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    GRAMADO 2007: Zezé Motta recebe troféu Oscarito

    Por Da Redação
    15/08/2007

    A atriz exuberante Zezé Motta recebeu o troféu Oscarito na 35ª edição do Festival de Cinema de Gramado, realizado desde domingo (12), na cidade serrana gaúcha. Acumulando 33 títulos de longas-metragens em seu currículo em seus 40 anos de carreira, Zezé esteve em Gramado para receber a homenagem e fazer uma espécie de balaço dessas décadas como "cantriz" (cantora e atriz), como gosta de dizer. Esbanjando carisma e simpatia, sempre exibindo um largo sorriso, Zezé conversou com os jornalistas presentes no festival gaúcho nesta terça-feira (14), horas antes de subir ao palco do Palácio dos Festivais para receber a homenagem.

    "Desde ontem estão me perguntando como estou me sentindo ao receber esta homenagem e minha única conclusão é que valeu a pena esta profissão que escolhi para mim", disse a atriz, que, especialmente pelo fato de ser negra, passou por diversos problemas no começo da carreira num mercado tão escasso como o das artes dramáticas. "Quando tive de morar seis meses em São Paulo, quase desisti", lembra a carioca, que passou por sérias dificuldades financeiras. Ela foi à cidade para trabalhar na polêmica peça Roda Viva, censurada inclusive na capital gaúcha. "Fomos espancados em São Paulo, fizemos passeatas no Rio... Mas, felizmente, isso é coisa do passado", diz a atriz, que viveu todos os episódios problemáticos relacionados à peça, já que esteve no elenco em todas as montagens. Ela conta que a entrada de Marília Pêra no elenco da montagem foi crucial para que Zezé não desistisse da carreira: "Foi a Marília que mais me ajudou nessa época."

    Mas os tempos de fome estão no passado e a coroação do papel de Zezé, tanto no cinema quanto na melhor integração dos atores negros na dramaturgia brasileira, com esta homenagem em Gramado, faz com que entendamos sua importância. Em cartaz na programação do festival em dois longas - Deserto Feliz e O Cobrador -, Zezé fala com carinho evidente de seus papéis mais marcantes, especialmente como a protagonista de Xica da Silva. Dirigida por Cacá Diegues, a atriz contracenou no longa com o mestre de cerimônias do festival José Wilker, que também não escondeu a emoção ao apresentá-la ao público presente no Palácio dos Festivais, na noite de ontem (14). Símbolo sexual depois do longa de Diegues, Zezé conta que chegou a passar por um "processo de embranquecimento", como ela mesma diz. "Até pensei em diminuir o tamanho de minha bunda, queria operar o nariz, usava uma peruca Chanel..." Ao virar protagonista de Xica da Silva, o Brasil e ela mesma perceberam a beleza negra de uma forma mais honesta, enraizada.

    Mas esse período de persistência fez com que Zezé se tornasse uma verdadeira representante e militante dos atores negros no Brasil. "Percebo que existe hoje uma maior preocupação em dar mais espaço aos atores negros", observa. "Passei a cobrar essa invisibilidade de atores negros na mídia e uma das desculpas mais usadas foi que não se acham profissionais assim no mercado", conta Zezé. Por isso, ela criou em 1984 o Cidan (Centro Brasileiro de Informação e Documentação do Artista Negro). Na página on-line da instituição, é realizada a promoção dos artistas como se fosse um grande catálogo.

    "Não temos mais tempos para lamúrias", conclui a atriz, que ainda soltou sua bela e forte voz aos jornalistas, cantando a música Minha Missão.


    Foto: Edison Vara/PressPhoto