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    GRAMADO 2007: Frio e decepção na segunda noite

    Por Da Redação
    14/08/2007

    A segunda noite do 35º Festival de Cinema de Gramado foi fria, não somente pelo vento gelado que chegou à cidade serrana, mas também dentro do Palácio dos Festivais, onde são realizadas as apresentações dos filmes em competição. As exibições de ontem criaram um desconfortável clima de tensão no imponente cinema de Gramado.

    Os eventos noturnos foram iniciados às 19h, com a exibição da primeira produção estrangeira a concorrer ao Kikito este ano, o documentário argentino Cocalero, dirigido por Alejandro Landes. O longa-metragem acompanha a campanha do presidente Evo Moralez, o primeiro indígena a ser eleito ao cargo na Bolívia. A abordagem é bem parecida com a produção brasileira Entreatos, na qual João Moreira Salles acompanha a campanha para presidente de Lula em 2003, guardadas as devidas proporções. Como ambos os presidentes têm origem social semelhante, os dois documentários são capazes de dialogar num panorama mais abrangente sobre as condições sociopolíticas na América Latina atual.

    Trata-se de um documentário interessante; pena que os espectadores não puderam apreciá-lo com clareza. Por problemas na alfândega, a cópia de Cocalero que seria exibida na noite de ontem não chegou a Gramado. Resultado: a organização preferiu exibir o longa-metragem em DVD mesmo. O problema é que o Palácio dos Festivais não possui equipamentos com tecnologia suficiente para projetar uma cópia em DVD com qualidade decente, no mínimo. O que o público viu foi uma projeção escura, de qualidade péssima. Detalhe: com uma marca d'água no canto direito do longa, onde se lia For Private Screening Only (somente para exibição privada). Ou seja, o DVD exibido no Festival de Gramado era o que chamamos de "cópia de serviço", uma versão do filme enviada pela produtora para sua seleção ao evento.

    Num festival do porte de Gramado, situações como esta são inconcebíveis. Quando aquela marca d'água apareceu na tela, foi difícil acreditar que estávamos realmente testemunhando aquela situação. Mas os problemas da noite não terminaram após a péssima exibição de Cocalero. O segundo concorrente apresentado na noite de ontem (13) foi o longa-metragem Olho de Boi, do realizador cearense Hermano Penna. O diretor, elenco e parte da produção do filme estiveram presentes para a apresentação do longa, rodado na cidade de Itu, no interior de São Paulo. Pouco mais de cinco minutos após o início da projeção, as luzes se acenderam e a tela foi apagada. Eis que Vianna surgiu da entrada da sala de exibições gritando, explicando que ele mesmo havia mandado parar a projeção de seu filme porque a janela estava errada. Ou seja, o formato no qual o filme foi rodado e concebido não estava sendo respeitado na exibição por conta de uma escolha errada do projetista. "Isso é um absurdo! É por isso que o cinema brasileiro não vai para frente!", gritava Vianna a uma platéia atônita, tanto com a coragem do cineasta ao defender sua obra desta forma quanto com os problemas que desfilavam pela segunda noite do Festival de Cinema de Gramado.

    Foto: Cristiano Estrela/PressPhoto