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    Gramado 2001: É impossível o Brasil não ganhar

    Por Da Redação
    07/08/2001

    O Festival de Gramado deste ano teve uma excelente idéia que poderia ser adotada pela FIFA na próxima Copa do Mundo: a competição oficial foi dividida em duas mostras diferentes. De um lado, Chile, Argentina, Uruguai e Espanha competem entre si. Do outro lado, só filmes brasileiros. Se a Copa do Mundo também fosse assim - deixando Brasil sozinho numa única chave - talvez nós tivéssemos alguma chance...

    A fórmula foi adotada para não causar problemas políticos. Explicando melhor: até 1990, o Festival de Gramado era exclusivamente dedicado à produção brasileira. Com o (des)governo Collor, a produção cinematográfica do Brasil caiu a praticamente zero e, naquela época, o Festival quase foi extinto, pela absoluta falta de filmes. Resolveu-se então convidar países de língua latina para ajudar a compor o evento. Os "hermanos" ajudaram prontamente, e durante toda a década de 90 Gramado se transformou num evento de Cinema Latino, assegurando assim a continuidade do evento.
    Muito bem. Agora, porém, a produção cinematográfica brasileira já retomou seus níveis - quase - normais, de forma que já temos filmes em quantidade e qualidade suficientes para formatar um belo Festival. Trocando em miúdos, "não precisamos" mais dos hermanos. Como ficaria extremamente antipático simplesmente descartar os filmes latinos como se fossem sapatos velhos, optou-se então pela fórmula de desmembrar a mostra competitiva em duas: latina e brasileira.
    "É como se fossem dois festivais em um", argumenta, bem humorado, Enoir Zorzanello, diretor do Festival de Gramado, em entrevista exclusiva ao Cineclick.

    Zorzanello diz também que Gramado vai seguir a sua tradição de "revelar novos talentos em curtas-metragens", característica sempre bastante forte deste Festival. E contabiliza: "Entre os curtas de 16 e os de 35 milímetros, são 24 filmes em competição. todos brasileiros".
    A julgar pela primeiro curta exibido na noite de ontem - A Canga - o Festival realmente promete, em relação à qualidade dos curtas. Com direção do paraibano Marcus Villar, A Canga é um trabalho forte e vibrante sobre o desespero de uma família nordestina em meio à loucura proporcionada pela seca. O filme já foi premiado no recente Fetival de Fortaleza, e tem imagens belissimamente fotografadas por Walter Carvalho, o mesmo diretor de fotografia de Central do Brasil.
    De longe, A Canga foi o melhor entre os curtas exibidos ontem. Pena que, por ter sido exatamente o primeiro filme do Festival, ele foi exibido ainda para uma platéia praticamente vazia.