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    A História do Terror no Cinema: tudo sobre filmes de terror

    Filmes de terror são mais do que sustos e sangue: são um reflexo da sociedade e de seus medos
    Por Da Redação
    16/12/2020

    Os filmes de terror são parte indispensável da história da Sétima Arte, discutindo política, refletindo movimentos sociais e ajudando a sociedade a lidar com a realidade. Quando falamos do gênero, algumas obras clássicas podem vir à mente: O Exorcista (1973), Suspiria (1977), O Iluminado (1980), Pânico (1996), A Hora Do Pesadelo (1984), Corra! (2017), Hereditário (2018), entre muitos outros.

    Apesar de todos carregarem consigo o poder de gerar medo na sua audiência, as diferenças narrativas e estéticas são incontestáveis. Não é para menos: com uma história que começou há mais de cem anos, os filmes de terror já passaram por várias fases e transformações.

    A evolução dos filmes de terror: uma jornada que começa em 1896 e chega até 2020

     

    A trajetória dos filmes de terror começou em 1896, um ano após o que é considerado o início do cinema.

    Conhecido como o primeiro filme de terror do mundo, O Castelo do Demônio, de George Méliès, surgiu com apenas dois minutos de duração - que retratam Mefistófeles e os temores da virada do milênio - e conseguiu seu lugar na história.

    Alguns anos depois, o mundo seria abalado por diversas crises e guerras e isso influenciou diretamente o gênero. Em 1919, depois da Primeira Guerra Mundial e quando a Alemanha passava por um forte período de depressão econômica, surgiu o Expressionismo Alemão. Nos filmes de terror que pertencem a esse movimento, o que não faltam são cenários distorcidos, personagens com maquiagens carregadas e filmagens que aprofundam essa deformação.

    É impossível falar do Expressionismo Alemão sem citar O Gabinete Do Dr. Caligari (1919), que apresenta uma realidade repleta de sonambulismo e loucura por meio de seus personagens e cenário, cujo exagero por si só já impacta (e assusta) a audiência.

    Outro filho direto do movimento é o clássico Nosferatu (1922), carregado de uma fotografia gótica e do personagem que viria a fazer história no gênero com suas orelhas pontudas e dedos compridos. Títulos que também marcaram o início do terror e que valem a menção são "A Morte Cansada" (1921) e "O Estudante de Praga" (1926).

    Surfando na onda iniciada por Nosferatu, que se você não sabia é uma adaptação do livro "Drácula", de Bram Stoker, modificada por causa de direitos autorais, muitos filmes de terror mergulharam de cabeça nos clássicos da literatura gótica. Os mais famosos são os inesquecíveis Drácula (1931) e Frankenstein, ambos de 1931, que durante a Grande Depressão transportaram a audiência para lugares longínquos repletos de monstros - um terror diferente da realidade da época.

    Anos mais tarde, o cenário piorou com a chegada da Segunda Guerra Mundial e ela, assim como as crises que a antecederam, influenciou diretamente na Sétima Arte. A mudança do papel das mulheres na sociedade, que começaram a sustentar a casa e substituir os homens enviados à guerra, apareceu nos filmes. Foi quando as vilãs chegaram ao imaginário do terror, com filmes como Pérfida (1941), Pacto de Sangue (1944) e À Meia Luz (1944).

    De fato, a Segunda Guerra marcou para sempre a sociedade e não foi à toa: além dos horrores da guerra, o uso de armas nucleares e seus efeitos devastadores nas cidades de Nagasaki e Hiroshima chocaram o mundo. Como consequência, filmes com monstros gigantes que ameaçavam cidades inteiras emergiram nas telonas, sendo Godzilla (1954) o mais marcante de todos. Parte desses monstros são os famosos zumbis, representados pelo clássico A Noite Dos Mortos Vivos (1968).

    Nessa época, o cinema também ganhou cores e o sangue vermelho (e algumas vísceras) começou a dar o ar da graça no gênero. Banquete de Sangue (1963), por exemplo, é conhecido como um marco do gore, subgênero do terror que conta com muita violência e cenas de restos mortais e muito, mas muito sangue.

    Chegando na década de 1970, os horrores da guerra foram ficando para trás e sendo substituídos por casos chocantes. Um dos mais emblemáticos foi o da Família Manson, uma seita comandada por Charles Manson que cometeu uma série de assassinatos, incluindo o de Sharon Tate, atriz consagrada e esposa do diretor Roman Polanski, que estava grávida de nove meses na época. Como resultado, vários filmes de terror se inspiraram diretamente no caso; os que merecem destaque são Aniversário Macabro (1972), Amargo Pesadelo (1972), O Massacre Da Serra Elétrica (1974) e Quadrilha Dos Sádicos (1977).

    Ao mesmo tempo, filmes com temas sobrenaturais, de exorcismos a cultos demoníacos, dominaram a década e ganharam o público. O Exorcista (1973), por exemplo, é um longa que, além de sobrenatural, também é baseado em fatos reais - algo usado a seu favor, uma vez que, distorcendo a realidade, tornou-a ainda mais aterrorizante. Outros filmes com temas além da compreensão humana são: Carrie - A Estranha (1976), A Profecia (1976), Suspiria(1977) e Poltergeist - O Fenômeno (1982).

    Também foi por volta dessa época que outra ameaça chegou aos noticiários: o vírus da AIDS. Não é à toa que infecções e histórias com parasitas que se espalhavam pelo corpo sem ninguém perceber chegaram aos filmes de terror nessa década. Um exemplo deles é Invasores De Corpos, de 1978.

    Entrando na década de 1980, os filmes de terror começaram a ganhar os ícones contemporâneos como Freddy Krueger, Jason e Chucky. Nessas histórias, o que predomina é o subgênero slasher, no qual um psicopata mata aleatoriamente inúmeras vítimas.

    Como se pode imaginar, o terror sugestivo já havia perdido um bom espaço, sendo substituído por uma demanda por horror escancarado. Faz sentido, uma vez que os anos 1980 contaram com o que até agora nenhuma outra época dos filmes de terror tiveram acesso: tecnologia em ascensão. Clássicos que se beneficiaram dessa onda foram a trilogia original de Alien, O Oitavo Passageiro, assim como a transformação de um homem em lobisomem em Um Lobisomem Americano Em Londres (1981).

    Em comparação com suas antecessoras, a década de 1990 não foi tão marcante para o cinema de terror. Muitos a definem como um período de continuações, tanto das tendências de efeitos especiais como também dos sucessos que marcaram os anos anteriores, já que inúmeras sequências foram lançadas nesse período.

    Outras apostas da época foram o thriller psicológico, como em O Silêncio Dos Inocentes (1991) e Seven - Os Sete Crimes Capitais (1995), e o terror para adolescentes, como em Pânico (1996). Alucinações do Passado (1990) e Drácula De Bram Stoker (1992) também marcaram a década, seguidos por A Bruxa De Blair (1999), exemplar de sucesso dos subgêneros Found Footage e mocumentário, no qual o enredo tem um caráter documental.

