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    Jackass 3D e a graça da desgraça alheia

    Por Paulo Gadioli
    14/11/2010

    Um dos grandes prazeres da existência humana, provavelmente desde o início da espécie, é poder presenciar a magnitude da desgraça alheia. Por mais que muitos afirmem que não, é automático o sorriso que preenche o rosto até do mais puritano ao ver uma pessoa tropeçando na rua, ou se atrapalhando e caindo no chão. Em Jackass 3D, que chega aos cinemas nesta semana, isso fica explícito. Milhares de pessoas estão sendo levadas às salas de cinema apenas para poderem assistir outras pessoas se machucando em manobras malucas. Pensando bem, este formato, ainda que menos extremo, já é bem conhecido no cinema.

    Fazendo um corte pela linha histórica, deixando de lado o teatro grego e o romano e chegando de DeLorean na década de 20, podemos ver o primeiros atores notáveis que conseguiam arrancar risadas de seu público nas salas de cinema através de meros gestos. Dois jovens ilustres, chamados Buster Keaton (O General) e Charlie Chaplin (Tempos Modernos), são essenciais para a compreensão do que se convencionou mais tarde chamar de humor “pastelão”.

    O COMEÇO

    Em tempos de cinema mudo, o único modo de conseguir com que as pessoas esboçassem um sorriso era com ações, movimentos e expressões faciais. Neste aspecto, seguir a cartilha que diz que alguém se dando mal é engraçado foi tiro e queda. Quedas e mais quedas, tortas na cara, agressões involuntárias e todo clichê do estilo ia lentamente tomando forma. Séries como Os Três Patetas e até mesmo desenhos animados, como dos Looney Tunes, foram responsáveis por eternizar este tipo de humor agressivo e beirando o nonsense na mentalidade tanto do jovem quanto do mais adulto.

    DE VOLTA AO PRESENTE

    Após conhecer o básico, não é preciso ir muito longe para entender a "evolução" do humor pastelão. Jogos Mortais – O Final, recém-lançado nos cinemas, é um exemplo perfeito. Qualquer um que já tenha visto qualquer filme da saga sabe que eles não são exatamente discretos, prezando cada mínimo detalhe, cada osso quebrado, cada olho perfurado. Mesmo não se tratando de comédia, o estrondoso sucesso do filme nas bilheterias demonstra este lado mais sádico do espectador de cinema nos dias de hoje.

    Muito se deve à sociedade, cada vez mais sedenta por detalhes, que assiste o filme, o público espectador. Grande parte do público de Jackass, por exemplo, é formado por pessoas mais novas. Jovens que cresceram em um mundo de internet, conectividade, web 2.0, cobertura ao vivo de assassinatos, seqüestros, apresentadora conversando com criminoso ao vivo na televisão. A comédia espaçada de Keaton acabou perdendo espaço para os quadros curtos e diretos do programa norte-americano.

    Da comédia mais ingênua de Keaton até toda a malícia presente em Jackass, este gênero acabou se provando resistente às provações do tempo e da sociedade. No final das contas, talvez não seja necessário fazer grandes divagações sobre um filme onde homens fazem xixi em um cone de gelo e depois bebem. O próprio Knoxville disse: "Não pensamos muito. Apenas vamos lá e fazemos o que nos parece divertido". Talvez esta seja também a melhor maneira de apreciar este tipo de filme, seja lá de qual década for.

    Bônus

    Pode parecer apenas uma brincadeira, mas a ligação entre Johnny Knoxville e Buster Keaton não é tão absurda assim. Em Jackass 2, Knoxville prestou uma homenagem a Keaton, reencenando esta famosa cena da queda da casa.



    Claro que, assim como tudo que envolve a série, a cena não poderia ter sido reencenada sem um problema que levasse algum dos integrantes do programa a um problema sério. Knoxville bem que tentou prestar uma homenagem mas, por erros de cálculo e até nervosismo, o ator acabou se mexendo e quase teve seu corpo esmagado pela casa. Mas ele sobreviveu e hoje dá risada do acontecido.