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    GRAMADO 2007: O Banheiro do Papa abre a noite

    Por Da Redação
    17/08/2007

    O primeiro filme exibido na penúltima noite de exibições (16) do Festival de Cinema de Gramado foi a produção Brasil/ Uruguai O Banheiro do Papa, de 2005. Dirigido pelo uruguaio radicado no Brasil César Charlone (que também assina a magnífica fotografia do longa) e Enrique Fernández, foi apresentado em Gramado pelos atores César Troncoso e Virgínia Mendez. Troncoso, protagonista do longa, chamou atenção ao fato de que O Banheiro do Papa tem muito do clima da cultura brasileira por ter sido rodado numa cidade uruguaia que fica pertíssimo da fronteira.

    E, de fato, O Banheiro do Papa só não é totalmente brasileiro por ser falado em espanhol. Vários elementos que compartilhamos com outros países da América Latina transitam pela trama, baseada em história real ocorrida na cidade uruguaia de Melo. Em 1988, o Papa João Paulo II visitou a humilde cidade, que se encheu de preparativos para a chegada do religioso. Estimava-se a visita de centenas e milhares de visitantes e os moradores contavam com esse evento para mudarem de vida. Muitos venderam casas, terrenos e outros pertences para comprarem carnes, lingüiças, pães e afins para abastecer o público esperado com comida o suficiente. Beto (Troncoso) é um homem que vive de trazer mantimentos, encomendados por comerciantes locais, de cidades maiores na garupa de sua bicicleta. Ele pedala 60 quilômetros e atravessa a fronteira brasileira nesse seu trabalho, correndo riscos e forçando sua já defasada saúde. Pai de uma menina que sonha em ser repórter (Virginia Ruiz), é casado com uma mulher (Virgínia) que faz de tudo para apoiá-lo em suas decisões e tentativas de melhorar de vida, inclusive quando ele tem a idéia de construir um banheiro para que os milhares de turistas possam usar durante a visita do Papa.

    Co-produzido por Fernando Meirelles (O Jardineiro Fiel), O Banheiro do Papa foi exibido no último Festival de Cannes. Bastante delicado, o drama aborda de forma sensível a pobreza dos moradores de Melo, além de exaltar sempre a presença da esperança em suas vidas, mesmo em meio à miséria, o que o aproxima bastante com a cultura brasileira. As locações são simples e pobres, mas a fotografia de Charlone é capaz de transformá-las em belíssimas cenas graças às escolhas bem-acertadas na iluminação, quase sempre natural. A direção aproveita muito bem o meio-ambiente inóspito e simplório onde a história se passa. Além disso, os atores apresentam um trabalho encantador, especialmente Troncoso, apesar da pouca experiência do ator uruguaio em cinema. Isso porque tanto ele quanto Virgínia (outro trabalho memorável neste filme) tem mais experiência no teatro, arte mais tradicional no Uruguai do que o cinema.

    O Banheiro do Papa ainda não tem data de estréia prevista no circuito comercial brasileiro.