    Chegando nos anos 2000, o atentado do 11 de setembro marcou a sociedade e trouxe novamente à tona um sentimento de estarmos vivendo tempos apocalípticos. Essa tendência resultou no Madrugada Dos Mortos (2004), remake de Despertar dos Mortos, por exemplo, mas não se limitou a isso. Filmes que apostavam na tortura como maior premissa começaram a despontar, como Jogos Mortais (2004) e O Albergue (2005).

    Cada vez mais, os efeitos especiais foram se aproximando da realidade e vários clássicos do terror foram refeitos, provando essa evolução, como é o caso de O Massacre Da Serra Elétrica (2003). Outra aposta foi o sobrenatural no estilo de filmagens encontradas como em Atividade Paranormal (2007).

    Essas tendências de certa forma se mantiveram ao longo da década seguinte, com remakes como Poltergeist - O Fenômeno (2015) e filmes sobrenaturais que tiveram um grande sucesso como Invocação Do Mal (2013). Outra aposta que se vê muito frequente são temas mais políticos e apostas em um terror mais psicológico, como é o caso de Corra! (2017) e A Bruxa (2016).

    Cena de O Exorcista

    Filmes de terror de 1970 até hoje: as obras e tendências mais marcantes

     

    O que não falta ao longo da história dos filmes de terror são obras marcantes que não só retrataram o imaginário de uma época, mas também ajudaram a sociedade a lidar com os medos que enfrentava. De fato, é impossível entender os movimentos do cinema de terror sem ter um pouco do contexto do momento histórico em que foram lançados.

    A seguir, mostramos quais os filmes de terror mais marcantes de 1970 até os dias de hoje e as tendências que os influenciaram.

    De alienígenas a serial killers: os filmes de terror nos anos 1970

    A década de 1970 já teve início de forma conturbada em termos históricos, principalmente na terra do Tio Sam. Ela começou com a Guerra Fria em alta, sendo que em 1962 ocorreu a Crise dos Mísseis entre Cuba e EUA e em 1969, a chegada do homem à Lua.


    Como se não bastasse, em agosto de 1969 também ocorreu o Caso Tate-LaBianca, no qual a atriz Sharon Tate, esposa do diretor Roman Polanski e grávida de 9 meses, quatro amigos e o casal Leno e Rosemary LaBianca foram assassinados brutalmente.

    De fato, não faltou material para influenciar os filmes de terror dos anos 1970, que retrataram temas que iam desde massacres realizados por seitas religiosas até extraterrestres descobertos em missões espaciais. Talvez a abundância de inspirações seja um dos motivos pelos quais a época foi uma das mais importantes para o cinema de terror, lançando filmes que são referências até hoje.

    Seguindo o tema de seitas satânicas e dando início aos de serial killers, o brasileiro O Despertar da Besta (1970), de José Mojica Martins, e o italiano Banho de Sangue (1971), de Mario Brava, abriram a década com bastante sangue e erotismo. Essa tendência também estamparia o clássico O Massacre Da Serra Elétrica (1974), que firmou o subgênero slasher, e se desenvolveria em Halloween: A Noite Do Terror (1978). Vale lembrar de Tubarão (1975), filme que não é exatamente um slasher, mas bebeu bastante dessa fonte.

    A década seguiu para o macabro e profano com O Exorcista (1973), primeiro filme de terror a concorrer à categoria de Melhor Filme no Oscar e passagem obrigatória para qualquer fã de terror - em especial os de possessão. Em Carrie - A Estranha (1976) o sobrenatural se mescla aos dramas da adolescência, resultando em um filme marcante para o público. Aqui também vale a menção dos imperdíveis A Profecia (1976) e Suspiria (1977), famoso por colorir o terror com tons de neon.

    Por fim, os filmes de terror dos anos 1970 foram encerrados com chave de ouro com o tema extraterrestre. Invasores De Corpos (1978) contou com alienígenas e infecções - uma alusão à AIDS - em um enredo de tirar o fôlego. Um ano depois, em 1979, estreava Alien - O Oitavo Passageiro - Edição Especial Do Diretor, filme que marcou a história do cinema e contou com inúmeras continuações e remakes - que seguem até hoje.

    Os filmes de terror dos anos 1980 e a abundância de carnificinas

    A década de 1970 chegou ao fim em alta para os filmes de terror e, como consequência, a de 1980 já começou lá em cima. Prova disso é o inesquecível O Iluminado (1980), que pode ser considerado um dos mais marcantes do subgênero terror psicológico, movimento que se fortaleceria ainda mais na década seguinte.

    Vale lembrar que ao longo da década de 1980, a Guerra Fria enfrentava seus últimos anos, mas foi só em 1989 que ela de fato chegou ao fim. Em outras palavras, muito dessa época traz um aprofundamento de alguns temas vistos nos anos anteriores, sendo um dos mais marcantes a ficção científica.

    Além disso, o avanço tecnológico marcou a década, que foi palco de um aceleramento exponencial na área. É claro que tudo isso refletiu diretamente nos filmes de terror dos anos 1980, como em Um Lobisomem Americano Em Londres (1981), O Enigma De Outro Mundo (1982) e A Mosca (1986), que chocaram a plateia com transformações nunca vistas antes nos longas do gênero.

    Outra tendência aprofundada na época foi o slasher, subgênero no qual um serial killer persegue e mata várias pessoas. Aqui desabrocharam grandes nomes do cinema de terror, como Sexta-feira 13 (1980), A Hora Do Pesadelo (1984), Hellraiser: Renascido Do Inferno (1987) e Brinquedo Assassino (1988).

    As assombrações e demônios também não ficaram para trás. A Morte do Demônio (1981) apostou na carnificina satânica contada por meio de um enredo bem construído e Poltergeist - O Fenômeno (1982) abusou de efeitos especiais para dar vida a espíritos e fantasmas.

    Continuações e tecnologia: o que foram os filmes de terror dos anos 1990

    A década de 1990 começou logo após a queda do Muro de Berlim e, com o fim de grandes embates políticos entre países, o mundo pode respirar aliviado. Essa foi a época em que a democracia se consolidou e o consumismo foi às alturas, estimulando o crescimento econômico e, consequentemente, tecnológico.

    O cenário de paz e o avanço tecnológico se refletiu nos filmes de terror dos anos 1990, muitos dos quais preferiram apostar em remakes ou adaptações de clássicos da literatura, mas agora com grandes orçamentos. Exemplos que marcaram o cinema dessa época foram Drácula De Bram Stoker (1992), Frankenstein De Mary Shelley (1994) e Entrevista Com O Vampiro (1994).

    Também foi nessa época que o excesso de sangue foi deixado um pouco de lado e o subgênero do terror psicológico, no qual a perseguição tensa prevalece, ganhou mais destaque. Os filmes de terror mais aclamados dessa linha são O Silêncio Dos Inocentes (1991) e O Sexto Sentido (1999) e em uma pegada parecida, mas da linha thriller o destaque fica com Seven - Os Sete Crimes Capitais (1995).

