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    Globo de Ouro serve de contraponto ao Oscar, mas sofre com mesmos problemas

    Associação responsável pela cerimônia está precisando contornar polêmicas para continuar relevante
    Por Flávio Pinto
    24/10/2021 - Atualizado há cerca de 1 mês

    Tudo começou há cerca de um ano, quando a Hollywood Foreign Press Association (Imprensa Estrangeira de Hollywood, em tradução) anunciou os indicados anuais à 78.º edição dos Globos de Ouro, tradicional premiação norte-americana que celebra os melhores filmes e produções para a televisão do ano. 

    Imediatamente, os críticos e especialistas do segmento começaram a opinar sobre algumas "escolhas" dos votantes. Como, por exemplo, a nomeação de James Corden na categoria de melhor ator em filme de comédia ou musical, por A Festa de Formatura, da Netflix. Assim também como as indicações de Emily in Paris — também da plataforma de streaming. 

    Mas nada se comparou com as críticas referentes à falta de representação nas categorias de cinema e de televisão, levando mesmo até uma "chamada" das apresentadoras do prêmio, Tina Fey e Amy Poehler, durante a própria cerimônia.

    A partir daí, o cenário e a visão do prêmio mudou radicalmente, com acusações de racismo e compra de votos, algumas das quais celebridades aderiram. Hoje, a a HPFA está dando uma rebolada para tentar contornar essas — e outras polêmicas. 

    Leia mais e veja o que está sendo feito. 

    Associações começaram a pedir boicotes à premiaçãoReprodução

    Acusações de racismo

    As indicações ao último Globo de Ouro trouxeram à tona diversas acusações de racismo presentes na cerimônia. Por exemplo, muitos jornalistas e especialistas apontaram que, algumas das produções mais aclamadas dos anos, no segmento de minissérie, que foram esnobadas, se trataram de títulos focados em histórias negras. 

    I May Destroy You (2020), Watchmen (2019), Olhos que Condenam (2019), por exemplo, vieram a ter successo no Emmy e nas listas de "melhores do ano", mas foram todas sumariamente esnobadas pela premiação. Já a série Lovecraft Country (2020) quase teve o mesmo destino, exceto que recebeu uma única nomeação na categoria de drama — mas todos os seus intérpretes, que foram indicados ao Emmy, não foram lembrados.

    Por conta disso, em uma reportagem no New York Times, foi descoberto que nenhum jornalista que se considerava negro fazia parte da associação desde 1987. Esse fato foi até reconhecido no discurso da dupla Amy Poehler e Tina Fey, que estavam apresentando a noite. Já de acordo com Variety, a ex-presidente Meher Tatna confirmou que profissionais negros não estavam associados à HPFA desde 2002, quando ela passou a fazer parte do grupo. 

    A coisa ficou feia: Tom Cruise anunciou que iria devolver seus prêmios recebidos pela associação Reprodução

    Piorando ainda mais a situação do grupo, Tom Cruise anunciou que devolveria os seus troféus recebidos pelo grupo. Na esteira disso, a Amazon, a Warner Media e a Netflix também divulgaram que não iriam mais submeter às suas produções ao coro do grupo.

    Tempos depois, a cinco vezes indicada, Scarlett Johansson, também engrossou o grito e solicitou que outros profissionais da indústria também boicotassem o prêmio. Segundo a atriz, ela se sentiu muitas vezes alvo de perguntas sexistas e observações indiscretas por membros da associação. Seu colega de Os Vingadores, Mark Ruffalo, também apoiou a ideia publicamente. 

    Já a NBC, que apresentava a cerimônia anualmente há décadas, bateu o martelo: ano que vem, não exibirá o prêmio. Tendo em vista todo esse boicote, o que a associação promoveu para tentar reanimar a cerimônia?

    Após o cancelamento por meio da rede NBC, a HPFA começou a mover pauzinhos para tentar recuperar a moral. Segundo a associação, que resolveu instituir novas regras e diretrizes, as mudanças implementadas procuram dar foco à “responsabilização, inclusão e transparência”, e convidará seus parceiros “de toda a indústria a se unir na missão de levar Hollywood para o mundo de uma maneira ainda mais inclusiva e diversificada”.

    Na mudança em busca de diversidade foi determinado que, agora, não será mais necessário que apenas os jornalistas morem em Los Angeles, façam parte do grupo. Também foi feita uma reavaliação anual do credenciamento de todos os membros da HFPA, que acontecerá paralelamente à inclusão de novos integrantes. 

    Seus membros também terão que trabalhar sob um novo código de conduta, que inclui a proibição de aceitar “materiais promocionais ou presentes de estúdios, agentes, atores, diretores ou outros profissionais envolvidos na produção de filmes ou programas de TV”, fazendo com que acusações de indicações ou prêmios comprados desapareçam. 

    Indicações para o filme O Turista, em 2011, também causaram desconforto e acusações de compra de votosDivulgação (Sony Pictures)

    O Globo de Ouro é comprado?

    Acusações sobre compra de votos também não são novidade. 

    Em 2011, o filme pouco aclamado e visto, O Turista (2010), estrelado por Johnny Depp e Angelina Jolie, recebeu indicações como melhor filme de comédia e musical, mesmo sabendo que o título se trata de um thriller de espionagem. 

    O apresentador da noite, Ricky Gervais, até brincou com o fato perguntando à Depp, se ele o vira. Rumores, então, começaram a surgir que a Sony, que distribuiu o filme, havia influenciado os eleitores do prêmio com uma viagem com todas as despesas pagas a Las Vegas.

    Fato similar levantou muitos olhares suspeitos em 1982, quando Pia Zadora ganhou um prêmio extinto da associação como melhor nova estrela, no filme Butterfly, produção extremamente criticada da época. Para título de comparação, Zadora ganhou o prêmio concorrendo contra Elizabeth McGovern (Na Época do Ragtime) e Kathleen Turner (Corpos Ardentes). 

    Depois da bizarra vitória, foi descoberto que o marido de Zadora, o milionário Meshulam Riklis, levou os membros da HFPA ao seu cassino em Las Vegas, dando a impressão que o prêmio se tratou de uma transação comercial. Além disso, Riklis também convidou membros para um almoço generoso que incluía a exibição do filme. Um ano após a vitória de Zadora, a categoria foi extinta da premiação.

    Zadora posou com seu troféu em 2015 em entrevista ao The Hollywood ReporterDivulgação (The Hollywood Reporter)

    O Globo de Ouro realmente importa?

    Uma das maiores tradições da temporada de prêmios de Hollywood, o Globo de Ouro tem seu peso. Ou melhor, parecia ter. 

    Embora com um corpo de votante menor que o do Oscar ou do Emmy (90 membros escolhem os melhores do ano aqui em contraste às 9 mil do Oscar e às 20 mil do Emmy), a noite era vista como a abertura da temporada de prêmios. Sem contar que se tratava de uma das premiações mais antigas do circuito, com quase 80 anos de entregas.

    Agora, a HFPA está tendo que se reinventar. Este ano, mesmo sem cerimônia exibida, a associação já anunciou que fará sua premiação normalmente, mas em formato de coletiva de imprensa. Noite que acontecerá na mesma ocasião em que o Critic's Choice Awards. 

    Vamos acompanhar cenas dos próximos episódios para ver se o Globo de Ouro permanecerá relevante — embora tudo aponte para o seu eventual esquecimento. 

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