“Não sei, só sei que foi assim”: 20 anos de O Auto da Compadecida

Longa baseado na obra de Ariano Suassuna é um marco do cinema brasileiro

10/09/2020 10h30

Por Thamires Viana

Há exatos 20 anos, no dia 10 de setembro de 2000, estreava O Auto Da Compadecida, longa de Guel Arraes que se tornou um dos maiores clássicos do cinema nacional. Baseado na peça teatral homônima de Ariano Suassuna, o longa marcou a geração com suas frases marcantes e humor refinado, daqueles que a gente dá boas risadas só de lembrar.

Com roteiro assinado por Arraes, Adriana Falcão e João Falcão, a produção se tornou o filme brasileiro de maior bilheteria no ano 2000 e levou mais de dois milhões de espectadores aos cinemas. 20 anos após o seu lançamento, O Auto Da Compadecida continua como um dos mais emblemáticos e queridos pelo público.

Trama

Cena de O Auto da Compadecida


Filmado em Cabaceiras, município do sertão da Paraíba, o filme acompanha a história de João Grilo (Matheus Nachtergaele) e Chicó (Selton Mello), uma dupla de nordestinos sagazes que armam as maiores confusões para ganhar o pão de cada dia. Eles conseguem um emprego na padaria da cidade, local administrado por Eurico (Diogo Vilela) e Dora (Denise Fraga), mas estão sempre sofrendo com a exploração do trabalho e com o tratamento que recebem dos patrões.

Quando o cangaceiro Severino (Marco Nanini) e seu capanga Cabra (Enrique Diaz) cometem alguns assassinatos na cidade, o céu se torna cenário do longa, promovendo o encontro de alguns moradores do sertão com a Nossa Senhora da Compadecida (Fernanda Montenegro) e o Diabo (Luís Melo).

Cercada de muita poesia, O Auto Da Compadecida aborda temáticas atemporais como a fome e a desigualdade social do Brasil. 

Curiosidades

1. Era uma série

A peça teatral O Auto Da Compadecida foi adaptada em 1999 como uma minissérie exibida pela Rede Globo e posteriormente reeditada para os cinemas. Com quatro capítulos, a atração foi filmada em 37 dias, cerca de nove dias para cada capítulo. Por se tratar se uma história ambientada nos anos 30, a gravação no sertão da Paraíba teve de ser adaptada com a alteração de postes de iluminação, pintura de fachadas e igreja locais e cabos telefônicos escondidos.

2. Rosinha

Escrita em 1955 e lançada nos teatros em 1956, a peça original de Ariano Suassuna apenas citava a personagem Rosinha, o interesse amoroso de Chicó. No entanto, ela ganhou grande destaque na versão televisiva sendo interpretada pela atriz Virginia Cavendish e ganhando o coração do público com sua ingenuidade e carisma.

Cena de O Auto da Compadecida

3. Figurinos

Cao Albuquerque foi o grande responsável pelos figurinos dos personagens de O Auto Da Compadecida. Para dar ar desgastado às roupas, elas foram tingidas e lixadas diversas vezes para garantir esse aspecto. Os trajes são uma mistura entre os estilos arcaico e nordestino. 

4. Outras obras

A adaptação cinematográfica da peça tem o ascrécimo de outras de suas peças de Suassuna, como O Santo e a Porca e Torturas de um Coração. 

(via Memória Globo)

Prêmios

No Grande Prêmio Cinema Brasil, o longa saiu vencedor em quatro categorias, sendo elas: Melhor Diretor, para Guel Arraes, Melhor Ator, para Matheus Natchergaele, Melhor Roteiro, para Arraes, Adriana Falcão e João Falcão, e Melhor Lançamento. Internacionalmente, no Festival de Cinema Brasileiro de Miami, o filme ganhou a votação do júri popular.  

Confira um trecho da nossa crítica

"Os mais puristas podem repudiar o estilo assumidamente televisivo de O Auto da Compadecida. Sua montagem é frenética e o seu ritmo, alucinante. Nos primeiros minutos, o espectador mais desavisado pode até perder algumas linhas de diálogo, tamanha é a rapidez da metralhadora giratória falante de João Grilo. Falta um "respiro", um plano aberto, uma seqüência mais contemplativa. Porém, na medida em que se mergulha na trama, o humor, a criatividade do texto e a excelente interpretação do elenco deixam em segundo plano qualquer falta de pretensão artística e cinematográfica que se possa atribuir ao Auto."

Elenco

O elenco ainda traz grandes nomes da dramaturgia brasileira como Bruno Garcia, Rogério Cardoso, Lima Duarte, Maurício Gonçalves, Aramis Trindade e Paulo Goulart.

Veja também:

Crítica completa: "O Auto da Compadecida é brasileiríssimo na forma e no conteúdo"

Tudo sobre o Cinema Nacional

Filmes nacionais que vão te dar orgulho de ser brasileiro

Top 6: Grandes filmes do Cinema Nacional

Cinema Brasileiro: Confira produções nacionais inesquecíveis


Deixe seu comentário
comments powered by Disqus