    Durante a década de 1990, os filmes de terror clássicos do estilo slasher ganharam uma nova roupagem. Pânico (1996) foi o precursor do que ficaria conhecido como terror teen e, apesar de ser considerado um clássico do gênero, deu início a uma onda de filmes de baixa qualidade, como Eu Sei O Que Vocês Fizeram No Verão Passado (1997) e Lenda Urbana (1998).

    Por fim, os filmes de terror dos anos 1990 encerraram a década com um bom clássico que conseguiu se destacar dos anteriores: A Bruxa De Blair (1999). Considerado a consolidação do Found Footage, o longa inovou na divulgação, contando com uma boa ajuda da internet, que apesar de estar nos seus primórdios já revelava o seu poder de propagação.

    Filmes de terror dos anos 2000: a volta dos originais

    Sem contar com tantas continuações como a década anterior, os anos 2000 foram mais promissores em relação aos lançamentos originais. A década já começou com toques sobrenaturais, com Premonição (2000), início de uma franquia de sucesso que perdurou pela década, e Os Outros (2001), que explora bastante o terror psicológico e foi baseado no livro "A Volta do Parafuso", de Henry James, que também inspirou o hit "A Maldição da Mansão Bly", da Netflix.

    No entanto, eles não foram os únicos a tratar de temas além da compreensão humana. Outros marcos da década foram O Chamado (2002), adaptação do sucesso do terror japonês Ringu (1998), REC (2007) e Atividade Paranormal (2007) - ambos grandes nomes do subgênero Found Footage.

    Mas não foi somente nos temas sobrenaturais que os filmes de terror dos anos 2000 fizeram sucesso. O gore também se fez presente com a franquia de Jogos Mortais, que marcou a década com sete obras lançadas entre 2004 e 2010. Outro longa que bebeu da mesma fonte e aterrorizou o público com cenas grotescas foi O Albergue (2005).

    E para não falar que os remakes não tiveram sua cota, vale lembrar de Madrugada Dos Mortos (2004), refilmagem de Despertar Dos Mortos, e O Massacre Da Serra Elétrica (2003), que apostaram nos efeitos especiais como diferencial das novas versões.

    Pós-2010: o novo terror aclamado pela crítica

    É provável que estejamos vivendo um dos momentos mais importantes para os filmes de terror, talvez um dos mais reconhecidos e aclamados de sua história. Depois de 2010, começaram a surgir filmes de terror com uma nova pegada, que trata de tramas mais realistas e dramas existenciais, carregadas de questões políticas e sociais.

    O mais expoente dessa nova tendência é o filme Corra! (2017), do diretor Jordan Peele. O longa foi o terceiro filme de terror da história a ser indicado como Melhor Filme no Oscar (antes, só O Exorcista e Tubarão conseguiram o feito) e não é para menos: sua trama bem engendrada desenvolve a tensão e o medo ao mesmo tempo em que aborda o racismo.

    Nós (2019) foi outra obra-prima do mesmo diretor, que, após três semanas de estreia, alcançou uma das maiores bilheterias nos EUA. Na mesma pegada do novo terror, O Babadook (2014), A Bruxa (2015) e Um Lugar Silencioso (2017) foram outros filmes que deixaram suas marcas.

    Por mais que o novo terror seja uma tendência que provavelmente ainda se desenvolverá, talvez para caminhos cada vez mais prestigiados, o terror tradicional também ainda tem espaço no gênero. Prova disso é o aclamado Hereditário (2018), que por meio de um enredo construído à base de muito medo e mais perguntas do que respostas conquistou o público ao redor do mundo.

    Outros sucessos que merecem destaque são: Invocação Do Mal (2013), A Freira (2018), Halloween (2018) e It: A Coisa (2017), que entre remakes e originais trazem os clássicos sustos com tramas sobrenaturais e várias mortes.

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    O Iluminado

    Os subgêneros do terror no Cinema

     

    Com mais de 100 anos de história, não é surpresa que os filmes de terror tenham se aventurado por tudo que é canto. Desde vísceras para fora até uma abordagem mais psicológica, o que não faltam são opções quando o assunto é sentir medo.

    Essa grande variedade faz sentido: o gênero tem uma liberdade muito grande de abordar todos os assuntos, explorar distintos formatos e misturar fantasia e realidade. Afinal, o que importa é mexer com nossos medos.

    E o cinema de terror não brinca quando a questão é atender todos os gostos - e exatamente por existirem tantos subgêneros diferentes, é muito comum que um filme pertença a mais de um deles, por exemplo.

    A seguir, separamos as características dos subgêneros de terror, em ordem alfabética, e os filmes de cada um que não dá para ficar sem assistir:

    Body Horror

    Pode ser confundido com o gore, mas na verdade o body horror (ou horror corporal) traz uma proposta específica: escancarar violações do corpo humano. Elas podem ser desde mutilações, zumbificação, doenças ou transformações não-naturais, por exemplo.
    Basicamente o céu é o limite e a única regra é trabalhar com a deformação do corpo humano.

    Filmes de terror desse subgênero que vale citar são: A Bolha Assassina (1958), O Bebê De Rosemary (1968), O Enigma De Outro Mundo (1982) e A Mosca (1986).

    Found Footage

    A premissa do Found Footage, que traduzindo para português é Filmagem Achada, é a de filmes que procuram passar um ar documental. Geralmente, a filmagem é feita com uma única câmera e sem estabilizador: o ideal é que o máximo de elementos possíveis deem a entender que os próprios personagens filmaram e viveram aquilo. Exatamente por causa dessas características, são filmes de baixo orçamento.

    O primeiro deles chegou em 1980, com Holocausto Canibal, mas o subgênero de terror se consolidou de fato com A Bruxa De Blair (1999), que contou com uma forte divulgação nos meios de comunicação que fazia jus ao caráter documental. Outros dois que merecem a menção são Atividade Paranormal (2007) e REC (2008).

    Gore

    Também conhecido como splatter, os filmes de terror desse subgênero são mais indicados para os fortes. Eles são conhecidos por contarem com muita violência e conteúdos perturbadores, com sangue, torturas e vísceras em abundância.

    Em resumo, o objetivo desses filmes é chocar e causar incômodo (muitas vezes mal-estar) na audiência. Não é à toa que muitos deles chegam a ser censurados ou ter suas exibições proibidas em alguns países.

    Ele fez bastante sucesso em longas como Banquete de Sangue (1963), assim como Holocausto Canibal (1980), Jogos Mortais (2004), O Albergue (2005), Centopeia Humana (2009) e mais recentemente com o impactante Grave (2016), que se caracterizou por várias histórias de pessoas passando mal durante sua exibição no cinema.

    Psicológico

    O terror psicológico é quase o oposto do gore: os cenários sangrentos são substituídos por perseguições mentais, paranoia, muito desconforto e o clássico medo. O objetivo aqui é fugir do visual para entrar na cabeça da audiência, causando incômodo e aflição.

