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    GRAMADO 2007: Nacido y Criado emociona o público

    Por Da Redação
    15/08/2007

    Não tem como negar: a exibição de Nacido y Criado (2006), produção argentina dirigida por Pablo Trapero (Família Rodante), tocou os espectadores presentes no Palácio dos Festivais ontem (14), a terceira noite do evento. Concorrente ao Kikito de Longas-Metragens Estrangeiros, a produção é um drama sobre o impacto que um acidente automobilístico tem na vida de um jovem designer de interiores.

    O filme é dividido em dois momentos bastante distintos. Num primeiro, tomamos contato com a bela e jovem família comandada por Santiago (Guillermo Pfening, que trabalhou com o cineasta Hector Babenco em Coração Iluminado, de 1996). Ele é casado com a bela Mili (Martina Gusman), com quem tem uma filha pequena, Jose (Victoria Vescio). Eles moram numa linda casa em Buenos Aires, têm uma empresa de decoração e são felizes na vida conjugal. O momento em que um acidente marca a vida famíliar representa uma tremenda reviravolta não somente em suas vidas, mas no filme em si. Se a primeira parte de Nacido y Criado parece um romance totalmente convencional, a segunda é um verdadeiro soco no estômago do espectador. Trapero nos insere completamente nos tormentos que passam a acompanhar o protagonista, que, vendo sua vida perfeita escorrer por entre os dedos após o acidente, resolve castigar-se ficando isolado no extremo sul da Argentina, um lugar tão gelado, vazio, solitário e inóspito quanto sua própria alma.

    Nacido y Criado é um belo longa-metragem, forte, contundente e extremamente triste. Trapero mostra destreza na direção ao compor belas cenas, aproveitando todo o cenário gelado do qual dispõe e mostrando um senso bastante aguçado e sensível em relação à composição dos elementos dentro de cada uma das cenas. Tirando de seus atores performances memoráveis e emocionantes, especialmente do ator principal, Pfening, o cineasta argentino mostra maturidade em seu trabalho por trás das câmeras numa obra-prima memorável. O diretor consegue fazer algo bastante difícil: mostrar ao espectador com clareza a dor e os tormentos que ocupam a alma do protagonista.

    O filme foi exibido em 2006 no Festival de Toronto (Canadá), no Festival de Roma (Itália), em Tolouse (França) e no Festival Internacional de Seattle (EUA).