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    Duas detetives investigam casos reais de estupro em série da Netflix

    Saiba o que é e o que não é verdade na série baseada em uma história que chocou os EUA
    Por Da Redação
    04/03/2021 - Atualizado há cerca de 1 mês

    É comum que denúncias de estupro não sejam levadas a sério ou sejam taxadas de falsas. Uma prova disso é que o crime é um dos mais subnotificados do mundo: no Brasil, segundo Pesquisa Nacional de Vitimização, somente 7% das vítimas prestaram queixa e, nos EUA, segundo um estudo do Departamento de Justiça do país, o número fica em 35%. Um dos principais motivos para esse cenário é a negligência e descrença da polícia, algo que é escancarado na série Inacreditável (2019), da Netflix.

    A minissérie, que é baseada no livro Falsa acusação: Uma história verdadeira, conta a história real das vítimas de um estuprador em série e o tratamento delas pela polícia. Quem ganha destaque na narrativa é Marie (Kaitlyn Dever), que após sofrer um estupro recorre à polícia para fazer a denúncia e como resultado passa por um processo humilhante.

    Obrigada a repetir inúmeras vezes o seu depoimento, a vítima é desacreditada, não vendo escapatória a não ser negar a própria história. Como se não desse para piorar, a garota ainda sofre um processo da polícia e acaba sendo hostilizada pela comunidade onde mora. Mas a série não se limita ao caso de Marie.

    Outras protagonistas da história são as detetives Karen Duvall (Merritt Wever) e Grace Rasmussen (Tony Collette). A dupla começa a investigar um caso e logo percebe que a realidade é muito maior do que se acreditava: ao invés de um caso isolado, o acontecimento se trata de uma série de estupros com o mesmo modus operandi. A partir daí, a investigação toma rumos decisivos em direção ao abusador.

    Talvez o que seja mais inacreditável na série, além do seu nome, é lembrar que ela é baseada em fatos reais. Se você já assistiu e quer saber o que é verdade e o que não é, confira abaixo:

    Inacreditável | Trailer Oficial

    Inacreditável: o que é verdade e o que não é?

    A história original de Inacreditável veio à tona por meio de uma reportagem escrita por T. Christian Miller e Ken Armstrong e produzida pelo Marshal Project junto com a Pro Publica. Ela ganhou o Pulitzer de 2015 e deu origem ao livro Falsa acusação: Uma história verdadeira, utilizado de referência para a série. Confira o que é verídico e o que foi alterado na narrativa:

    Nomes e detalhes biográficos

    Todos os nomes dos personagens da série são fictícios, com exceção do de Marie, que na verdade é o nome do meio dela. A escolha foi feita para preservar a privacidade dos envolvidos, garantido o anonimato e evitando que o evento sempre voltasse para atormentá-los. Além do nome, idade, origens e detalhes de outras vítimas também foram alterados com esse objetivo. No entanto, vale pontuar que é verídico o caso da mulher que saltou da janela para escapar e acabou quebrando três costelas e perfurando o pulmão.

    O abusador, na série chamado Christopher McCarthy, também teve o nome alterado, mas outros detalhes foram mantidos. Na realidade ele é Marc Patrick O'Leary e tanto seu físico, como estatura e cor de olhos, como seu histórico, ter integrado o serviço militar, são fiéis à realidade. As circunstâncias que o levaram a ser descoberto também batem com a série, sendo elas o carro que dirigia, um Mazda branco de 1993 com espelho do passageiro quebrado, o DNA do seu irmão, coletado em uma xícara de café pelos policiais que o investigavam, e a marca de nascença em sua perna.

    As atitudes discrepantes dos policiais

    Um dos elementos que faz Inacreditável ser tão relevante é exatamente a sensação incômoda que provoca em quem a assiste - especialmente no comportamento da polícia. Logo no primeiro episódio é impossível não sofrer junto com Marie enquanto ela é interrogada repetidas vezes sobre a experiência brutal que sofreu. O comportamento absurdo dos policiais fica ainda mais evidente em comparação à forma com que a detetive Karen atende Amber (Danielle Macdonald), no caso, outra vítima do mesmo abusador. A diferença entre os interrogatórios gera resultados discrepantes: enquanto Marie é acusada de mentir, Amber torna-se peça-chave para encontrar o criminoso.

    A realidade não foi muito diferente. As detetives Stacy Galbraith e Edna Hendershot, que na série têm nomes fictícios de Karen Duvall e Grace Rasmussen, de fato tiveram uma abordagem acolhedora. Assim como na série, elas convidaram Amber (nome fictício) para conversar sobre o ataque que sofreu dentro do carro, onde também colheram amostras de DNA do rosto da jovem.

    Enquanto isso, os detetives que cuidaram do caso de Marie, conhecidos na vida real pelos nomes Jeff Mason e Jerry Rittgarn, confirmaram que o uso do detector de mentiras foi usado no interrogatório da vítima. Mason também assumiu responsabilidade pela forma que a investigação foi conduzida e inclusive admitiu que chegou a reconsiderar seu trabalho no departamento de polícia quando a verdade veio à tona.

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    Poster de divulgação oficial da sérieReprodução

    O que aconteceu com os policiais que acusaram Marie

    Apesar de Mason admitir a culpa, nem ele nem Rittgarn foram formalmente punidos pela conduta na investigação do caso de Marie. Depois do ocorrido, Mason continuou trabalhando no departamento de polícia de Lynnwood na divisão de narcóticos, enquanto Rittgarn já havia deixado o departamento antes do culpado ser preso. 

    Uma cena que aparece na série e que de fato aconteceu na vida real é o encontro entre Mason e Marie depois do encerramento do caso. Apesar do detetive não ter sido o responsável por contar para ela que o culpado havia sido preso, o momento em que ele se desculpou quando ela vai à delegacia é verídico.

    Elias, o estagiário de análise de dados

    Quem assistiu a série talvez tenha se afeiçoado por Elias, o estagiário de análise de dados da delegacia de Westminster, mas saiba que ele não existe. O personagem na verdade foi criado pelos roteiristas da série como uma forma de explicar alguns assuntos técnicos que poderiam ser confusos para o público. No entanto, para não dizer que ele é totalmente fictício, o grande feito do garoto, de usar um programa de mapeamento geográfico que permite encontrar o carro do suspeito, foi alcançado na vida real por uma analista de dados da polícia de Lakewood.

    Você já assistiu a série? O que achou? Conta para a gente nas redes sociais.