    Esse subgênero de terror vira e mexe aparece ao longo da história do cinema, mas é com O Iluminado (1980), de Stanley Kubrick, que ele começa a tomar uma forma mais definida, se consolidando no O Silêncio Dos Inocentes (1991) e O Sexto Sentido (1999).

    Esse formato influenciou muito o que estão chamando de o novo terror, dos quais fazem parte O Babadook (2014), A Bruxa (2015), Corra! (2017), Um Lugar Silencioso (2018) e O Homem Invisível (2020).

    Slasher

    Talvez o primeiro que venha à cabeça das pessoas quando o assunto é filmes de terror, o slasher é composto de um enredo no qual um grupo de pessoas foge de um assassino em série, que geralmente tem uma história de traumas ou transtornos psicológicos. Esse subgênero surgiu na década de 1970, depois do assassinato de Sharon Tate e seus amigos pela Família Manson.

    Geralmente, essas produções contam com baixo orçamento, o que não significa que os resultados não sejam clássicos do cinema. Alguns deles são: O Massacre Da Serra Elétrica (1974), Sexta-feira 13 (1980), A Hora Do Pesadelo (1984), Brinquedo Assassino (1988) e Pânico (1996).

    Sobrenatural

    Demônios, assombrações, exorcismo, vampiros e lobisomens: esses são alguns dos ingredientes que compõem os filmes do subgênero de terror sobrenatural. Ao contrário do slasher, o sobrenatural não teve exatamente uma data de surgimento, uma vez que desde o início ele está presente - como é o exemplo do O Castelo do Demônio (1896), considerado o primeiro filme de terror da história.

    É claro que de lá para cá muita coisa mudou e o terror sobrenatural evoluiu com obras cada vez mais intrigantes e reconhecidas. O Exorcista (1973), Poltergeist (1982), Drácula de Bram Stoker (1994) e Invocação do Mal (2013) são exemplos bem diversificados de obras aclamadas do subgênero.

    Thriller

    Os filmes de terror considerados thrillers são os que trazem uma boa carga de suspense à trama. Aqui há uma região meio cinzenta entre os tipos de filme: alguns acreditam que esse seria outro gênero, fora do terror, mas várias obras trazem um pouco dos dois. De qualquer forma, todo thriller tem elementos de surpresa, escondendo durante a maior parte do tempo informações importantes da audiência. Exatamente por isso se aproxima - e por vezes é confundido - do gênero policial.

    O mestre desse tipo de suspense era Alfred Hitchcock e não é para menos, como é possível comprovar ao assistir Psicose (1960). Outros thrillers de terror são Suspiria (1977), Seven - Os Sete Crimes Capitais (1995) e A Órfã (2009).

    Trash

    Como o próprio nome já diz (em tradução livre, trash é "lixo"), os filmes de terror cunhados de trash geralmente ou são toscos de propósito, com um enredo que não faz sentido e atuações ruins, ou não receberam investimento suficiente, o que muitas vezes resulta em efeitos especiais péssimos. Talvez o trash seja o único subgênero do terror que esteja mais próximo de fazer a audiência rir do que sentir medo.

    A Morte do Demônio (1981) é um dos trashes mais conhecidos, mas ele não está sozinho: Plano 9 do Espaço Sideral (1959), Planeta Terror (2007), Arraste-me Para O Inferno (2009) e Sharknado (2013) são alguns nomes que formam a lista.

    Cena de O Massacre da Serra Elétrica

    Os filmes mais memoráveis de terror

     

    Filmes de terror são extremamente particulares e alguns podem chocar ou impactar mais algumas pessoas do que outros. Ainda assim, existem filmes que, seja por inovarem na narrativa, nos efeitos especiais ou na construção, se destacaram ao longo da trajetória do cinema de terror.

    Pensando nisso, montamos uma lista dos melhores filmes de terror da história. Confira!

    Psicose (1960)

    Sinopse: Após roubar 40 mil dólares para se casar com o namorado, uma mulher (Janet Leigh) foge durante uma tempestade e decide passar a noite em um hotel que encontra pelo caminho. Ela conhece o educado e nervoso proprietário do estabelecimento, Norman Bates (Anthony Perkins), um jovem com um interesse em taxidermia e com uma relação conturbada com sua mãe. O que parece ser uma simples estadia no local se torna uma verdadeira noite de terror.

    A obra-prima de Alfred Hitchcock, o mestre do suspense, quebrou diversos paradigmas, um dos maiores deles foi matar a protagonista logo na metade do longa, que mescla suspense e terror com maestria. O resultado de manter a audiência completamente perdida e intrigada é marca registrada do diretor.

    Um dos impactos do filme no cinema é que o suspense não se limitou às telas: Hitchcock fez questão de evitar que qualquer informação sobre a trama vazasse na imprensa até a estreia. Para isso, comprou os direitos do livro que inspirou o roteiro assim como todas as cópias da obra disponíveis no mercado. O mistério valeu a pena, pois apesar de ter contado com um orçamento de apenas 800 mil dólares, o faturamento foi de 50 milhões ao redor do mundo.

    O Exorcista (1973)

    Sinopse: Em Georgetown, Washington, uma atriz (Ellen Burstyn) vai gradativamente tomando consciência que a sua filha de doze anos (Linda Blair) está tendo um comportamento completamente assustador. Deste modo, ela pede ajuda a um padre (Jason Miller) , que também é um psiquiatra, e este chega a conclusão de que a garota está possuída pelo demônio. Ele solicita então a ajuda de um segundo sacerdote (Max von Sydow), especialista em exorcismo, para tentar livrar a menina desta terrível possessão.

    Não há um simpatizante de filmes de terror que nunca tenha no mínimo ouvido falar de O Exorcista, mas o que talvez nem todos saibam é que a história não é fictícia, pelo menos não totalmente. O livro que deu vida ao filme teve como inspiração o exorcismo real de Robert Mannheim, caso de 1949, descrito pelo jornalista Thomas B. Allen. Ele é considerado pela Igreja Católica o relato mais completo de um exorcismo desde a Idade Média. Esse é um dos ingredientes secretos de O Exorcista, uma vez que filmes de terror baseados em fatos reais tendem a distorcer a realidade, tornando-a ainda mais aterrorizante e fazendo jus ao gênero.

    Não é à toa que o filme que elevou o terror sobrenatural a outro nível, sendo um sucesso de bilheteria, acumulando mais de 2,6 bilhões de dólares, e de crítica, algo que não passou batido pela Academia. Ele foi o primeiro filme de terror a ser indicado ao Oscar na categoria de Melhor Filme e levou as estatuetas por Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Mixagem de Som de 1974.

