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    GRAMADO 2007: Coutinho apresenta novo documentário

    Por Da Redação
    17/08/2007

    Durante o Festival de Cinema de Gramado, realizado de 12 a 18 de agosto na cidade gaúcha que dá nome ao evento, o documentatista Eduardo Coutinho, o mais respeitado da atualidade, apresentou seu novo trabalho, Jogo de Cena. Ao lado de Marília Pêra, que participa desse projeto, Coutinho conversou com a imprensa presente no festival não somente sobre o documentário - exibido fora de competição na última noite, sexta-feira (17) -, mas também sobre a homenagem que recebeu em Gramado. O cineasta foi o primeiro homenageado pelo recém-criado troféu Kikito de Cristal, concedido a cineastas pelo conjunto de sua obra.

    "Sou um mestre em não dirigir as pessoas", afirmou Coutinho, que, no caso de Jogo de Cena, mistura depoimentos reais e a interpretação de atrizes de casos contados às câmeras do diretor. É difícil definir, afinal, o que é Jogo de Cena porque o filme mistura pessoas reais a atuações. "As atrizes entram como profissionais, mas principalmente como seres humanos", explica.

    No fim das contas, trata-se de um documentário que investiga, dessa forma sensível que somente Coutinho sabe fazer, a alma feminina. Ele conta que buscou mulheres que estivessem dispostas a contar alguma história marcante à sua equipe. Após um processo de seleção envolvendo 83 mulheres, foram escolhidas aproximadamente 20 não somente pela força de suas histórias, mas principalmente pela relação que elas mostraram ao contá-las. "Diante de uma câmera, um depoimento é tão teatral quanto sincero", pensa do diretor. "Interessou na mim saber como uma mulher comum se comporta de uma forma teatral e contrário também", conta Coutinho. "Este filme é muito feminino, nunca daria certo com homens porque eles não estão acostumados a expor suas histórias tão livremente quanto as mulheres, é uma questão cultural", explica.

    E, de fato, a proposta feita às atrizes, que deveriam se comportar como mulheres comuns, faz com que elas se exponham muito mais do que se pressupõe. É possível perceber isso no filme quando Marília Pêra, Fernanda Torres e Andréa Beltrão - as únicas conhecidas do grande público - contam como se sentiram ao interpretar aqueles personagens. Existe uma entrega evidente de todas as atrizes e o mais maluco no documentário é que, no caso das atrizes desconhecidas, o espectador dificilmente percebe quem é a mulher que realmente viveu a história que está sendo contada. Portanto, o jogo travado por Coutinho em seu documentário é não somente entre as mulheres que estão na tela, mas também entre o próprio filme e o espectador, que se emociona, ri e chora. Essas emoções que os filmes provocam no público estão totalmente ligadas à sensibilidade e o respeito que o cineasta tem com seus personagens. Cria-se um elo entre entrevistado e entrevistador que transpassa a câmera e toca o público de uma forma muito real e honesta.

    "Aceitei o convite sem mesmo saber do que se tratava o filme porque confio no Coutinho", conta Marília. "Sabia que era uma oportunidade de aprender mais não somente sobre cinema, mas sobre a vida." Ela lembra que seu primeiro papel no cinema foi num filme de ficção do cineasta, em 1967. "Naquela época, achava que ninguém me chamava para fazer cinema porque era feia; o Coutinho me fez parecer linda na tela e desde então tenho acompanhado o trabalho dele", conta a atriz.

    Jogo de Cena tem previsão de estréia no circuito comercial para novembro.

    Fotos: Edison Vara/ PressPhoto