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    James Cameron: De Piranha 2 a Santuário 3D

    Desde 1981, James Cameron trabalha com filmagens aquáticas; Santuário pode ser seu age
    Por Christian Costa
    02/02/2011

    O primeiro longa-metragem a ser filmado debaixo d’água foi Sesto Continente, de Folco Quilici, lançado em 1954. Dois anos depois, Louis Malle (Perdas e Danos) gravou, junto com o mergulhador Jacques Cousteau, Le Monde du Silence, que ganhou Oscar de Melhor Documentário.

    Esse pode ser considerado um rascunho da “pré-história” da filmagem submarina. “Pré” porque James Cameron (Avatar) pode até não ter sido criador do gênero ou mesmo um grande mergulhador, mas nenhum cineasta colaborou tanto com o aperfeiçoamento das técnicas e tecnologias nessa área, criando filmes espetaculares e que mostram o ambiente marítimo como nenhum outro. Sua última e bem-sucedida incursão no mundo submarino, o suspense Santuário, chega nesta sexta-feira (4/2) às salas de cinema e, desde já, pode ser considerado um marco no processo de capatação de imagens subáquaticas e no uso da tecnologia 3D.

    O primeiro contato maior de Cameron com as filmagens dentro da água se deu em sua estreia na direção, com Piranha 2 - Assassinas Voadoras, de 1981. Contratado inicialmente para cuidar dos efeitos especiais, o canadense foi demitido no meio da produção por diferenças artísticas e discussões diárias com o produtor Ovidio G. Assonitis (Sem Refúgio). O título foi uma das tentativas de reproduzir de forma genérica o Tubarão de Spielberg, que continha boas cenas debaixo da água. Apesar de conturbada, a experiência certamente motivou o cineasta a buscar um lugar definitivo no ramo, algo que aconteceria 8 anos depois, com o lançamento de O Segredo do Abismo.

    Após aparecer para o mundo com O Exterminador do Futuro e Aliens, O Resgate, ele investiu novamente na ficção científica, dessa vez dando um salto gigantesco na qualidade das filmagens na água. Encenado tanto num tanque com capacidade para 26,5 milhões de litros (o maior set de filmagem aquático até então) quanto em um lago subterrâneo em Missouri, O Segredo do Abismo se tornou um marco do gênero. O preço? US$ 70 milhões. Mas o filme conseguiu arrecadar mais de US$ 90 milhões no mundo e ganhou o Oscar de Efeitos Visuais.



    Cameron teve que treinar toda sua equipe para a imersão e não apenas utilizar, mas também desenvolver tecnologia de ponta para a comunicação por meio de seus trajes de mergulho. Os novos aparelhos permitiam não só que Cameron falasse com seu elenco como também permitia a gravação direta de áudio sem necessidade de dublagem em estúdio.

    Apesar do sucesso posterior, a alegria esteve longe das filmagens de O Segredo do Abismo. Os seis meses de gravação foram muito desgastantes para toda a equipe, incluindo momentos de descontrole dos atores principais (Ed Harris e Mary Elizabeth Mastrantonio), que não aguentavam mais a rotina exaustiva.O próprio Cameron chegou a dizer na época que sabia que seria difícil, mas não tanto assim, e pretendia nunca mais repetir a experiência. Mal sabia que, passados mais 8 anos, ele ganharia o Oscar por um filme também passado no mar: Titanic.



    A gravação do filme foi iniciada em 1995 com cenas dos destroços do Titanic real. O sucesso das tomadas subaquáticas motivaria Cameron a produzir uma série de documentários sobre o assunto nos anos seguintes, como Titanic Adventure, Last Mysteries of the Titanic e Ghosts of the Abyss, além de outros documentários gravados abaixo d’água, como os médias Volcanoes of the Deep Sea e Aliens of the Deep. Foi durante essa época que o cineasta teve contato com o recurso 3D e a tecnologia Imax, que seriam a tônica de sua próxima produção:Avatar .

    A despeito do sucesso estrondoso, na opinião de Cameron o filme não chegou ao ápice da utilização da tecnologia 3D. “Avatar tinha tantas cenas panorâmicas que a diferença entre vê-lo em 2D e 3D não era tão grande. Quanto mais você expande a imagem, menos você se sente próximo dos objetos e personagens”, analisou o diretor, em entrevista sobre sua nova produção, o filme Santuário, apontando que esse sim é o filme certo para a linguagem.



    Dirigido por Alister Grierson, Santuário foi classificado pelo produtor Cameron como a experiência quintessencial em 3D por ter a maioria das cenas em planos fechados, utilizar a mesma tecnologia 3D de Avatar e  conter muitas cenas subaquáticas, sua especialidade. O filme nasceu de uma ideia de Andrew Wight, que filmava Aliens of the Deep junto com Cameron, e decidiu roteirizar sua história pessoal de  acidente grave que ocorreu durante uma de suas expedições submerso.

    Santuário estreia nos cinemas brasileiros nesta sexta-feira (4/2).