    O Massacre da Serra Elétrica (1974)

    Sinopse: Em 1973, a polícia texana deu como encerrado o caso de um terrível massacre de 33 pessoas provocado por um homem que usava uma máscara feita de pele humana. Nos anos que se seguiram os policiais foram acusados de fazer uma péssima investigação e de terem matado o cara errado. Só que dessa vez, a única sobrevivente do massacre (Marilyn Burns) vai contar em detalhes o que realmente aconteceu na deserta estrada do Texas, quando ela e mais 4 amigos estavam indo visitar o seu avô.

    Considerado o primeiro filme de terror do subgênero slasher, O Massacre da Serra Elétrica teve uma origem minimamente curiosa: o diretor Tobe Hooper disse que o seu momento eureca foi quando estava em uma loja de ferragens lotada e, enquanto pensava em uma forma de atravessar a multidão, viu uma serra elétrica.

    A ideia deu certo e a execução do filme também, uma vez que ele abriu portas para todos os longas de serial killers que vieram depois, como Sexta-feira 13 (1980), A Hora do Pesadelo (1984) e Pânico (1996). Ele foi considerado tão pesado na época que por vários anos foi proibido em diversos países, como França, Inglaterra e Brasil. Na Alemanha o caso foi mais sério, pois além da exibição ser proibida, ele foi banido em 1985 e suas cópias foram confiscadas. Hoje é possível assistir ao slasher no país, mas somente acima de 18 anos.

    Suspiria (1977)

    Sinopse: Quando uma jovem estudante é assassinada, Suzy (Jessica Harper) entra em estado de choque. O ambiente fica ainda pior quando o pianista cego da academia morre atacado por seu próprio cão. A jovem descobre que o local já foi a casa de uma bruxa conhecida como a Mãe dos Suspiros.

    Suspiria é um filme de terror surpreendentemente bonito, evidenciando no seu show de cores os sentimentos de cada cena e, claro, o medo também. Junto com a trilha sonora que evoca o bizarro com músicas à base de suspiros e gritos, o longa definitivamente se destaca pela experiência totalmente diferente. Mas esses fatores não são aleatórios.

    As influências para a obra foram várias, mas uma das mais interessantes é que ela bebeu na fonte de clássicos dos contos de fadas, inclusive em algumas animações da Disney como Branca De Neve E Os Sete Anões (1937), que ajudou a dar uma base à fotografia do filme. Já em relação ao roteiro, a inspiração veio da co-roteirista Daria Nicolodi, cuja avó teria ido para um internato para mulheres e lá conheceu diversos rituais de magia negra.

    O filme ganhou um remake pelas mãos de Luca Guadagnino em 2018, e leva o nome de Suspíria - A Dança Do Medo.

    Alien, o Oitavo Passageiro (1979)

    Sinopse: Uma nave espacial, ao retornar para Terra, recebe estranhos sinais vindos de um asteroide. Enquanto a equipe investiga o local, um dos tripulantes é atacado por um misterioso ser. O que parecia ser um ataque isolado se transforma em um terror constante, pois o tripulante atacado levou para dentro da nave o embrião de um alienígena, que não para de crescer e tem como meta matar toda a tripulação.

    Surfando na onda da corrida espacial, Alien, o Oitavo Passageiro é um marco na história do cinema de terror, com uma bilheteria mundial de 203 milhões de dólares e carregado de suspense, muitas cenas de medo e, claro, muitos efeitos especiais.

    No caso, uma das cenas mais marcantes do longa, quando o alienígena sai do abdômen do personagem de John Hurt, foi elaborada em segredo, contando com um abdômen falso por cima do ator. O objetivo era pegar o elenco de surpresa para ter reações realistas e pode-se dizer que ele foi atingido com sucesso: a atriz Veronica Cartwright inclusive desmaiou na gravação. De fato, o Oscar de Melhores Efeitos Visuais, conquistado pelo filme, foi merecido.

    O Iluminado (1980)

    Sinopse: Jack Torrance (Jack Nicholson) se torna caseiro de inverno do isolado Hotel Overlook, nas montanhas do Colorado, na esperança de curar seu bloqueio de escritor. Ele se instala com a esposa Wendy (Shelley Duvall) e o filho Danny (Danny Lloyd), que é atormentado por premonições. Jack não consegue escrever e as visões de Danny se tornam mais perturbadoras. O escritor descobre os segredos sombrios do hotel e começa a se transformar em um maníaco homicida, aterrorizando sua família.

    Baseado no livro de Stephen King, O Iluminado é considerado a obra-prima de Stanley Kubrick, com enquadramentos milimetricamente pensados e um suspense que escala de forma maestral. Ele é considerado um dos primeiros do subgênero do terror psicológico, que seria mais explorado em outros filmes anos depois.

    Uma curiosidade é que, apesar do filme ser aclamado pela crítica e público, Stephen King não gostou nada dela. Uma de suas alegações é que o personagem Jack já dá sinais muito cedo no enredo que tem uma tendência à loucura, o que estragaria o desfecho. Não é como se King não tivesse tentado ajudar: no início do projeto, o escritor fez um rascunho de roteiro para Kubrick, mas o diretor ignorou, falando que era uma escrita fraca. Independente das divergências criativas, o filme marcou a história do cinema.

    O Enigma de Outro Mundo (1982)

    Sinopse: Na remota Antártida, um grupo de cientistas americanos é perturbado em sua base quando, de um helicóptero, alguém atira em um cão do acampamento. À medida que socorrem o cão baleado, o bicho começa a atacar os cientistas e os outros cachorros.

    Logo, eles concluem que estão diante de um alienígena que pode se transformar em uma cópia exata das suas vítimas.

    Impopular na época de lançamento, O Enigma de Outro Mundo virou referência no subgênero body horror, contando com efeitos especiais que chocaram o público ao retratar a transformação dos personagens em verdadeiros monstros. Não por acaso, o orçamento do filme foi bem alto: no total foram precisos 15 milhões de dólares para a obra chegar às telonas. Comparado a outras obras do mesmo gênero e época, o valor é discrepante. Sexta-feira 13 (1980) e Halloween: A Noite do Terror (1978), por exemplo, contaram respectivamente com orçamentos de 700 mil dólares e 375 mil dólares.

    O investimento, infelizmente, não valeu a pena: as cenas chocantes não fizeram muito sucesso e a bilheteria só chegou em 19 milhões - praticamente o suficiente para pagar o filme.

    Pânico (1996)

    Sinopse: Sidney Prescott (Neve Campbell) começa a desconfiar que a morte de dois estudantes está relacionada com o falecimento da sua mãe, há cerca de um ano. Enquanto isso, os jovens da pacata cidadezinha começam a receber ligações de um maníaco que faz perguntas sobre filmes de horror. Quem erra, morre. As perguntas seguem uma lógica que será desvendada numa grande festa escolar.

    Discípulo de O Massacre da Serra Elétrica (1974), Pânico é um clássico filme slasher que arrecadou mais de 170 milhões nas bilheterias ao redor do mundo. No entanto, ele trouxe outro subgênero à vida: o terror teen, que contava com a receita de um serial killer perseguindo adolescentes - aqui cenários como escola, festas juvenis, bebida e sexo são alguns dos ingredientes clássicos.

