados. Youri ama sua vizinhança. Para ele, o Gagarine não é uma utopia ultrapassada, é o seu presente e o solo do seu futuro. Sair significa perder tudo: abandonar sua família e seu mundo imaginário. Então ele assume a resistência", explicam.

    A dupla conta ainda como a ideia do filme surgiu em meio a uma experiência real. “Alguns amigos arquitetos foram contratados para estudar a possível demolição de Gagarine. Eles nos pediram para gravar depoimentos de alguns moradores. Fomos imediatamente atraídos pelo lugar e pelas pessoas. Desde a nossa primeira visita, pensamos em fazer um filme, nunca tínhamos feito ficção, mas era evidente que era por aí que tínhamos de começar”, contam.  

    Para eles, o longa virou um registro eterno de algo que não existe mais. “O filme  também é uma ferramenta de lembrança, testemunhando a arquitetura do período, e principalmente para as pessoas que deram vida ao local. Eles estão em toda parte no filme - em arquivos visuais e de som, na tela e atrás da câmera. Tentamos mostrar que o prédio é importante, mas no final o que resta são as pessoas. A relação com o lugar perdura, aconteça o que acontecer. Isso é o que tentamos capturar e transmitir. Segurando um espelho que reflete a beleza e complexidade dessas vidas”, concluem. 

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