    Uma dessas cenas, por sinal, ficou para a história entre o elenco do longa. A cena da festa no final do filme ocupa uma boa parcela do enredo, com 42 minutos. No entanto, para filmá-la foi muito mais: durante 21 dias, a equipe trabalhou à noite, do momento em que o sol se punha até o nascer dele. Como resultado, criou-se o lema "Eu sobrevivi à cena 118", uma brincadeira que ficou conhecida entre o elenco como a noite mais longa da história do terror.

    O Sexto Sentido (1999)

    Sinopse: Um garoto (Haley Joel Osment?) vê o espírito de pessoas mortas à sua volta. Um dia, ele conta o segredo ao psicólogo Malcolm Crowe (Bruce Willis), que tenta ajudá-lo a descobrir o que está por trás dos distúrbios. A pesquisa de Crowe sobre os poderes do garoto causa consequências inesperadas a ambos.

    Assim como O Silêncio Dos Inocentes (1991), O Sexto Sentido é responsável por solidificar o terror psicológico, subgênero que dá medo pelos temas abordados e clima de tensão. Nesses filmes de terror, as clássicas mortes com excesso de sangue raramente aparecem.

    A grande surpresa de O Sexta Sentido foi o fato do filme chegar às telonas sem alarde, mas ser um absoluto sucesso de bilheteria, muito à base do boca a boca. Tanto que em um dia ele arrecadou 8 milhões de dólares e foi a segunda maior bilheteria daquele ano, somando mais de 672 milhões ao redor do mundo. Ele não agradou somente o público como também a crítica, sendo indicado a seis estatuetas do Oscar, incluindo Melhor Filme, Melhor Diretor e Ator Coadjuvante para Haley Joel Osment, que na época tinha apenas 11 anos.

    A Bruxa (2015)

    Sinopse: Em uma fazenda no século 17, uma histeria religiosa toma conta de uma família que acusa a filha mais velha (Anya Taylor-Joy) pelo desaparecimento do seu irmão ainda bebê.

    Parte do que é considerado como o novo terror, A Bruxa une o sobrenatural e a tensão crescente com questões sociais e religiosas. O apreço da crítica foi evidente ao premiar o longa com a estatueta de Melhor Direção no Festival de Sundance. Mas não foi somente a crítica especializada que apreciou o filme. O Templo Satânico, organização ateísta, apoiou bastante o filme, inclusive organizando várias exibições.

    O longa se passa em 1630 e tem muitas influências de contos de fadas e lendas sobre bruxas, assim como fatos históricos. Em uma das cenas, por exemplo, é mostrado um milho com sinais de contaminação de fungo Ergot e sua infecção é conhecida por causar alucinações e sensações como queimação pelo corpo, o que foi muito associado à bruxaria na época.

    Corra! (2017)

    Sinopse: Chris (Daniel Kaluuya) é um jovem negro que está prestes a conhecer a família de sua namorada, a caucasiana Rose (Allison Williams). A princípio, ele acredita que o comportamento excessivamente amoroso por parte da família dela é uma tentativa de lidar com o relacionamento de Rose com um rapaz de sua etnia, mas, com o tempo, ele percebe que a família esconde algo muito mais perturbador.

    Tido como uma das grandes revelações do terror dos últimos anos, Corra! não foi só bem recebido pelo público como também fez história sendo o terceiro filme de terror a ser indicado a Melhor Filme no Oscar. Seguindo a tendência do novo terror, críticas sociais andam de mãos dadas com o medo e a tensão.

    As críticas em "Corra!", por sinal, foram pensadas pelo diretor Jordan Peele após a primeira vitória de Barack Obama, em 2004. Segundo ele, depois das eleições, ficou mais claro do que nunca que raça ainda era uma questão que trazia desconforto para as pessoas. Essa sensação ele quis trazer no longa, mas na perspectiva da experiência negra e como forma de escancarar a mentira de uma era pós racial.

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    Alfred Hitchcock

    Os principais diretores de terror

     

    Se o cinema de terror chegou a ter obras-primas, muito se deve às mentes por trás de cada uma, ou seja, aos diretores de filmes de terror. Para entender mais sobre o gênero, é imprescindível falar com mais detalhes dos profissionais que deram vida ao medo, tanto suas obras mais célebres quanto um pouco das suas trajetórias e motivações.

    Alfred Hitchcock

    Hitchcock começou sua carreira no cinema mudo e antes mesmo de ficar conhecido já entrou para a história do cinema britânico por dirigir o primeiro filme falado na Inglaterra com "Blackmail" (1929). Hoje, ele é um dos diretores mais famosos do mundo, referenciado como Mestre do Suspense, mas muitos se negam a enxergá-lo pertencente ao terror. Apesar de muitas das suas obras mesclarem os gêneros, o seu legado para o cinema do medo é inegável, tendo servido de referência para muitos clássicos.

    A carreira brilhante é inegável e muitos afirmam que ele é um dos cineastas mais influentes de todos os tempos, com mais de 50 filmes no currículo. Mesmo com toda essa fama, é interessante notar que, apesar de ter sido indicado, ele nunca ganhou um Oscar sequer.

    Os seus filmes que mais se aproximam do terror e que merecem ser citados são Psicose (1960), que com jogos de câmera e enredo surpreendente virou um clássico da Sétima Arte, e Os Pássaros (1963), que constrói a história lentamente até a revelar os pássaros com os vilões inesperados e aterrorizantes desse longa.

    Wes Craven

    Wes Craven é um dos maiores e mais importantes diretores de filmes de terror, ainda mais se falarmos especificamente do subgênero slasher. O seu começo na Sétima Arte, no entanto, se deu somente quando ele tinha 34 anos e deixou toda a sua vida para trás, se demitindo do emprego como professor e se divorciando da esposa, para mergulhar no cinema.

    A escolha foi certeira: sua primeira obra conhecida chegou às telonas em 1972: Aniversário Macabro, que teve uma boa repercussão, apostando no sadismo e cenas escatológicas. Feito mais como um projeto pessoal e com um baixíssimo orçamento, Craven usou a própria casa para filmar algumas cenas. No entanto, o melhor ainda estava por vir.

    Foi somente em 1984 que Craven ficou conhecido por tirar o sono de muita gente - literalmente. A estreia de A Hora Do Pesadelo (1984) e de um dos vilões mais temidos de todo o terror, Freddy Krueger, fez com que o longa - que depois contou com inúmeras continuações - conquistasse a fama no slasher. Além de diversas obras de terror, sua outra grande contribuição foi com Pânico (1996), que deu uma repaginada no subgênero slasher e abriu portas para o terror teen.

    Tobe Hooper

    Tobe Hooper iniciou a carreira como professor universitário, fazendo trabalhos como cineasta documentarista, mas em pouco tempo mergulhou de cabeça no cinema, dando início a um grande histórico de filmes de terror. O seu trabalho mais conhecido é o inesquecível O Massacre Da Serra Elétrica (1974), filme que deu vida ao slasher e, pelo seu conteúdo extremamente violento, foi inclusive proibido em alguns países. Aqui vale falar: Hooper tinha apenas 21 anos quando o filme foi lançado, já dando sinais de uma carreira promissora no gênero.

    O sucesso do enredo sangrento lhe rendeu muitos frutos. Logo depois do massacre de 1974, dirigiu mais dois filmes de terror com orçamentos maiores, Vivos Serão Devorados! (1980) e Pague Para Entrar, Reze Para Sair (1981), mas foi com outro longa que conquistou o público novamente.

    Poltergeist - O Fenômeno (1982) foi seu outro grande acerto, mas muitos não sabem que ele foi uma espécie de presente de Steven Spielberg.

    Muito diferente do filme de terror que conhecemos, a ideia inicial era um enredo de ficção científica, algo que Hooper alterou totalmente. O resultado foi uma obra que misturou efeitos especiais avançados para a época e um enredo cheio de suspense. O trabalho também impressionou a Academia, resultando em três indicações ao Oscar e um ao BAFTA.

    John Carpenter

    John Carpenter é um dos diretores de filmes de terror mais reconhecidos do cinema. Sua trajetória, apesar de transitar por diferentes gêneros, traz clássicos do medo que ajudaram a moldar esse cinema como o conhecemos hoje. Em suas obras, é comum a exploração do terror acompanhada por uma trilha sonora marcante. Isso acontece, pois além de diretor, Carpenter foi roteirista e compositor de vários de seus filmes - um feito para poucos.

    Outro feito que poucos foram capazes de realizar, mas pelo qual Carpenter era conhecido é a velocidade. O filme Halloween: A Noite Do Terror (1978), por exemplo, foi escrito em apenas 10 dias, filmado em 20 e montado em três. Vale lembrar que a obra, um dos grandes clássicos do cinema de terror, arrecadou mais de 60 milhões de dólares.

    Entre as suas obras mais consagradas estão O Enigma De Outro Mundo (1982), onde o subgênero do body horror é bem explorado, e o já mencionado Halloween (1978), que aborda o clássico e sangrento slasher. Ainda assim, há diversas outras que merecem menção, como A Bruma Assassina (1980), Eles Vivem (1988), A Cidade Dos Amaldiçoados (1995) e O Hospício (2010).

    James Wan

    Apesar de levar no currículo obras como Velozes E Furiosos 7 (2015) e Aquaman (2018), é nos filmes de terror que James Wan fez fama. Tudo começou em 2004, quando Wan tinha 27 anos e acabava de lançar seu primeiro filme: Jogos Mortais (2004). A obra marcou uma geração com seu enredo inteligente e cheio de reviravoltas, sendo uma verdadeira febre na época e abrindo muitas portas para o novato. Era apenas o começo para o diretor que hoje estima-se já ter arrecadado mais de 3,6 bilhões de dólares ao longo da carreira.

    Em seguida, suas apostas seguiram no gênero, com filmes como Gritos Mortais (2007), com uma pegada mais de suspense e menos gráfica, e Sobrenatural (2010), quando entrou de vez no mundo de espíritos malignos. Ambos tiveram lançamentos sem grandes impactos na indústria, o que mudaria alguns anos depois.

    Em 2013, Wan novamente abalou o cinema de terror ao trazer Invocação Do Mal para as telonas. Primeiro de uma franquia que hoje já tem sete filmes no total, o longa é baseado nos casos sobrenaturais e verídicos investigados pelos demonologistas Ed e Lorraine Warren. Da série, Wan dirigiu somente os dois primeiros, mas segue próximo dos outros na parte de produção.

    Eli Roth

    Eli Roth é ator e diretor, mas é na segunda profissão que o artista se destaca e, mais especificamente quando se fala de longas de terror. Considerado um dos diretores de filmes de terror mais rentáveis, Roth já preferiu ter seu salário e orçamento cortados para ter maior liberdade na hora de explorar a violência e o gore em suas obras.

    Sua filmografia merece dois destaques principais: um é seu primeiro filme, Cabana do Inferno (2002), que ao contrário da maioria dos filmes de terror, não tem um assassino ou perseguidor, uma vez que o que mata as pessoas é uma infecção que degenera o corpo. Na época, o diretor queria tanto fazer o filme que passou seis anos arrecadando verba, acabando por bancar o orçamento de um milhão de dólares no cartão de crédito. Valeu a pena: a obra foi comprada por três vezes o seu custo e lhe deu fôlego para o próximo projeto, que seria o seu grande sucesso, O Albergue (2005), que conta com um enredo recheado de tortura e muito gore.

    Por sinal, a continuação da obra, O Albergue 2 (2007) contou com a produção de Tarantino, com quem Roth tem uma relação de amizade muito próxima. Inclusive, o próprio Eli Roth integrou o elenco de Bastardos Inglórios (2009), onde teve a oportunidade de também dirigir uma das cenas.

    Jennifer Kent

    Com início da carreira como atriz, Kent rapidamente migrou para trás das câmeras, interessando-se muito mais pela direção de filmes. Chegou a ser assistente do diretor Lars von Trier em Dogville (2003) até começar os seus próprios projetos. Em 2005, ela dirigiu um curta de terror chamado Monstro que, quase dez anos depois, ela adaptou para um filme de longa metragem. Esse filme é O Babadook (2014).

    Com estreia no Sundance Film Festival, onde foi um sucesso, o filme também recebeu elogios de William Friedkin, diretor de O Exorcista (1973) e referência no gênero. O Babadook (2014) é considerado um dos primeiros filmes a marcar o início do novo terror, carregado com questões envolvendo a maternidade e suas dificuldades, e é o primeiro que Kent dirigiu e roteirizou.

    Desde então, dirigiu, roteirizou e produziu o longa The Nightingale (2018), que recebeu o prêmio Especial do Júri no Festival de Veneza 2018, contando uma história de faroeste australiano.

    Jordan Peele

    Jordan Peele começou a estudar cinema aos 12 anos e é talvez um dos nomes mais promissores do novo terror - então faça questão de não esquecê-lo. Apesar de no início de sua carreira ter focado em ser um ator de comédia, estrelando a série MADtv de 2003 a 2009, por exemplo, foi atrás das câmeras (e dos roteiros) que ele atingiu o renome nas telas.

    Se você não o conhecia de nome, com certeza ouviu falar ou viu suas obras. Seu primeiro longa-metragem não foi nada menos que Corra! (2017), terceiro filme de terror indicado a Melhor Filme no Oscar, que acabou levando a estatueta de melhor roteirista que, no caso, era o próprio Peele. O talento se comprovou em Nós (2019), filme de terror com maior bilheteria da história.

    Ambas as obras são ótimas representantes do novo terror, que provoca um medo que vai além do nojento ou da matança desenfreada.

    Ele amedronta psicologicamente, construindo tensão do começo ao fim enquanto aborda muitas temáticas sociais e políticas.

    Ari Aster

    Fã de terror nato, Ari Aster já afirmou em entrevistas que costumava devorar as sessões de filmes de terror de todas as lojas que podia entrar desde que era pequeno. A fascinação fez com que ele não só escrevesse histórias do gênero como se tornasse uma das promessas do terror hoje em dia.

    Seu currículo possui dois grandes filmes do gênero, que já ficaram para a história. Um deles é Hereditário (2018), primeiro longa do diretor, carregado de tons sombrios e clima tenso que conquistou uma verdadeira legião de fãs e rendeu uma boa lucratividade: enquanto ele custou 10 milhões de dólares para fazer, a bilheteria total foi de quase 80 milhões. Seu segundo filme é o aclamado Midsommar - O Mal Não Espera A Noite (2019), que em um perturbador tom descontraído constrói um cenário de puro terror. Vale destacar que ambos os longas do diretor foram realizados com a produtora A24, conhecida por um currículo extenso e qualificado de terror alternativo e visceral.

    Os estúdios mais emblemáticos por trás dos maiores filmes de terror

     

    Filmes de terror, do mais gore ao mais psicológico, sempre tiveram um lugar especial na Sétima Arte. Apesar de frequentemente serem esnobados pelas grandes premiações, é inegável que o gênero possui obras-primas das mais variadas. Mas, para elas chegarem a ser feitas, antes precisam contar com bons diretores e, principalmente, com estúdios que estejam dispostos a embarcar nessa jornada.

    Não são só de grandes estúdios que saem os filmes mais aclamados da Sétima Arte. Quando o assunto é terror, várias produtoras mais nichadas têm portfólios invejáveis. Entre elas, não dá para passar batido por três principais: Hammer Film Productions, Blumhouse Filmes e A24 Filmes.

    Hammer Film Productions: os clássicos filmes de terror

    Um dos estúdios que mais trouxe clássicos dos filmes de terror para as telonas, a Hammer é uma empresa britânica cuja história começou lá em 1934. Apesar de um começo incerto e sem grandes lançamentos, a empresa pegou o jeito mesmo a partir na década de 1950.

    Em 1955, lançou o longa Terror que Mata, que foi um ótimo começo para chamar a atenção de grandes distribuidoras, entre elas Paramount e Columbia. Apesar dessa ajuda, o ciclo de sucesso da Hammer começou de fato só no ano seguinte com a aposta em A Maldição de Frankenstein (1956), recheado de muita violência e terror. Com a boa resposta do público, o estúdio investiu em outro monstro velho conhecido do terror: Drácula.

    Vampiro da Noite (1958) quebrou recordes de bilheteria ao redor do mundo e tirou a Hammer do anonimato. O sucesso estrondoso garantiu um acordo com a Universal para trazer mais personagens do terror clássico para as telonas. Com isso, vieram vários longas que marcariam a história dos filmes de terror, como: A Múmia (1959), O Cão dos Baskervilles (1959), O Monstro de Duas Faces (1960) e O Fantasma Da Ópera (1962).

    No começo da década de 1970, a Hammer tentou acompanhar as tendências dos filmes de terror, apostando em muito sexo e violência, mas os resultados não foram muito animadores e por volta de 1980 a empresa perdeu o brilho - e o financiamento. Desde então, ela foi vendida algumas vezes até finalmente voltar para as telonas, quase 30 anos depois, com novos longas de terror como Deixe-me Entrar (2010), A Inquilina (2010) e A Mulher De Preto (2011).

    Blumhouse Filmes: a lucratividade nos filmes de terror

    Se a Blumhouse é conhecida por algo é por trazer à vida filmes de terror com baixíssimos orçamentos e alta lucratividade. Essa foi a proposta quando Jason Blum fundou o estúdio em 2000 e o que poderia parecer uma ideia ambiciosa a princípio, tornou-se realidade alguns anos depois.

    Em 2007, a Blumhouse Filmes lançou Atividade Paranormal, que contou com míseros 15 mil dólares de orçamento e, depois de ser vendido para a Paramount, arrecadou mais de 193 milhões de dólares. Seguindo o mesmo formato de baixo orçamento, vieram outros sucessos de bilheteria, como Sobrenatural (2010), A Entidade (2012), Uma Noite De Crime (2013) e Ouija - O Jogo Dos Espíritos (2014).

    Mesmo com um currículo já firmado no terror, nos anos seguintes a Blumhouse também se aventurou por outros gêneros. Um exemplo foi Whiplash - Em Busca Da Perfeição (2014), aclamado pela crítica e indicado a diversas categorias do Oscar, e outro mais recente foi Infiltrado Na Klan (2018), de Spike Lee, que também foi muito bem recebido pelo público e premiações.

    Apesar do currículo recheado de sucessos e alta lucratividade, o estúdio ainda precisava de um grande lançamento para de fato conseguir deixar sua marca no gênero do terror. A oportunidade chegou com o novato Jordan Peele, que propôs um terror psicológico moderno cheio de suspense e críticas sociais. Não deu outra: Corra! estreou nos cinemas em 2017 com um orçamento de 4,5 milhões de dólares e bilheteria mundial de 255 milhões, sendo o terceiro filme de terror a ser indicado à categoria de Melhor Filme no Oscar.

    Em seguida, o estúdio também trouxe para as telonas Nós (2019), também de Jordan Peele, que ficou na história como o filme de terror com a maior bilheteria de estreia da história. O sucesso não subiu à cabeça e a Blumhouse não esqueceu dos terrores mais clássicos e adolescentes, recentemente lançando longas como Verdade Ou Desafio (2018) e Halloween (2018).

    A24: a novata queridinha do novo terror

    Criada em 2012, a A24 é um estúdio com uma pegada independente que começou com longas menores como Spring Breakers (2012) e Bling Ring: A Gangue De Hollywood (2013). Foi a partir da fama que adquiriu com os primeiros filmes que a produtora começou a se aventurar no cinema de terror - mundo do qual não saiu mais e ao qual começaria a ser associada pelos longas alternativos e viscerais.

    Em 2015, lançou A Bruxa, um dos filmes mais aclamados do novo terror, marcado por cenas perturbadoras e sufocantes. Por sinal, a liberdade criativa dos filmes da A24 são marca registrada da produtora, que é conhecida por não fazer cortes para agradar ao público. Em outras palavras, se for para assistir longas de terror desse estúdio, esteja preparado para um conteúdo de difícil digestão.

    Outros filmes de terror do estúdio que merecem destaque são Hereditário (2018), que levou os espectadores ao limite com a alta carga dramática e tensão, e Midsommar (2019), no qual um dia ensolarado é palco de um enredo perturbador repleto de misticismo e cenas fortes. Por fim, O Farol (2019) foi o lançamento mais recente do estúdio e não fica atrás dos anteriores: o longa é puro terror psicológico, que escala lentamente até o ápice, para o qual é preciso estar preparado.

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